Solução Final

Solução Final foi o nome dado pelos nazistas ao plano criado com o objetivo de promover o extermínio dos judeus na Europa, durante a Segunda Guerra Mundial. Esse plano foi criado por dois membros importantes do Partido Nazista: Reinhard Heydrich e Heinrich Himmler. Por meio do Solução Final, os nazistas intensificaram ações para realizar o genocídio dos judeus.

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A Solução Final foi parte do Holocausto e teve fases diferentes ao longo da guerra. Após a sua implantação, em meados de 1941, foi desenvolvida toda a estrutura que levou à morte de milhões de pessoas. Durante a Solução Final, também foram mortos testemunhas de Jeová, ciganos, homossexuais, negros e outras minorias.

Leia também: Adolf Hitler — vida e morte do líder do nazismo e sua trajetória ao poder

Resumo sobre Solução Final

  • A Solução Final foi um plano criado pelos nazistas para promover o extermínio dos judeus.
  • Esse plano foi criado por dois membros do Partido Nazista: Reinhard Heydrich e Heinrich Himmler.
  • Esteve em vigor entre 1941 e 1945 e foi responsável pela morte de cerca de três milhões de pessoas.
  • Por meio desse plano, os nazistas estabeleceram ações para intensificar o extermínio de judeus na Europa.
  • Os nazistas promoveram fuzilamentos em massa e o uso de câmaras de gás como forma de promover esse genocídio.
  • Além dos judeus, outras minorias foram mortas na Solução Final, como homossexuais, ciganos, negros e pessoas com deficiência física ou mental.

O que foi a Solução Final?

Prisioneiros com roupa listrada atrás de uma cerca de campo de concentração usado na Solução Final.[imagem_principal]
A Solução Final envolveu o uso de pelotões de fuzilamento e a execução em câmaras de gás nos campos de concentração.[1]

A Solução Final foi um plano criado pelos nazistas durante a Segunda Guerra Mundial para promover o genocídio dos judeus no continente europeu. Conhecido oficialmente como Solução Final da Questão Judaica ou Endlösung der Judenfrage, esse programa de extermínio foi colocado em vigor a partir de 1941 e se estendeu até 1945, quando os nazistas foram derrotados. As ações relacionadas a ele levaram a uma enorme perseguição aos judeus e foram responsáveis pela criação de pelotões de fuzilamento e pelas execuções em câmaras de gás.

O plano foi a concretização do antissemitismo que consumiu a sociedade alemã a partir da década de 1920. O extermínio completo dos judeus se tornou um grande objetivo dos nazistas, sobretudo depois que a vitória alemã na guerra se tornou uma impossibilidade. Os criadores desse programa foram Reinhard Heydrich e Heirinch Himmler.

Estima-se que o Holocausto, do qual a Solução Final fez parte, tenha resultado na morte de cerca de seis milhões de pessoas. O grupo mais afetado foi o dos judeus, mas outras minorias também foram perseguidas pelos nazistas, entre elas ciganos, negros, testemunhas de Jeová, pessoas com deficiência física e mental e homossexuais.

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Como foi criada a Solução Final?

A Solução Final foi a concretização de um forte antissemitismo que se estabeleceu na sociedade alemã. Muitos historiadores afirmam que havia determinadas figuras no interior do Partido Nazista que eram mais antissemitas que o próprio Hitler. Os arquitetos da Solução Final foram dois membros do partido: Reinhard Heydrich e Heinrich Himmler, duas das pessoas mais próximas de Adolf Hitler.

Heinrich Himmler e Reinhard Heydrich, os arquitetos da Solução Final.
Himmler e Heydrich, os arquitetos da Solução Final, eram duas das pessoas mais próximas de Adolf Hitler.

O antissemitismo já era um fenômeno presente na sociedade alemã desde o século XIX, mas  ganhou força no século XX, tomando grandes proporções a partir da República de Weimar (1919-1933). Essa foi a primeira experiência republicana da Alemanha em que foi colocado em prática um modelo de democracia representativa.

Como esse período foi caracterizado pela forte crise econômica, em decorrência da derrota na Primeira Guerra Mundial e dos pesados termos impostos pelo Tratado de Versalhes, um partido surgiu como alternativa para a população: o Partido Nazista. Adolf Hitler transformou o judeu em um bode expiatório e passou a culpá-lo pelos problemas da Alemanha. Além disso, Hitler responsabilizava os judeus pelo bolchevismo – o principal adversário ideológico do nazismo.

Assim que o Partido Nazista ascendeu ao poder, em 1933, uma série de medidas foi tomada com o objetivo de progressivamente retirar os direitos de cidadãos dos alemães judeus e forçá-los a migrar da Alemanha. Com o desenrolar da história, porém, foi provado que o objetivo de Hitler, além da guerra, era o extermínio total dos judeus da Europa.

A erradicação dos judeus era uma questão importante nos planos nazistas, mas, nos primeiros anos da guerra, a prioridade era a conquista da União Soviética, de modo que a “questão judaica” seria colocada em prática após finalizado o conflito armado na Europa. No entanto, à medida que a guerra avançava, a Alemanha transformou a questão dos judeus em uma prioridade total do nazismo.

O plano elaborado por Heydrich e Himmler tinha como objetivo a erradicação total dos judeus da Europa, assim como Hitler havia proposto. A ideia sugeria a exploração, até a morte, do trabalho braçal dos judeus capacitados e a execução imediata de todos os incapazes, como velhos e doentes. Eles se apropriaram de antigos planos debatidos pela cúpula nazista e apresentaram-nos sob a forma da Solução Final.

Primeiro, o plano consistia em utilizar do trabalho dos judeus, alimentados de forma mínima, sob regime de escravidão. Essa proposta baseava-se em um plano nazista que pretendia deixar 30 milhões de eslavos com pouca alimentação, a fim de que os alimentos fossem prioritariamente direcionados aos cidadãos alemães. Em seguida, seria implantado gradativamente o projeto de extermínio dos judeus durante a guerra, antecipando o projeto de Hitler. Por fim, o trabalho dos judeus seria utilizado para transformar o Leste Europeu em uma grande colônia de exploração alemã, assim como sugeria a ideia nazista de “espaço vital”.

A ordem de Hitler para iniciar a execução da Solução Final foi transmitida por Hermann Göring em julho de 1941. A perseguição aos judeus já era extrema nos primeiros anos da Segunda Guerra Mundial, mas a partir dessa autorização, o cenário se alterou radicalmente. A perseguição contra os judeus entraria em sua pior fase.

Veja também: Você sabe quem são os judeus?

Objetivos da Solução Final

O plano Solução Final tinha como objetivos:

  • promover o extermínio da população judaica do continente europeu (principal objetivo);
  • promover a escravização da população judaica;
  • promover uma “purificação racial” nas terras do “espaço vital nazista”.

Plano da Solução Final

Antes e durante a execução do Solução Final, os judeus foram alvo de enorme violência e crueldade por parte dos nazistas. A utilização dos grupos de extermínio e dos campos de concentração, com suas câmaras de gás, foram fundamentais no genocídio promovido pelos nazistas.

  • Einsatzgruppen, o esquadrão da morte

A primeira etapa da Solução Final consistiu na utilização de esquadrões da morte para promover a limpeza étnica em regiões do Leste Europeu. Esses esquadrões eram chamados pelos nazistas de Einsatzgruppen (em português, “força-tarefa”). O trabalho do Einsatzgruppen era realizar fuzilamentos em valas comuns.

A princípio, na atuação do Einsatzgruppen, apenas judeus homens seriam fuzilados. No entanto, com a expansão do projeto de genocídio, Himmler anunciou que tanto mulheres quanto crianças judias seriam alvo desse grupo de extermínio e, portanto, seriam fuziladas. Segundo o historiador Timothy Snyder, somente o Einsatzgruppen (auxiliado por forças da Wehrmacht e da SS) foi responsável por 1 milhão de mortes até o final da guerra, em 1945.|1|

O Einsatzgruppen era um esquadrão de fuzilamento. Na imagem, homens, mulheres e crianças são executados na Ucrânia, em 1942.
O Einsatzgruppen era um esquadrão de fuzilamento. Na imagem, homens, mulheres e crianças são executados na Ucrânia, em 1942.

O Einsatzgruppen foi dividido em três grandes grupos que atuaram em diferentes partes do Leste Europeu:

  • Einsatzgruppen A: atuava nos países bálticos (Letônia, Estônia e Lituânia);
  • Einsatzgruppen B: atuava na Bielorrússia;
  • Einsatzgruppen C: atuava na Ucrânia.

A ação dos Einsatzgruppen contribuiu para exterminar totalmente as populações judaicas de determinadas partes da Europa. Na Lituânia, em dezembro de 1941, o grupo A executou 114.856 judeus|2|. Na Letônia, o Einsatzgruppen registrou, até o final de 1941, a morte de cerca de 70 mil dos 80 mil judeus que habitavam a região|3|.

Outro acontecimento de destaque foi o massacre de Babi Yar, realizado após um ataque da polícia secreta soviética (NKVD) contra um prédio ocupado pelos nazistas em Kiev. Como represália, o Einsatzgruppen C realizou um grande fuzilamento que vitimou 33 mil pessoas em cerca de 36 horas, nos dias 29 e 30 de setembro de 1941, o que caracterizou o massacre dos judeus de Kiev como um dos piores de toda a guerra.

No entanto, a utilização do Einsatzgruppen encontrou como grande obstáculo os problemas psicológicos que afetavam muitos soldados após fuzilarem inúmeras pessoas. Esses problemas se acentuaram quando mulheres e crianças também passaram a ser fuziladas. Em razão disso, os nazistas implantaram um sistema de execução mais “impessoal”: as câmaras de gás.

  • Os campos de extermínio e as câmaras de gás

A criação das câmaras de gás, além de resolver a questão psicológica que envolvia os fuzilamentos praticados pelo Einsatzgruppen, possibilitou aos nazistas a ampliação da quantidade de mortos. A princípio, as câmaras de gás foram testadas em deficientes mentais e prisioneiros soviéticos, em vagões de trem adaptados. Ambos eram mortos asfixiados por monóxido de carbono.

Posteriormente, com os desmanches dos guetos e a implantação em larga escala dos campos de concentração, os nazistas inseriram as câmaras de gás em locais adaptados para o banho. Essa medida transformou os campos de concentração em campos de extermínio. Alguns foram construídos para dar continuidade a esse plano.

Os judeus eram levados de diferentes partes da Europa para os campos de concentração e extermínio instalados, principalmente, na Polônia. Essas pessoas eram colocadas aos montes em vagões de trem, em péssimas condições. Durante a viagem, os judeus não recebiam água nem alimento e muitos morriam de frio ou outras causas relacionadas às péssimas condições. Os nazistas passaram a utilizar o pesticida Zyklon B nas câmaras de gás, considerado mais eficiente que o monóxido de carbono.

Homens desnutridos em um campo de concentração nazista, parte da solução Final, em 1945.
Prisioneiros de um campo de concentração nazista encontrados em 1945, ao término da guerra.

Os principais campos de concentração e extermínio da Europa foram os de:

  • Auschwitz-Birkenau,
  • Treblinka,
  • Belzec e
  • Sobibor,

Todos eles localizados na Polônia, ocupada pelos nazistas.

Saiba mais: Noite dos Cristais — ataques contra judeus alemães que culminaram no Holocausto

Solução Final x Holocausto

A Solução Final é entendida pelos historiadores como parte do Holocausto, o genocídio promovido pelos nazistas durante a Segunda Guerra Mundial, mas o Holocausto não se resumiu às ações da Solução Final. A Solução Final foi apenas a última etapa do Holocausto, o momento em que os nazistas intensificaram as ações contra os judeus na Europa.

→ Videoaula sobre Holocausto

Consequências da Solução Final

Estima-se que cerca de 3 milhões de judeus tenham morrido em decorrência das ações diretamente relacionadas aos fuzilamentos ou às câmaras de gás, e que outros 3 milhões tenham morrido por causa das péssimas condições de vida a que eram submetidos. Os historiadores apontam que, dos 9 milhões de judeus que viviam na Europa antes da guerra, 6 milhões foram mortos. Além da quantidade gigantesca de mortos, a Solução Final e a violência nazista contra os judeus e outras minorias forçou milhões de pessoas a migrarem de suas terras.

Notas

|1| SNYDER, Timothy. Terras de sangue: a Europa entre Hitler e Stálin. Rio de Janeiro: Record, 2012, p. 237.

|2| Idem, p. 241.

|3| Idem, p. 242.

Créditos da imagem

[1] Sergii Figurnyi/Shutterstock

Fontes

GOLDHAGEN, Daniel Jonah. Os carrascos voluntários de Hitler: o povo alemão e o Holocausto. São Paulo: Companhia das Letras, 1996.

KERSHAW, Ian. Hitler. São Paulo: Companhia das Letras, 2010.

LEVI, Primo. Assim foi Auschwitz: testemunhas 1845-1986. São Paulo: Companhia das Letras, 2015.

SNYDER, Timothy. Terras de sangue: a Europa entre Hitler e Stalin. Rio de Janeiro: Record, 2012.

Escritor do artigo
Escrito por: Daniel Neves Silva Formado em História pela Universidade Estadual de Goiás (UEG) e especialista em História e Narrativas Audiovisuais pela Universidade Federal de Goiás (UFG). Atua como professor de História desde 2010.

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