Verbos unipessoais
Verbos unipessoais são verbos conjugados apenas na terceira pessoa. Normalmente, expressam sons de animais ou ocorrências. Não devem ser confundidos com os verbos impessoais, que não apresentam sujeito.
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Resumo sobre verbos unipessoais
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Verbos unipessoais são verbos limitados à 3ª pessoa do singular ou do plural.
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São verbos que apresentam sujeito.
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Indicam sons de animais ou ocorrências não realizáveis em 1ª ou 2ª pessoa.
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Diferem-se dos verbos impessoais, que são conjugados apenas na 3ª pessoa do singular e não têm sujeito.
O que são verbos unipessoais?
Verbos unipessoais são aqueles conjugados apenas na 3ª pessoa (seja do singular ou do plural). Exemplo:
Seu gato mia muito?
O verbo “miar” só pode ser conjugado na 3ª pessoa do singular ou plural por ser um verbo relacionado ao som de um animal. Assim, não é possível que essa ação verbal seja feita em 1ª pessoa (“eu”) no sentido literal da palavra.
Lista de verbos unipessoais
Os verbos unipessoais indicam sons de animais ou situações ocorridas.
Veja alguns exemplos:
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Latir: “O cachorro latiu a noite toda.” → “Os cachorros latiram a noite toda.”
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Mugir: “Por que a vaca muge tanto lá no pasto?” → “Por que as vacas mugem tanto lá no pasto?”
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Grasnar: “Eu tomei um susto quando o ganso grasnou!” → “Eu tomei um susto quando os gansos grasnaram!”
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Zumbir: “Se esse pernilongo zumbir mais, eu vou enlouquecer.” → “Se esses pernilongos zumbirem mais, eu vou enlouquecer.”
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Zurrar: “O burro zurrava e não obedecia.” → “Os burros zurravam e não obedeciam.”
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Ganir: “O animal gania enquanto tentávamos resolver a confusão.” → “Os animais ganiam enquanto tentávamos resolver a confusão.”
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Rosnar: “Seu cachorro está rosnando para mim. Devo me preocupar?”
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Acontecer: “Alguma coisa aconteceu ontem...” → “Algumas coisas aconteceram ontem...”
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Ocorrer: “O que ocorreu ontem não vai se repetir!” → “As coisas que ocorreram ontem não vão se repetir!”
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Convir: “Fazer piadinhas não convém neste momento, Eduardo.” → “Essas piadinhas não convêm neste momento, Eduardo.”
Diferenças entre verbos unipessoais e impessoais
Verbos unipessoais são conjugados apenas na 3ª pessoa do singular ou do plural, apresentando sujeito. Verbos impessoais são conjugados apenas na 3ª pessoa do singular, mas sem apresentar nenhum sujeito.
Observe a diferença:
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Unipessoal:
Os sapos coaxavam na lagoa.
Nesse caso, o sujeito do verbo “coaxar” é “os sapos”.
Ocorreu um acidente na avenida principal.
Agora, o sujeito do verbo “ocorrer” é “um acidente”.
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Impessoal:
Está relampejando.
Já amanheceu?
Há muito mais caixas para a mudança!
Nesses três casos, os verbos são impessoais: “relampejar” e “amanhecer” são fenômenos da natureza, de modo que não há um sujeito realizando a ação desses verbos; “haver” é um verbo que indica existência, não sendo considerado uma ação realizável por um sujeito.
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Como saber se um verbo é unipessoal?
Há duas situações básicas em que um verbo é considerado unipessoal: verbos que indicam sons emitidos por animais e verbos que indicam ocorrência ou necessidade.
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Sons de animais
Quando um verbo é usado para exprimir sons feitos por animais, de forma literal, ele só pode ser conjugado em 3ª pessoa (do singular ou do plural). Veja:
O cavalo relinchou, assustado.
Os cavalos relincharam, assustados.
A ação do verbo “relinchar” só pode ser realizada por cavalos, de modo que, em sentido literal, esse verbo só pode ser conjugado na 3ª pessoa.
Atenção! A conjugação desses verbos pode ocorrer em outras pessoas (1ª e 2ª pessoas) em contextos informais, de sentido figurado ou com licença poética. Exemplo:
“Eu quase rugi pra ele, de tão bravo que eu estava!”
Um ser humano não é capaz de rugir literalmente, então o verbo foi usado no sentido figurado, admitindo o uso em 1ª pessoa.
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Ocorrência ou necessidade
Quando um verbo é usado para expressar uma situação ocorrida, sua conjugação também fica limitada à 3ª pessoa. Exemplo:
Esse episódio já aconteceu antes?
Esses episódios já aconteceram antes?
Essa sua atitude não nos convém.
Essas suas atitudes não nos convêm.
No primeiro caso, o verbo “acontecer” é conjugado apenas na 3ª pessoa, uma vez que é usado para indicar uma situação, ou seja, não é uma ação realizável pela 1ª nem pela 2ª pessoas (“eu”/“nós” e “tu”/“vós”).
Do mesmo modo, o verbo “convir” não é uma ação feita pela 1ª nem pela 2ª pessoas, e sim uma característica de algo ser conveniente ou apropriado, por isso em 3ª pessoa.
Exercícios resolvidos sobre verbos unipessoais
Questão 1
(ASPERHS, 2008 – Adaptada)
Aponte o verbo unipessoal:
A) Chove muito.
B) Está quente hoje.
C) Convém falarmos só amanhã.
D) Faz forte calor.
E) Há de haver perdão.
Resposta
Alternativa C. O verbo “convir” é unipessoal, pois expressa uma conveniência ou adequação, sendo o sujeito desse verbo toda a oração “falarmos só amanhã”.
Questão 2
Assinale a alternativa que indica uma diferença importante entre verbos unipessoais e impessoais.
A) Verbos unipessoais mantêm sempre o mesmo sentido, enquanto verbos impessoais variam de acordo com o sujeito.
B) Verbos unipessoais admitem sujeito, enquanto verbos impessoais não apresentam sujeito em nenhuma de suas formas.
C) Verbos unipessoais só aparecem no infinitivo, enquanto verbos impessoais são conjugados em todos os modos e pessoas.
D) Verbos unipessoais sempre exprimem fenômenos da natureza, enquanto verbos impessoais nomeiam ações humanas.
E) Verbos unipessoais só aparecem no singular, enquanto verbos impessoais se flexionam no singular ou plural.
Resposta
Alternativa B. Os verbos unipessoais têm sujeito, mas são apenas conjugados na 3ª pessoa (do singular ou do plural, de acordo com o número do sujeito). Já os verbos impessoais, como o nome indica, não têm sujeito, por isso permanecem apenas na 3ª pessoa do singular.
Fontes:
AZEREDO, José Carlos de. Gramática Houaiss da Língua Portuguesa. São Paulo: Parábola, 2021.
BECHARA, Evanildo. Moderna Gramática Portuguesa. 38ª ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2015.
CEGALLA, Domingos Paschoal. Novíssima Gramática da Língua Portuguesa. São Paulo: Companhia Editora Nacional, 2020.
CUNHA, Celso; CINTRA, Lindley. Nova Gramática do Português Contemporâneo. 7ª ed. Rio de Janeiro: Lexikon, 2016.