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Incas

Os incas foram um dos povos pré-colombianos e construíram o maior império da América pré-colombiana, conquistando um extenso território na região da Cordilheira dos Andes.
Machu Picchu, a mais conhecida das cidades incas e uma das sete maravilhas do mundo moderno.
Machu Picchu é a mais conhecida das cidades incas. Ela é uma das sete maravilhas do mundo moderno.

Os incas foram um dos povos pré-colombianos e construíram o maior império da América pré-colombiana, conquistando um extenso território na região da Cordilheira dos Andes. Os incas habitavam inicialmente a região de Cusco, no atual Peru, e formaram um império que estava em plena expansão quando os espanhóis chegaram.

Eles construíam uma rede de estradas que cortava todo o império, possibilitando o rápido deslocamento das tropas, assim como o aumento do comércio e da rapidez com a qual as informações eram transmitidas. Vivendo em um território com diferentes relevos, climas, fauna e flora, os incas desenvolveram soluções únicas para a construção civil, agricultura, para edificação de estradas e pontes. Criaram um sistema de registro numérico, mas não desenvolveram a escrita.

A vida dos incas mudou abruptamente em 1532, quando tropas de um outro império, o espanhol, chegaram ao território inca. Nesse momento, os incas passaram por um momento de grande mortandade provocada pelas doenças europeias e haviam recentemente encerrado uma guerra civil. Em pouco tempo o maior império da América foi conquistado pelo império espanhol, que na época se tornava o maior do mundo.

Leia também: Astecas — outra civilização que construiu um grande império na América pré-colombiana

Resumo sobre os incas

  • Os incas foram um dos povos pré-colombianos e construíram o maior império da América pré-colombiana, conquistando um extenso território na região da Cordilheira dos Andes.
  • Os incas são originários da região de Cusco e eram falantes da língua quíchua.
  • O Império Inca era um império multiétnico e multilinguístico.
  • A capital do Império Inca era a cidade de Cusco, protegida por uma grande muralha.
  • A religião inca era politeísta, e Viracocha e Inti eram as principais divindades.
  • A base da economia inca era a agricultura, sobretudo de milho e batata.
  • Os incas realizavam complexos rituais de sacrifícios humanos em homenagem a seus deuses.
  • Muitas tecnologias desenvolvidas pelos incas são utilizadas na região da Cordilheira dos Andes ainda hoje, como o cultivo em terraços e o sistema agrícola waru waru.
  • O Império Inca foi conquistado pelas tropas do comandante espanhol Francisco Pizarro.
  • Incas, maias e astecas eram as três principais civilizações da América na época da chegada de Cristóvão Colombo, em 1492.

Videoaula sobre os incas

Quem foram os incas?

Os incas foram um dos povos pré-colombianos. Esse povo, a partir do século XV, iniciou um processo de expansão territorial que levou à construção, nos Andes, do maior império que existiu na América pré-colombiana, o Império Inca.

Localização da civilização inca

Os incas ocupavam um vasto território que se estendia por mais de 4 mil quilômetros de norte a sul da Cordilheira dos Andes, abrangendo regiões do atual Peru, Equador, Bolívia, Chile, Argentina e Colômbia. Vale lembrar que o império estava em plena expansão quando os espanhóis chegaram às terras incas.

Mapa mostrando a localização e a extensão do território ocupado pelos incas no contexto da expansão do Império Inca.
Mapa do Império Inca. O império abrangia regiões do atual Peru, Equador, Bolívia, Chile, Argentina e Colômbia. [1]

Os incas chamavam seu império de Tawantinsuyu, palavra em língua quíchua que significava algo como “as quatro partes do mundo”. Na época inca Cusco era chamada de Qospo, que significava “umbigo”, pois a capital inca seria o umbigo do mundo. Chinchaysuyu era a região norte do império, localizada nos atuais Equador e Colômbia, terra onde viviam os povos chimús. Antisuyu era a região leste do império, composta por trechos da Cordilheira dos Andes e por regiões da Floresta Amazônica. Qullasuyu era o território sul, que englobava terras do atual Chile, Argentina e Peru, território dos aimarás. E Kuntisuyu, a parte oeste, era o menor território do Império Inca e englobava terras do litoral peruano até Cusco.

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Origem da civilização inca

No início do século XV os incas viviam em uma cidade-estado, Cusco. A cidade de Cusco era protegida por uma enorme muralha, conhecida como Sacsayhuaman. A muralha foi uma das primeiras grandes construções feitas pelos incas, que são considerados um dos principais arquitetos do passado.

Parte da muralha conhecida como Sacsayhuaman, construída pelos incas para proteger a cidade de Cusco.
Parte da muralha conhecida como Sacsayhuaman, construída pelos incas para proteger a cidade de Cusco.

Em 1438, o imperador inca Pachacuti iniciou o processo de formação do império, fortalecendo o exército e conquistando territórios do povo Chanca após uma guerra. Foi durante o reinado de Pachacuti que Machu Picchu foi construída.

Tupac Inca Yupanki, sucessor de Pachacuti, continuou a expansão do império. Antes da guerra o imperador enviava chasquis, os mensageiros incas, dando duas opções para os inimigos. A primeira era a rendição. Nesse caso, o povo seria integrado ao Império Inca e passaria a pagar impostos em forma de trabalho e de mercadorias. Os governantes e seus familiares seriam poupados e continuariam a reinar na sua região, sob as ordens do imperador inca. A segunda opção era a guerra e, em caso de derrota, o governo inimigo e seus familiares seriam executados e impostos mais pesados seriam cobrados da população conquistada.

A maior dificuldade enfrentada por Tupac Inca Yupanqui durante sua expansão territorial foi o Reino Chimor, formado por uma aliança de cidades de cultura chimú. Eles controlavam a região que se estendia do litoral da zona central do Peru até a fronteira com o Equador. Também eram mestres na tapeçaria, na produção de tecidos e de objetos de cerâmica e ouro. No final do governo de Tupac Inca Yupanqui, o Reino Chimor foi conquistado e seus habitantes passaram a pagar impostos em prata e ouro para o imperador.

Huayna Cápac, sucessor de Yupanqui, continuou a expansão, conquistando territórios litorâneos e vastos territórios ao sul, onde encontrou resistência dos mapuches. Huayna Cápac ainda tentou conquistar territórios a leste do Peru, região da Floresta Amazônica. Nessa campanha os incas foram barrados pelos Shuar, povo guerreiro conhecido por decapitar seus inimigos derrotados em batalha e depois encolher a cabeça deles em um complicado processo que envolvia extração do crânio e do cérebro, cozimento e defumação. Os Shuar também resistiram aos ataques dos espanhóis e ainda hoje vivem em regiões do Peru e Equador.

Características dos incas

Sociedade dos incas

Os incas desenvolveram uma complexa sociedade, altamente hierarquizada com o imperador no topo da pirâmide social. Ele era chamado de Sapa Inca e era considerado uma espécie de representante de Inti, o Deus Sol, aqui na Terra.

O imperador era considerado por direito divino o proprietário de todas as terras. Os camponeses deviam ao imperador a mita, uma espécie de trabalho obrigatório que deveriam cumprir em alguns dias do ano para o Estado, geralmente trabalhando na construção de obras públicas, como fortes, muralhas, templos, estradas e pontes.

Abaixo do imperador estavam os nobres, membros da elite de Cusco e das regiões que foram integradas ao império. Geralmente os filhos dos governantes conquistados eram educados em Cusco, aprendendo a cultura inca e passando a integrar a nobreza do império.

Líderes militares, grandes comerciantes, governadores dos territórios conquistados e sacerdotes também ocupavam lugar de destaque na sociedade inca. Existiam ainda muitos artesãos que trabalhavam em oficinas, muitas delas estatais.

Os camponeses compunham a maior parte da população inca e ocupavam a base da pirâmide social. Eles viviam em aldeias cultivando insumos em um sistema comunitário de produção; essa unidade básica de produção agrícola era chamada pelos incas de ayllu. Cada ayllu possuía uma liderança, chamado de kuraka, que era responsável pela distribuição da produção para todos as famílias do ayllu, pela coleta dos impostos devidos aos sacerdotes, pela organização da mita e da produção agrícola.

Cultura dos incas

Os incas falavam a língua quíchua, também chamada de quéchua, e levavam sua língua para as regiões conquistadas. Ainda hoje a língua quíchua é falada por milhões de pessoas no Peru, Bolívia, Argentina, Chile, Colômbia e Equador. Algumas palavras quíchuas foram incorporadas à língua portuguesa brasileira, como as palavras lhama, condor, quinoa, poncho, alpaca, cura (relacionando a sacerdote católico) e cancha (palavra usada para nomear o campo de futebol).

Em regiões do Império Inca, habitadas por collaguas e os cabanas, uma tradição de deformar os crânios dos membros da nobreza foi praticada. Os collaguas amarravam faixas de tecido na cabeça dos bebês para que seus crânios crescessem com a forma cônica, semelhante ao vulcão sagrado de onde acreditam ter se originado. Já os cabanas amarravam tábuas na cabeça da criança, para que seu crânio crescesse reto.

Crânios modificados pelos incas em exposição no Museu Inca de Cusco.
Crânios modificados em exposição no Museu Inca de Cusco.

Muitos cronistas do século XVI destacaram a presença da música na sociedade inca. Os principais instrumentos musicais incas eram as flautas, geralmente feitas de pequenos bambus. As músicas eram tocadas em cerimônias do Estado, nos rituais religiosos, em festas e até mesmo na hora do trabalho.

Sacrifício humano na cultura inca

Os incas também ficaram conhecidos pelos sacrifícios humanos, geralmente sacrificando crianças e adolescentes que eram originários de diversas regiões do império. O sacrifício era a última etapa de um elaborado ritual que começava meses antes, quando as crianças que seriam sacrificadas passavam a receber uma dieta mais nutritiva, a beber chicha e a ingerir folhas de coca. As folhas de coca eram controladas pelo Estado e eram consumidas pela elite inca. De Cusco, partia uma procissão composta por diversas pessoas que acompanhavam as crianças até o local onde seriam sacrificadas. Essa jornada podia durar semanas.

Os sacrifícios incas ocorriam geralmente no alto de montanhas, consideradas sagradas para eles. Um acampamento era levantado na base da montanha, onde ficava a maior parte das pessoas que acompanhavam a procissão. Um pequeno grupo de sacerdotes acompanhava as crianças até o cume. Normalmente elas eram mortas com uma pancada na cabeça e seus corpos eram sepultados juntamente com alguns objetos que elas possuíam em vida. As condições climáticas das altas montanhas dos Andes e o solo formado por cinzas vulcânicas muitas vezes transformaram as crianças e adolescentes sepultados em múmias naturais.

Em 1999, arqueólogos desenterraram três múmias naturais incas, uma adolescente e duas crianças, no alto do vulcão Lullaillaco, em um local a quase 7 mil metros de altitude. Elas estão entre as múmias incas mais bem preservadas e foram analisadas por especialistas de diversas áreas do conhecimento. A adolescente mumificada, que foi chamada de A Donzela, tinha entre 13 e 15 anos de idade e provavelmente pertencia à nobreza.

Os arqueólogos acreditam que as duas crianças foram sacrificadas para acompanhar A Donzela. A Menina do Raio recebeu esse nome porque sua múmia foi queimada por um raio. Ela tinha aproximadamente seis anos quando morreu, e seu crânio era alongado, o que mostra que também pertencia à elite. O Menino, como foi chamada a última múmia, tinha cerca de sete anos quando foi sacrificado. Pelos artefatos encontrados junto à sua múmia e pelos seus trajes, ele pertencia à nobreza. Ele foi o único que teve morte violenta confirmada. Foram identificados diversos ferimentos e traumatismos em seu corpo, além de manchas de sangue e de vômito em sua roupa. Alguns pesquisadores defendem que A Menina do Raio e A Donzela foram sepultadas ainda vivas.

Religião dos incas

Os incas, como os povos da civilização andina, eram politeístas e seus deuses se relacionavam aos elementos e fenômenos da natureza. Alguns de seus principais deuses eram os seguintes:

  • Viracocha: era para os incas o deus criador do universo e de tudo que nele existe.
  • Inti: o deus Sol inca, era o deus mais cultuado pelos incas, com um grande templo construído em Cusco em sua homenagem, local onde eram colocadas as múmias dos imperadores falecidos. Ele era considerado o ancestral dos incas, que se consideravam assim os “filhos do Sol”. O ouro era associado a Inti, sendo o metal mais valorizado devido a sua importância religiosa. Atualmente Inti está presente nas bandeiras da Argentina e do Uruguai.
  • Pacha Mama: é a Mãe Terra, muito cultuada nas áreas rurais do império. Ela é uma deusa atrelada à agricultura, maternidade e fertilidade. Ainda hoje em regiões do antigo Império Inca Pacha Mama é cultuada. Em 1º de agosto, considerado o seu dia, diversas oferendas são feitas para ela, como enterrar alimentos, bebidas alcoólicas e folhas de coca.
  • Mama Killa: é a Deusa Lua, esposa de Inti. Ela era associada às mulheres, ao ciclo menstrual e ao casamento. Para os povos que viviam no litoral ela era a principal deusa, provavelmente por compreenderem a relação entre as marés e a Lua.
  • Llapa: era o deus do trovão, representado com forma humana e sendo portador de uma funda e uma lança de ouro.
  • Supay: era o deus do mundo subterrâneo e dos mortos, e foi associado ao diabo pelos padres católicos que catequizaram as populações andinas.

Economia dos incas

A economia inca girava em torno da agricultura, que tinha por base a produção de milho e batatas. Os incas também cultivavam abóboras, feijões, quinoa, mandioca, pimentas e algodão, com ele produziam parte dos seus tecidos. Os incas também criavam lhamas, das quais obtinham lã e alimentos proteicos.

Para superar os desafios para a agricultura nos Andes, os incas desenvolveram diversas soluções, como o cultivo em terraços. A técnica, utilizada até hoje, evitava a erosão, comum em regiões de encosta. A batata era geralmente plantada nos lugares mais altos, por se adaptar melhor ao clima frio. Já o milho era cultivado nas áreas mais baixas.

Nas regiões planas os incas utilizaram um sistema que chamaram de waru waru, considerado hoje um dos sistemas agrícolas de produção mais sustentáveis e produtivos. Os incas iniciavam a construção de um waru waru cavando canais de irrigação e, com o solo retirado da escavação, construíam canteiros elevados entre os canais, onde cultivavam insumos. A técnica permitia que cada cultura recebesse a quantidade ideal de água, de acordo com a altura do canteiro. Além disso, permitia que a água absorvesse o calor do Sol durante o dia e que liberasse durante a noite esse calor, evitando geadas nos canteiros. Nos canais eram criados peixes e, de tempos em tempos, o lodo retirado do fundo dos canais era utilizado como fertilizante. A técnica ainda hoje é utilizada.

Fotografia aérea de um waru waru, sistema agrícola desenvolvido pelos incas.
Desenvolvido pelos incas, o waru waru é considerado hoje um dos sistemas agrícolas de produção mais sustentáveis e produtivos do mundo.

O comércio também era uma importante atividade econômica inca, com caravanas que percorriam todo o império por uma rede de estradas pavimentadas que possuía milhares de quilômetros. Pontes feitas de corda de capim eram construídas nas estradas incas. Mensageiros, chamados chasquis, levavam mensagens por todo o território, com informações registradas nos quipus. Muitos consideram esse o primeiro sistema de correios da América.

 

Penas de pássaros da Floresta Amazônica foram encontradas por arqueólogos em sítios incas no Atacama, conchas do litoral peruano foram encontradas no alto da Cordilheira dos Andes e cerâmica dos chimús foi desenterrada no Chile. Esses achados comprovam o comércio de longa distância na época inca.

 

Arte dos incas

A cerâmica inca é considerada uma das mais belas e recebeu influência de diversos povos, anteriores e contemporâneos da civilização inca. Nas peças mais elaboradas, produzidas para a elite ou para cerimônias religiosas, diversas cores eram utilizadas, como vermelho, amarelo, preto, branco e azul. Essa cerâmica era assada em fornos de adobe ou tijolos de barro. Na maioria das vezes os incas utilizavam temas geométricos na decoração de sua cerâmica. Existia ainda uma cerâmica mais simples, destinada ao uso cotidiano da maior parte da população inca. Essa cerâmica era utilitária, com poucas decorações e geralmente assada em fogueira.

Os incas também se destacaram na ourivesaria, que consiste no trabalho com metais preciosos. Com o ouro, os artesãos incas produziam diversos objetos, como copos, pratos, anéis, colares e diversos objetos utilizados em rituais, entre eles o Tumi, uma espécie de faca cerimonial.

Detalhe de um Tumi feito pelos incas, atualmente em exposição no Museu do Ouro do Peru, em Lima.
Detalhe de um Tumi andino do século XII, atualmente em exposição no Museu do Ouro do Peru, em Lima. [2]

Os incas também são conhecidos pela sua tecelagem, que produziu verdadeiras obras de arte. A lã de lhamas e alpacas, além do algodão, era a principal fibra utilizada pelos incas para a confecção de tecidos. A tecelagem era destinada às mulheres, que utilizavam teares manuais para produzir tecidos que possuíam, na maioria das vezes, padrões geométricos. O vermelho era a cor mais utilizada nas roupas incas.

Escrita dos incas

Os incas foram um dos poucos impérios, talvez o único, a não desenvolver um sistema de escrita. O quipu, instrumento produzido com diversas cordinhas, era utilizado para o registro de números. Não existe consenso entre matemáticos e historiadores sobre como funcionava o sistema de registro, mas a maior parte deles defende que era utilizado um sistema decimal. Os números eram registrados nas cordinhas através de nós.

Alguns pesquisadores defendem que, além de números, os quipus também registravam mensagens codificadas. Quando os espanhóis chegaram ao Império Inca existiam armazéns com quipus, quase todos eles foram queimados pelos espanhóis. Poucos quipus chegaram aos nossos dias, o que dificulta o seu estudo.

Decadência dos incas

Conhecida também como Guerra Civil Inca, a Guerra dos Dois Irmãos ocorreu após a morte do imperador Huayna Cápac. Seus dois filhos, Atahualpa e Huáscar, iniciaram a guerra em 1529, e ela durou até 1532, mesmo ano da chegada dos espanhóis ao território inca.

A guerra acabou com a vitória de Atahualpa, que se tornou o novo imperador. Huáscar foi capturado e executado, assim como parte dos seus familiares e amigos. A guerra civil deixou um império dividido, com dois exércitos enfraquecidos.

As doenças europeias, sobretudo a varíola, chegaram ao império muito antes dos conquistadores, em meados da década de 1520. A doenças provocaram grande mortalidade entre os incas, principalmente nos soldados, que viviam próximos uns dos outros nos acampamentos durante a guerra civil. Com o fim da guerra civil, muitos soldados retornaram para suas casas, disseminando a doença pelo império.

Foi nesse contexto de guerra civil e grande mortandade provocada por doenças que Francisco Pizarro, que derrotou o Império Inca, chegou às fronteiras do império. Com menos de 200 homens, Pizarro capturou Atahualpa em Cajamar, cidade onde ele e parte de seu exército estavam acampados. Os espanhóis exigiram um alto valor de resgate em ouro e prata pelo imperador e, mesmo recebendo o resgate, o imperador inca acabou sendo assassinado pelos espanhóis. Para saber mais detalhes sobre a decadência e o fim do Império Inca, clique aqui.

Incas, maias e astecas

Incas, maias e astecas eram as três principais civilizações da América na época da chegada de Cristóvão Colombo, em 1492.

  • Incas: na época de chegada de Colombo, o Império Inca era o maior das Américas, com sua capital na cidade de Cusco, no atual Peru. Os incas dominaram terras que iam do atual Equador até a Argentina e o Chile. Todo o império era conectado por estradas por onde os chasquis, os mensageiros incas, transportavam informações registradas em seus quipu. Eles desenvolveram complexos sistemas agrícolas com os quais conseguiam grandes colheitas, principalmente de milho e de batata. Em 1532, Francisco Pizarro, chefe militar de um pequeno grupo de espanhóis, chegou ao Império Inca. Após enganar os incas, os espanhóis capturaram o imperador Atahualpa e exigiram um grande resgate em ouro e prata. O resgate foi pago, mesmo assim o imperador foi assassinado pelos espanhóis. Em poucos anos todo o Império Inca foi conquistado.
  • Maias: viviam na região de Iucatã, de Belize, Honduras e Guatemala. Ao contrário de incas e astecas, os maias não formaram um império, mas se organizavam em cidades autônomas, semelhantes às cidades-estados gregas. Em comum as cidades maias possuíam a cultura, compartilhando as mesmas crenças e religião. As cidades maias mantinham relações comerciais e trocas culturais através de uma rede de estradas e hidrovias. Os maias desenvolveram a escrita, um complexo sistema matemático que utilizava o zero e o sistema posicional, criaram um calendário semelhante ao nosso e previam eclipses solares e lunares. Apesar de a civilização maia ter entrado em colapso, os maias vivem ainda hoje no México e no Norte da América Central, e sua cultura ainda permanece na região.
  • Astecas: herdaram muitas tradições maias, como parte de sua religião, calendários, culinária, construção de pirâmides, entre outras. Os astecas eram um império em plena expansão quando os espanhóis chegaram. A capital do império, chamada de Tenochtitlán, se localizava onde é hoje a cidade do México. No início do século XVI Tenochtitlán era uma das maiores cidades do mundo e impressionou os europeus do grupo de Hernán Cortez, quando nela entraram pela primeira vez, pela beleza, limpeza e organização das ruas. Apesar desse encantamento inicial, isso não impediu que os espanhóis destruíssem a cidade e, posteriormente, destruíssem o Império Asteca. É importante destacar que as doenças europeias chegaram a Tecnochtitlán antes de Cortez, o que causou grande mortandade e facilitou a conquista espanhola.

Exercícios resolvidos sobre os incas

Questão 1

(UFC) Recentemente, Alejandro Toledo foi eleito presidente do Peru. Durante a campanha eleitoral, foi chamado de Pachacutec, numa alusão ao imperador inca que consolidou um império nos Andes centrais. Sobre a sociedade inca, é correto afirmar que:

A) o fato de constituir uma das mais significativas sociedades pré-colombianas tem como base a negação da cultura dos povos dominados.

B) a sua economia tinha por base a agricultura que utilizava complexas técnicas de cultivo.

C) o que a diferenciava das demais culturas pré-colombianas era a ideia de uma sociedade igualitária.

D) o comércio interno era significativo, tendo no guano um dos produtos mais valorizados.

E) a sua cultura desapareceu com o processo da dominação espanhola.

Resolução:

Alternativa B.

Os incas desenvolveram diversas técnicas que possibilitaram a agricultura nas diferentes regiões do seu império, como o sistema de terraços de cultivo, utilizado nas encostas das montanhas, e os waru waru, utilizado em lugares planos.

Questão 2

(UFC) Sobre a conquista da América, é verdade dizer que astecas, incas e maias foram subjugados pelos espanhóis, embora houvesse superioridade numérica de índios. Para isso, contribuíram o uso de armas de fogo, os conflitos internos entre os nativos e as doenças transmitidas pelos conquistadores. Sobre a conquista dos incas, assinale a alternativa correta.

A) Os incas foram derrotados porque acreditaram que os conquistadores eram deuses de volta aos Andes e sacrificaram-se em frente deles.

B) A conquista do vasto território inca foi se consolidando sem resistência por parte dos indígenas, sobretudo dos quéchuas, que foram exterminados.

C) O aventureiro Fernão Cortez cruzou o Panamá, chegou ao Pacífico e comandou a conquista dos incas, aproveitando-se das lutas internas que enfraqueciam o império.

D) Atahualpa consultou os sacerdotes adivinhos para que explicassem a invasão dos conquistadores. Por não obter resposta, o rei os matou, e dessa forma o império teocrático colapsou.

E) O conquistador espanhol, após ter tido contato direto com Atahualpa, armou-lhe uma cilada e o fez prisioneiro; pediu resgate em ouro, mas, mesmo assim, matou-o. Sem o rei, o império desestabilizou-se e caiu.

Resolução:

Alternativa E.

Pizarro utilizou a mesma tática utilizada por Cortez na conquista dos astecas, capturar o rei adversário. Foi prometida aos incas a liberdade do imperador após o pagamento de um alto resgate em metais. Após o pagamento, o imperador foi morto pelos espanhóis.

Créditos de imagem

[1] Nadie Huamán / Wikimedia Commons (Imagem editada: Foi recortada para dar mais destaque à região ocupada pelo Império Inca.)

[2] videobuzzing / Shutterstock

Fontes

FAVRE, Henri. A civilização inca. Editora Zahar, Rio de Janeiro, 1987.

PEREGALLI, Enrique. A América que os europeus encontraram. Editora Atual, São Paulo, 2019. 

Publicado por Jair Messias Ferreira Junior
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