Pérsia

A Pérsia foi uma nação de origem iraniana que se tornou um dos maiores impérios da Antiguidade. Hoje, é o Irã.

A Pérsia era tradicionalmente o nome dado a uma região às margens do Golfo Pérsico que foi fundada por tribos irânicas por volta do ano 1000 a.C. Com o surgimento do Império Medo no século VII a.C., que abrangia grande parte da Ásia Ocidental, a Pérsia tornou-se vassala da região, até que, no século seguinte, o rei aquemênida Ciro II rebelou-se contra o domínio dos medos e derrotou-os militarmente. Assim, a Pérsia elevou-se a um império tão poderoso que superou a expansão territorial de qualquer império reconhecido até então: sua vastidão passou a abranger desde os Bálcãs, na Europa, até o Vale do Indo, no sul asiático.

Não pare agora... Tem mais depois da publicidade ;)

Leia também: Império Otomano — detalhes sobre uma potência mundial muçulmana fundada no século XIII

Resumo sobre a Pérsia

  • A Pérsia era tradicionalmente o nome dado a uma região que foi fundada por tribos irânicas por volta do ano 1000 a.C.
  • Essas tribos irânicas fixaram-se na região de Pars, no Planalto Iraniano, às margens ao norte do Golfo Pérsico.
  • Até o século VI a.C., a Pérsia era um reino vassalo do Império Medo, até que o rei Ciro II rebelou-se contra seus suseranos e conquistou a região de Média, dando início ao período do Império Persa.
  • Devido às origens de Ciro II (ou Ciro, o Grande), a fundação do Império Persa é inerente à fundação do Império Aquemênida e vice-versa.
  • O auge territorial do Império Persa foi durante o governo de Dario I, que chegou a abranger cerca de 8 milhões de km² de domínio, incluindo regiões da Ásia, da África e da Europa.
  • O vasto território persa era administrado por regiões denominadas satrapias. Em toda a sua expansão, o império conduzia uma política de tolerância cultural, étnica e religiosa.
  • A Pérsia foi responsável pelas Guerras Médicas, travadas contra a Grécia, nas quais foi duplamente derrotada.
  • Entre as unidades militares persas que mais se destacaram, incluíam-se a elite dos Imortais e os elefantes de guerra.
  • Diversos fatores levaram ao declínio do Império Persa, que foi irreversivelmente derrotado após a Batalha de Gaugamela, contra os macedônicos liderados por Alexandre Magno (ou Alexandre, o Grande).
  • Apesar de os persas aquemênidas terem sido derrotados, a Pérsia continuou sendo referenciada como uma potência oriental, governada tanto por dinastias helenísticas quanto por impérios estrangeiros.
  • Em 1935, a Pérsia passou a ser referenciada oficialmente como Irã.

Não pare agora... Tem mais depois da publicidade ;)

O que era a Pérsia?

A Pérsia era tradicionalmente o nome dado a uma região às margens do Golfo Pérsico que foi fundada por tribos irânicas volta do ano 1000 a.C. Até metade do século VI a.C., ela servia de reino vassalo do Império Medo, quando o líder de origem aquemênida Ciro, o Grande (ou Ciro II), incitou a Revolta Persa e fundou o Império Aquemênida.

Baixo-relevo em pedra do século VI a.C. nas ruínas de Persépolis, atual Irã (antiga Pérsia). [imagem_principal]
Baixo-relevo em pedra do século VI a.C. nas ruínas de Persépolis, atual Irã (antiga Pérsia).

A partir dessa fundação, Ciro assimilou os territórios formados pelos medos, além do Reino de Lídia e do Império Neobabilônico, principalmente, e, posteriormente, outras regiões da Ásia (até o Vale do Indo, a leste, e a margem oriental do Mar Cáspio, ao norte), bem como da África (como o Egito e partes de Kush e Líbia) e da Europa (até a Macedônia, nos Bálcãs).

Apesar de o Império Aquemênida ter sido derrotado pelos macedônios liderados por Alexandre Magno (ou Alexandre, o Grande) no século IV a.C., reinados helenísticos derivados deram continuidade à grande parte da cultura persa, entre os quais o Império Selêucida e o Império Parta. Além deles, mais tarde — durante o século III d.C —, houve a formação do Império Sassânida como reminiscente dos aquemênidas. Os persas também foram governados por dinastias e por impérios estrangeiros, a exemplo dos califados islâmicos Omíada e Abássida, dos turcos Seljúcidas, dos turcomanos do Império de Corásmia e do canato mongol de Ilcanato.

Estátua de bronze de Ciro, o Grande, importante nome ligado à Pérsia.
Estátua de bronze de Ciro, o Grande, em Dushanbe, Tajiquistão. [1]

A cultura disseminada pelos antigos povos irânicos foi extremamente influente para a humanidade, tanto no Ocidente quanto no Oriente: fundaram-se convenções como a distribuição administrativa de territórios (satrapias), a religião zoroastrista, os primeiros fundamentos dos direitos humanos e da liberdade religiosa, contribuições indispensáveis da Medicina, da Filosofia e da Matemática, entre outros costumes diversos, como a confecção de calças e a construção de jardins ornamentados, por exemplo.

A Pérsia também protagonizou um dos conflitos mais impactantes da Antiguidade: as Guerras Médicas, travadas contra os gregos.

Em um decreto influenciado emitido pelo xá Reza Pahlavi em 1935, a Pérsia passou a ser internacionalmente chamada de Irã, cujos motivos veremos mais detalhadamente nos tópicos a seguir.

Veja também: Zoroastrismo — mais detalhes sobre essa religião de origem persa

Povo persa

Originalmente, o povo persa era composto por tribos seminômades falantes da língua iraniana que, por volta do ano 1000 a.C., passaram a fixar-se no Planalto Iraniano localizado na Ásia Ocidental, ao sudoeste do atual Irã. Eles descendiam dos indo-arianos nômades que, por volta do milênio III a.C., ainda ocupavam partes das estepes da Ásia Central.

Esse povo era composto pelo grupo étnico dos arianos, que, assim como a maior parte das primeiras civilizações europeias e sul-asiáticas, derivava do tronco linguístico indo-europeu.

Importante: É essencial atentar que o conceito de ariano, ao decorrer de todo o texto, refere-se ao grupo étnico de origem indo-europeia que deu origem ao povo persa e não possui relação alguma com os seus homônimos, como as teorias pseudocientíficas do século XIX ou a doutrina cristã disseminada no século IV

Etimologicamente, “iraniano” deriva de “ariano”, que, por sua vez, provém de Aryanam (“terra dos arianos”, genitivo plural de arya, que significava “nobre” nas línguas do grupo indo-iraniano). Os persas eram apenas um dos povos iranianos fixados na Ásia Ocidental, de modo que, além deles, havia também os medos, os partas, os alanos, ou citas, os bactrianos, entre outros. A autoafirmação da identidade ariana influenciou na escolha da nomeação da satrapia de Ária, onde hoje está localizado o Afeganistão, durante a consolidação do Império Aquemênida.

Monte Alam-Kuh na cordilheira Alborz, que faz parte do vasto Planalto Iraniano, no atual Irã (antiga Pérsia).
O monte Alam-Kuh na cordilheira Alborz, faz parte do vasto Planalto Iraniano. [2]

Com a Revolta Persa liderada por Ciro, o Grande no século VI e com a subsequente formação do domínio aquemênida, os povos que passaram a compor a Pérsia passaram a se tornar mais diversificados: os primeiros assimilados foram os seus vizinhos medos, de quem os persas eram anteriormente vassalos. Depois, passaram a abranger também os lídios (da atual Turquia), os mesopotâmicos (entre babilônios, caldeus e assírios), os egípcios (durante o governo de Cambises II, filho de Ciro), os fenícios, os sírios, os judeus (libertados da Babilônia), diversos povos sul-asiáticos do Vale do Indo e muitos outros desde a Ásia Central até o Cáucaso.

Esse abrangente domínio persa era governado por meio de políticas de tolerância cultural e religiosa que resultaram na formação de outras etnias que, além dos persas modernos, incluem os curdos, os tajiques, os ossetas, os pastós, os balúchis, entre muitos outros.

Onde ficava a antiga Pérsia?

Inicialmente, a Pérsia era uma região a sudeste do Planalto Iraniano às margens do Golfo Pérsico, especialmente onde se situa a província de Pars (ou Fars), no Irã atual. Apesar da distância temporal de quase 2600 anos até os dias de hoje, os domínios do Império Medo conquistados por Ciro, o Grande, predefiniram grande parte do recorte geopolítico do atual Estado do Irã.

Ruínas de Persépolis, antiga capital persa, no Irã (antiga Pérsia).
Ruínas de Persépolis, antiga capital persa, no Irã. [3]

As capitais persas variavam conforme o contexto, mas as mais importantes foram Pasárgada e Susa, fundadas para tornarem-se o centro do Império Aquemênida e a residência real de inverno, respectivamente, e Persépolis, construída durante o governo de Dario I. Levando-se em consideração o Irã, vale mencionar que sua atual capital é em Teerã.

Por qual motivo a Pérsia virou o Irã?

Resumidamente, podemos indicar que o principal fator de renomeação de Pérsia para Irã ocorreu por motivos nacionalistas.

Desde a Antiguidade, a região de Persis era assim mencionada pelos gregos para se referir ao território que designava a região de Pars. Porém, ao contrário dos gregos, os persas não se consideravam como tais, mas, sim, como irânicos, ou seja, de origem ariana (conforme explicamos no tópico sobre o povo persa).

Por sua vez, os registros sobre os persas que mais se disseminaram pelo mundo antigo no Ocidente provinham de textos escritos por historiadores gregos, como Heródoto (apesar de suas interpretações parcialmente fantasiosas) e Tucídides. No Período Helenístico, entre os séculos III e II a.C., a disseminação e a hibridização da cultura grega pelos continentes europeu, asiático e africano consolidou o domínio dos iranianos como Pérsia.

O processo de assimilação desse nome foi reforçado pelo fato de o Império Aquemênida ter se tornado o mais extenso de toda a história até aquele momento, superando os já abrangentes impérios dos medos e dos neobabilônicos.

A referência à região como Pérsia tornou-se, assim, convencional. Por milênios, diversas dinastias, califados e impérios governaram o lugar que, ao contrário do Ocidente, ainda era chamado por seu povo nativo de Aryanam e de termos derivados.

Atual bandeira do Irã (antiga Pérsia).
Atual bandeira do Irã.

Em parte do século XX, o governo da Pérsia era administrado pela Dinastia Pahlavi. No ano de 1935, durante o festival do Ano Novo Persa, o xá (ou rei) Reza Pahlavi decretou a oficialização do nome do Estado para Irã como um ato de nacionalismo frente à influência ocidental no país. Desde a instauração da companhia britânica Anglo-Persian Oil Company em 1908, o petróleo persa passou a ser extraído para o Reino Unido. Mais tarde, em 1953, um golpe de Estado liderado pelo filho do xá anterior, Mohammed Pahlavi, foi apoiado pela Inglaterra, Estados Unidos e Israel, a fim de contrapor a propostas de nacionalização do petróleo e, com isso, iniciar um período de ditadura que se estenderia até 1979 (que, como resultado da Revolução Iraniana, substituiria a dinastia dos xás por um governo autoritário e fundamentalista).

Apesar de a nação persa ser mais reconhecida como Irã, na atualidade, um decreto de 1959 do ditador Mohammed Pahlavi permitiu que o país fosse referido com ambos os nomes, com o fim de evitar que a memória identitária da antiga civilização persa fosse negligenciada.

Império Persa

O Império Persa é indissociável do Império Aquemênida, fundado por volta de 550 a.C. Até então, o reino dos aquemênidas, de onde se originou a nação Persis, era submisso ao Império dos Medos (surgido da dissolução do Império Assírio no século VII a.C.) por um contrato de vassalagem. Por conta disso, os tradicionais persas eram obrigados a pagar impostos e a oferecer seus exércitos para os medos quando assim fosse solicitado pelo líder do império.

Foi por volta do ano de 559 a.C. que Ciro II, filho do rei aquemênida Cambises I, assumiu o trono do Reino Aquemênida. A insubmissão de Ciro perante seus suseranos medos, então liderados pelo rei Astíages, foi iniciada em 553 a.C. e transformou-se em uma guerra encerrada em 550 a.C., especialmente após a vitória dos aquemênidas na Batalha de Pasárgada. Com a queda da capital dos medos em Ecbátana, iniciou-se o período do Império Aquemênida — ou Império Persa —, e, consigo, os territórios dos derrotados medos foram assimilados pelos persas, definindo-se parcialmente as fronteiras do atual Estado do Irã.

Mapa do Império Medo no século VI a.C. Observe que a Pérsia estava restrita, originalmente, às margens do Golfo Pérsico. [4]

A extensão máxima do Império Persa chegou a cerca de 8 milhões de km², um recorde de expansão territorial até aquela data. Levando-se em consideração o ponto de partida em Persis, os aquemênidas, liderados por Ciro, marcharam, ao norte, sobre a região de Média; ao noroeste, sobre a Armênia até a Anatólia (atual Turquia), onde habitavam os lídios, os frígios, os jônios, entre outros; a oeste, foram assimilados os territórios do Império Neobabilônico, incluindo a Babilônia, a Assíria e a Síria, por toda a costa leste do Mar Mediterrâneo.

Na direção oriental da Pérsia, a invasão de Ciro não foi menos contida: inicialmente conquistando as regiões de Pártia, de Carmania e de Hircânia, as tropas persas avançaram sobre a Corásmia, a noroeste, até aproximadamente as margens do atual Cazaquistão; em direção ao leste, assimilaram a Báctria, a Aracósia e os territórios adjacentes, tomando posse de toda a costa norte do Mar Arábico (atual Paquistão) e as margens ao sul do Golfo de Omã, na Arábia Oriental.  

O sucessor do império, Cambises II (530-522 a.C.), assimilou grande parte do norte da Península Arábica e estendeu-se sobre o continente africano, incluindo praticamente toda a totalidade do Egito (abrangendo, assim, o domínio sobre a metade norte do Mar Vermelho). Finalmente, o auge do território persa ocorreu durante o governo de Dario I, ou Dario, o Grande (522-486 a.C.): no império a Ocidente, ele obteve a conquista da Trácia e da Macedônia (Europa balcânica), da Cólquida e da Ibéria (entre o Mar Negro e o Mar Cáspio) e parte do Reino Cuxita e da Líbia, na África. Nas conquistas a Oriente, os persas alcançaram o Vale do Indo, onde uma pequena porção pertence atualmente à Índia.

Extensão máxima do Império da Pérsia sob o governo de Dario I, c. 500 a.C
Extensão máxima do Império Persa sob o governo de Dario I, c. 500 a.C. [5]

A Dinastia Aquemênida protagonizou diversos eventos cruciais da Antiguidade até o seu declínio em 330 a.C. Entre elas, as mais populares são as Guerras Médicas (nome dado pelos gregos por assimilarem persas aos medos), em que a Pérsia tentou conquistar a Grécia através de duas campanhas massivas: a primeira liderada por Dario I em 490 a.C., que resultou na derrota dos persas, especialmente após a Batalha de Maratona, e a segunda comandada pelo rei sucessor, Xerxes I, que, entre 480 e 479 a.C., testemunhou uma nova derrota persa, especialmente na Batalha de Salamina e na Batalha de Plateias, além da emblemática Batalha de Termópilas, que se tornou famosa na indústria cultural pela participação de 300 hoplitas espartanos, apoiados pelos aliados (Heródoto sugere cerca de 7 mil deles), contra as hordas de milhares de aquemênidas.

Nas Guerras Médicas, um dos corpos mais temíveis compostos pelo exército persa eram os Imortais, elite formada por dez mil soldados que, acredita-se, eram assim chamados porque, sempre que havia uma perda na tropa, outro combatente substituía o lugar. Os Imortais cumpriam a função de infantaria pesada, armados especialmente com lanças e arcos, e se protegiam com escudos longos.

Um Imortal, uma das partes do exército da Pérsia, retratado em fragmento do palácio de Dario I, em Susa.
Um Imortal retratado em fragmento do palácio de Dario I, em Susa. [6]

Durante a fase final do Império Aquemênida, tornou-se notória a utilização de elefantes de guerra por parte do exército persa, uma prática que foi herdada da arte da guerra indiana. O seu uso tático assemelhava-se aos dos tanques de guerra modernos, pois, além de desmoralizar a infantaria inimiga e de acomodar arqueiros vantajosamente ao alto, rompiam as formações defensivas do exército oposto. Utilizados especialmente contra os macedônicos na Batalha de Gaugamela (331 a.C.), os elefantes de guerra, posteriormente, tornaram-se comuns entre os sassânidas, selêucidas e partas, por exemplo.

Os aquemênidas persas foram derrotados por Alexandre Magno (ou Alexandre, o Grande), especialmente após a deflagração da Batalha de Gaugamela citada no parágrafo anterior.

Acesse também: Império Mongol — detalhes sobre o maior domínio terrestre do mundo

Declínio da Pérsia

A Pérsia, na qualidade de um império, não ruiu necessariamente devido às incursões macedônicas, apesar de a campanha de Alexandre Magno ter encerrado a Dinastia Aquemênida de forma definitiva. O processo de declínio da Pérsia remete a diversos motivos que abrangem desde intrigas internas a custosas guerras contra potências.

Os motivos internos de declínio tornaram-se cada vez mais comum após a morte de Xerxes I. Apesar de a divisão administrativa de territórios imperiais em satrapias ter se tornado útil para que o imperador controlasse os domínios persas, ao mesmo tempo, era difícil atender a todas as demandas e exigências de seus líderes regionais, os sátrapas. Muitas vezes, esses rebelavam-se e até mesmo ameaçavam apoiar rebeliões que poderiam assinalar a independência das satrapias em relação ao império, ou, ainda, não possuíam habilidades políticas suficientes para repelir rebeliões locais. Além disso, os diversos casos de corrupção acabaram por transformar a administração imperial em uma instituição conflitante e ineficiente.

As Guerras Médicas auxiliaram na queda do Império Persa. Apesar de os aquemênidas não terem sido extintos após as vitórias lideradas por Atenas e por Esparta, o custo de duas campanhas de grandes proporções endividou o império e germinou, entre os persas, uma impressão de derrotismo até então desconhecida.

Com a dissolução das potências ateniense e espartana sobre a Grécia, em decorrência da autodestrutiva Guerra do Peloponeso travada no final do século V (da qual, aliás, a Pérsia tirou proveito apoiando Esparta para que, em troca, dominasse territórios sob o controle de Atenas na Ásia Menor), a Macedônia ascendeu como uma potência que dominou quase toda a península balcânica e seus domínios insulares. O principal líder macedônico, Alexandre Magno (ou Alexandre, o Grande), passou a exigir também os territórios que os persas passaram a dominar, em favor de Esparta, durante a Guerra do Peloponeso.

Um dos primeiros conflitos entre os persas e os macedônicos ocorreu na Batalha de Grânico, ocorrida próxima da lendária cidade de Troia. A ela, seguiram-se outros combates de grandes proporções (como a Batalha de Isso), das quais os persas pouco a pouco perderam os seus domínios territoriais. Em 331 a.C., a fatídica Batalha de Gaugamela derrotou os aquemênidas irreversivelmente, e o último rei aquemênida, Dario III, foi assassinado no ano seguinte.

Batalha de Gaugamela, uma importante batalha ligada à Pérsia, retratada por Jan Brueghel, o Velho (1602).
Batalha de Gaugamela retratada por Jan Brueghel, o Velho (1602).

Apesar de o Império Aquemênida ter sido extinto, a partir dele, novas dinastias helenísticas surgiram sobre a Pérsia, a exemplo do Império Selêucida (séculos IV a.C. a I d.C.), do Império Parta (séculos III a.C. a III d.C.) e do Império Sassânida (século III d.C. a VII d.C.).

Confira também: Como foi a queda do Império Romano?

Pérsia na época da Bíblia

Na Bíblia, a Pérsia e muitos de seus governantes são ocasionalmente citados em livros como Esdras, Ester, Daniel, Isaías etc. A citação do principal evento histórico ligado à narrativa cristã diz respeito à libertação do povo judaico do domínio babilônico e ao financiamento cedido pelos governantes persas para a reconstrução da cidade de Jerusalém, que, de acordo com o livro, foi destruída pelos babilônicos liderados pelo rei Nabucodonosor II.

No geral, as menções à Pérsia, na Bíblia, são positivas e sugerem que o papel histórico do império foi parte de um plano divino para a libertação dos judeus. Observe, a seguir, algumas dessas referências |1|:

  • “Assim fala Ciro, rei da Pérsia: o Senhor, Deus do céu, deu-me todos os reinos da terra, e me encarregou de lhe construir um templo em Jerusalém, que está na terra de Judá. Todo aquele dentre vós que for de seu povo, esteja seu Deus com ele, e que ele para lá se dirija!” (II Crônicas 36:23)
  • “No tempo de Assuero [Xerxes I], que reinava desde a Índia até a Etiópia sobre cento e vinte e sete províncias, naqueles dias em que ele ocupava o trono real de Susa, sua capital, no terceiro ano de seu reinado, de um banquete a todos os cortesãos e a seus servos. Tinha reunido em sua presença os chefes do exército dos persas e os medos, os príncipes e os governadores das províncias.” (Ester 1:1-3)
  • “Eis o que diz o Senhor a Ciro, seu ungido, que ele levou pela mão para derrubar as nações diante dele, para desatar o cinto dos reis, para abrir-lhe as portas, a fim de que nenhuma lhe fique fechada.” (Isaías 45:1)

Exercícios resolvidos sobre Pérsia

Questão 1

Em relação ao Império Persa, registre a somatória das afirmações corretas:

01) O Império Persa surgiu em decorrência da Rebelião Persa, liderada por Ciro, o Grande, contra os seus suseranos medos, no século VI a.C.

02) O Império Persa era governado por líderes fundamentalistas que não permitiam a diversidade cultural, étnica e religiosa dentro de seus limites territoriais.

04) A fim de tornar a administração territorial mais eficiente, os domínios do Império Persa eram divididos em regiões chamadas de satrapias, cujos governantes, os sátrapas, eram escolhidos pessoalmente pelo imperador.

08) O auge do território persa ocorreu durante o governo de Dario I, que expandiu o império desde parte da Europa balcânica, a oeste, até o Vale do Indo, a leste.

16) O Império Persa foi dissolvido após a derrota nas Guerras Médicas contra os gregos, que contra-atacaram o exército de Xerxes I e dominaram a capital aquemênida em Persépolis.

Resolução:

13 (01 + 04 + 08)

A afirmação em 02) é incorreta porque, pelo contrário, suas políticas eram inclusivas e propunham grande diversidade cultural, étnica e religiosa, e a 16) afirma que o Império Persa foi extinto após as Guerras Médicas, quando na verdade, apesar da derrota de Xerxes I diante dos gregos, o império não foi dissolvido, de modo que sua queda definitiva ocorreria apenas tempos mais tarde, quando das incursões macedônicas lideradas por Alexandre, o Grande.

Questão 2

Em 1935, o xá Reza Pahlavi decretou que a Pérsia seria referenciada como Irã pelos países ocidentais. Um dos principais motivos emitidos em relação a esta renomeação possui caráter:

A) étnico, em decorrência das guerras civis travadas entre os diversos grupos iranianos, muitos dos quais exigiam a separação de suas províncias do país persa.

B) nacionalista, especialmente diante da interferência estrangeira na economia, refletida na extração do petróleo iraniano.

C) futurista, em razão de abandonar o passado da história persa para enfatizar a esperança no futuro de uma potência iraniana.

D) liberalista, visto que a Pérsia era convencionalmente referenciada como uma nação protecionista e contradizia a estimada oferta de recursos iranianos para o mercado estrangeiro.

Resolução:

Alternativa B.

Em 1908, a empresa britânica Anglo-Persian Oil Company passou a extrair petróleo da Pérsia para o Reino Unido, de forma que o decreto do xá, além de reafirmar a identidade nacionalista dos iranianos, permitiu que seu povo passasse a ser referenciado internacionalmente conforme se autodesignavam.

Notas

|1| BÍBLIA SAGRADA: Edição Pastoral-Catequética. São Paulo: Editora Ave Maria, 2003.

Créditos de imagem

[1] KatMoys / Shutterstock

[2] Mardetanha / Wikimedia Commons (reprodução)

[3] Diego Delso / Wikimedia Commons (reprodução)

[4] Szajci / Wikimedia Commons (reprodução)

[5] Anton Gutsunaev / Wikimedia Commons (reprodução)

[6] Pierre André Leclercq / Wikimedia Commons (reprodução)

Fontes

BÍBLIA SAGRADA: Edição Pastoral-Catequética. São Paulo: Editora Ave Maria, 2003.

BRYCE, T. (org). The Routledge Handbook of The Peoples and Places of Ancient Western Asia. From the Early Bronze Age to the Fall of the Persian Empire. Nova York: Routledge, 2009.

HERÓDOTO. História: Livro I – Clio. E-books Brasil, 2006 [domínio público]. Disponível em https://www.ebooksbrasil.org/adobeebook/historiaherodoto.pdf.

JORGENSEN, Christier. Great Battles: Decisive conflicts that have shaped History. Bath: Parragon, 2007.

LEWIS, Bernard. O Oriente Médio: Do advento do cristianismo aos dias de hoje. Rio de Janeiro: Zahar, 1996.

LLEWELLYN-JONES, Lloyd. Os persas: A era dos grandes reis. São Paulo: Crítica, 2023.

MARK, Joshua J. Herodotus: On The Customs of the Persians, 2012. World History Encyclopedia. Disponível em https://www.worldhistory.org/article/149/herodotus-on-the-customs-of-the-persians/.

Escritor do artigo
Escrito por: Cassio Remus de Paula Cássio é doutor em História pela UFPR, mestre e bacharel em História pela UEPG. Atua como professor de História, Filosofia e Sociologia.

Videoaulas

Artigos Relacionados

Caldeus
Clique aqui, descubra quem foram os caldeus, conheça a origem e a história desse povo e saiba quais são suas principais características.
Grécia
País que abriga vários monumentos da Antiguidade.
Grécia Antiga
Clique aqui e saiba detalhes sobre a Grécia Antiga, uma das principais civilizações da história humana.
Império Mongol
Conheça a vastidão do Império Mongol explorando a sua história, domínios, líderes e cultura.
Mesopotâmia
Clique aqui e saiba mais sobre os povos que habitaram a Mesopotâmia. Saiba também a história dessa região, e conheça quais foram os legados de suas sociedades.
Oriente Médio
Saiba mais sobre o agrupamento de países que formam o Oriente Médio. Veja informações sobre as características geográficas, econômicas e culturais da região.
Revolução Iraniana
Descubra o que foi a Revolução Iraniana, como e por que ela aconteceu. Veja como era o Irã antes da Revolução Iraniana e como o país está atualmente.