O drama de Anne Frank

A história da menina judia Anne Frank é uma das mais conhecidas e comoventes do século XX em razão dos registros de seu cotidiano de fuga dos nazistas.

Quando o Nazismo ascendeu ao poder na Alemanha em 1933, já havia em suas ações programáticas os projetos de segregação e execução dos judeus. O antissemitismo não era uma característica presente apenas na Alemanha à época de Hitler, mas foi nesse país que as ações mais nefastas contra a população judaica foram levadas a cabo. A história de Anne Frank é uma das muitas que registraram essas ações.

A construção de campos de concentração e de extermínio pelos nazistas durante o período da Segunda Guerra Mundial tanto na Alemanha quanto em outros países dominados pelo exército alemão, como a Polônia, expressou e ainda expressa (enquanto lugares de memória) a maléfica eficiência da indústria da morte que conduziu mais de seis milhões de pessoas à morte e outras tantas dezenas de milhares ao sofrimento e à desumanização. Escritores como Viktor Frankl e Primo Levi estão entre os muitos que sobreviveram ao holocausto vivido nos campos de concentração. A menina judia e alemã radicada na Holanda, Anne Frank, não teve a mesma sorte que esses autores. Mas nos anos que precederam sua prisão e morte, Anne deixou registrado em seu diário várias descrições de seu cotidiano e de sua intimidade junto às pessoas com as quais empreendeu fuga, entre elas seu pai Otto Frank e sua irmã Margot.

No total eram oito pessoas refugiadas com Anne Frank em um lugar de Amsterdã que ficou conhecido como Achterhuis, isto é, anexo secreto. A tensão era constante e o medo de serem descobertos pela polícia política nazista, Gestapo, era onipresente. Nas páginas finais do seu diário, Anne registrou uma expectativa em torno de uma informação que obteve a respeito de um atentado empreendido contra o Führer. Disse ela em trecho do dia 21 de julho de 1944, uma sexta-feira: “Finalmente estou ficando otimista. Agora, finalmente, as coisas vão bem! De verdade! Ótimas notícias! Tentaram assassinar Hitler, e pela primeira vez não foram comunistas judeus ou capitalistas ingleses, mas um general alemão que não somente é um conde, mas também é jovem. O führer deve sua vida à “Providência Divina”: escapou, infelizmente, apenas com algumas pequenas queimaduras e arranhões. Vários oficiais e generais que estavam perto foram mortos ou feridos. O chefe da conspiração foi morto.” (FRANK, Anne. Diário de Anne Frank. Rio de Janeiro: Record, 2005. p. 342).

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Um delator ainda hoje não identificado denunciou o esconderijo de Anne e das outras sete pessoas à Gestapo. Em 3 de setembro de 1944, Anne e Margot foram levadas para Auschwitz, na Polônia, o maior dos campos de concentração construídos pelos nazistas. No fim de outubro de 1944, Anne e Margot foram levadas de Auschwitz para o campo de Bergen-Belsen, em Hannover, Alemanha. Uma epidemia de tifo acometeu esse campo de concentração, levando à morte centenas de seus prisioneiros, incluindo Anne e sua irmã.

A história de Anne Frank e o drama por ela vivido, registrados em seu diário, foram publicados postumamente em 1947 e seguem sendo um dos mais ricos e impressionantes depoimentos do terror vivido pelos judeus na época da Segunda Guerra.

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*Crédito da imagem: Shutterstock e catwalker

Anne Frank é lembrada em monumentos e registros oficiais tanto na Alemanha quanto na Holanda*
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Publicado por: Cláudio Fernandes
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