Hepatite C

A hepatite C é uma doença causada por um vírus de RNA que provoca danos ao fígado do indivíduo contaminado, podendo levar à cirrose e ao câncer de fígado.

A hepatite C é uma doença viral que acomete o fígado, podendo causar cirrose e câncer. É causada por um vírus de RNA denominado Vírus da Hepatite C (HCV). De acordo com o Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas para Hepatite Viral C e Coinfecções do Ministério da Saúde, “estima-se que aproximadamente 3% da população mundial esteja infectada pelo vírus da hepatite C (HCV), o que representa cerca de 170 milhões de indivíduos com infecção crônica e sob risco de desenvolver as complicações da doença”.

O HCV apresenta um grande número de genótipos (composição genética), classificados em seis tipos (tipos 1 a 6). Esses genótipos apresentam subtipos, que são representados pelas letras do alfabeto (a, b, c...). Além disso, pode haver variações dentro do próprio genótipo e do seu subtipo, as quais são chamadas de quasispecies. Essas variações acontecem em decorrência de várias mutações sofridas pelo vírus.

O vírus da hepatite C sofre muitas mutações, o que dificulta a criação de uma vacina contra o problema.
O vírus da hepatite C sofre muitas mutações, o que dificulta a criação de uma vacina contra o problema.

Transmissão da hepatite C

A transmissão do vírus da hepatite C acontece, principalmente, por meio de contato com sangue contaminado. O vírus pode ser transmitido também pelo contato com mucosas e fluidos corporais infectados (formas de transmissão menos comuns). O contato com sangue, mucosa e fluidos pode ocorrer por meio de:

  • Transfusão de sangue e/ou hemoderivados.

  • Lesões provocadas por instrumentos perfurocortantes, como agulhas.

  • Transplante de órgãos de doadores infectados.

  • Compartilhamento de objetos pessoais, tais como lâminas de barbear ou de depilar, alicate de cutícula e escovas de dente.

  • Relação sexual desprotegida.

Além das formas de transmissão descritas, não podemos esquecer a transmissão vertical do vírus, que ocorre quando mães contaminadas transmitem o vírus para seus filhos ainda no útero ou durante o parto. No caso da hepatite C, a transmissão vertical ocorre quase sempre no momento ou logo após o parto. A transmissão intrauterina é pouco comum.

Leia também: Doenças sexualmente transmissíveis

Fatores de risco para infecção pelo HCV

Algumas situações aumentam a probabilidade de infecção pelo vírus da hepatite C. Entre os fatores de risco para essa infecção, podemos destacar:

  • Compartilhar objetos não esterilizados em manicures e podólogos.

  • Usar drogas com compartilhamento de agulhas, seringas ou cachimbos.

  • Colocar piercings e fazer tatuagens em locais que não obedecem às normas de biossegurança.

  • Transfusões de sangue e/ou hemoderivados realizadas antes de 1993.

  • Realizar procedimentos cirúrgicos, odontológicos, hemodiálise e acupuntura em locais que não obedecem às normas de biossegurança.

Hepatite C aguda e crônica

A hepatite C pode ser classificada como aguda ou crônica. Hepatite C aguda é o nome dado à fase da doença logo após seu contágio. Após seis meses de infecção pelo HCV, ela passa a ser caracterizada como crônica. Geralmente, a hepatite C aguda é assintomática, o que favorece a evolução para as formas crônicas da doença. Estima-se que de 55% a 85% dos casos evoluem para a cronicidade. Nas formas crônicas, podem surgir a cirrose hepática e, até mesmo, o câncer de fígado. Nas fases avançadas, a hepatite C pode levar à morte.

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A maioria dos casos de hepatite C evolui para o quadro crônico.
A maioria dos casos de hepatite C evolui para o quadro crônico.

Sintomas da hepatite C

Geralmente, a hepatite C aguda não causa sintomas, por isso, é conhecida como uma doença silenciosa. Entretanto, em alguns casos, podem ocorrer alguns sintomas, sendo os mais comuns: tontura, fadiga, diminuição do apetite, náusea, vômito, febre, dores abdominais, icterícia (amarelamento da pele e mucosas), urina escura e fezes claras.

Na forma crônica da doença, há também aqueles pacientes assintomáticos. É comum que os sintomas surjam quando a doença já causou complicações no organismo. Quando aparecem, os sintomas são geralmente inespecíficos, sendo os mais comuns a fadiga crônica e o desconforto na região acima da cintura e abaixo do tórax (hipocôndrio direito). Também podem surgir icterícia e ascite (acúmulo de fluidos na região abdominal).

Diagnóstico da hepatite C

A hepatite C é uma doença difícil de ser diagnosticada, uma vez que, na maioria dos casos, é assintomática. Algumas manifestações clínicas, no entanto, podem levar à suspeita da doença, que só será confirmada por meio de exames. Entre os exames que visam a confirmar o diagnóstico da hepatite C, estão o antiHCV, que visa a detectar a presença do anticorpo contra o vírus da hepatite C, e o teste de carga viral do HCV, que detecta a presença do material genético (RNA) do vírus na amostra de sangue.

O diagnóstico de hepatite C é feito por meio de exames.
O diagnóstico de hepatite C é feito por meio de exames.

Tratamento da Hepatite C

O tratamento da hepatite C irá depender de uma série de fatores, como o tipo de vírus e o comprometimento do organismo do indivíduo. De uma maneira geral, são utilizados medicamentos antivirais, e os sintomas da doença, como náuseas e vômitos, são tratados. Na infecção aguda, o tratamento visa a evitar o risco de evolução para a forma crônica e a diminuir a taxa de transmissão viral. Já na forma crônica, o tratamento impede a evolução para cirrose e câncer. Em alguns casos, pode ser necessário o transplante de figado.

Prevenção contra hepatite C

Para prevenir-se contra a hepatite C, basta adotar algumas medidas bem simples, tais como:

  • Não compartilhar objetos perfurocortantes, como lâminas de barbear ou de depilar e alicates de cutícula.

  • Não compartilhar objetos de higiene pessoal, como escovas de dente.

  • Certificar-se do uso de material esterilizado ou descartável pelo profissional responsável por fazer a tatuagem ou colocar o piercing.

  • Utilizar preservativo em todas as relações sexuais.

  • Não usar drogas.

Além disso, como há transmissão da mãe para o bebê, é necessário cuidado durante a gestação. Desse modo, um pré-natal adequado é essencial para prevenir o bebê da infecção e garantir sua saúde da criança.

Leia também: Mitos sobre drogas

Vacina contra hepatite C

Até o momento, não existe vacina contra a hepatite C, o que é explicado pela grande quantidade de mutações sofridas pelo HCV e pela presença de vários subtipos desse vírus.

A hepatite C é uma doença viral que afeta o fígado.
A hepatite C é uma doença viral que afeta o fígado.
Publicado por: Vanessa Sardinha dos Santos
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