Mapa da Fome
O Mapa da Fome é uma ferramenta desenvolvida pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO) para identificar e monitorar a subnutrição e a insegurança alimentar no mundo. Os países inclusos no Mapa da Fome são aqueles que apresentam prevalência de subnutrição igual ou maior do que 2,5% da sua população, o que, atualmente, é a realidade de centenas de milhões de pessoas no mundo. A maior parte dos países com maior grau de subnutrição no Mapa da Fome fica na África e no oeste da Ásia.
Em 2025, pela segunda vez em sua história, o Brasil saiu do Mapa da Fome. O país apresentou uma redução significativa do número de pessoas em condição de subnutrição e insegurança alimentar desde 2019, quando havia retornado para o radar. A ampliação da renda da população, a redução do desemprego e o fomento à agricultura familiar foram algumas das medidas que contribuíram para a diminuição da fome no Brasil e para a sua retirada do mapa da FAO.
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Resumo sobre o Mapa da Fome
- O Mapa da Fome é uma ferramenta da FAO que identifica e monitora a situação da subnutrição e da insegurança alimentar no mundo.
- São inclusos no Mapa da Fome os países que têm prevalência de subnutrição igual ou superior a 2,5%. A maioria dos países no Mapa da Fome é da África e do oeste da Ásia.
- Entre os países no Mapa da Fome estão Haiti e Somália, com subnutrição superior a 40% de sua população, Madagascar, República Democrática do Congo e Quênia.
- O Brasil saiu do Mapa da Fome em 2025, depois de ter reingressado no ano de 2019. A primeira vez que o país deixou o radar foi em 2014.
- Políticas voltadas para a redução da insegurança alimentar, a redistribuição de renda e a diminuição do desemprego foram cruciais para a saída do Brasil do Mapa da Fome.
- Estima-se que 512.000.000 pessoas ainda estarão no Mapa da Fome em 2030, a maioria delas no continente africano.
- Medidas como o fomento à agricultura familiar, a transferência de renda, o monitoramento da população com insegurança alimentar e subnutrição e a aquisição e redistribuição de alimentos podem auxiliar no combate à fome.
O que é o Mapa da Fome?
O Mapa da Fome é uma ferramenta da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO) utilizada para identificar e monitorar países com uma parcela da população em situação grave de subnutrição e de insegurança alimentar crônica.
Um país aparece no Mapa da Fome quando uma parcela igual ou superior a 2,5% de sua população está enfrentando problemas que são associados com a falta de acesso recorrente a alimentos. Tal porcentagem é baseada no índice chamado Prevalência de Subnutrição (PoU, na sigla em inglês), que evidencia a fração de indivíduos cuja ingestão de nutrientes é inferior ao necessário para a manutenção de seu organismo, o que ocasiona perda de peso e uma série de problemas de saúde.
A atualização desse indicador acontece a cada três anos, tendo a sua mais recente versão sido divulgada pela FAO no ano de 2025, com dados referentes ao triênio que foi de 2022 a 2024. Veja, na imagem a seguir, a configuração do Mapa da Fome mais recente divulgado pela ONU:
Países que estão no Mapa da Fome
A recente atualização do Mapa da Fome revelou que o número de pessoas que enfrentam esse problema em todo o mundo pode variar entre 638 e 720.000.000. A maioria delas vive em países da África e no sudoeste da Ásia. Cabe reforçar, entretanto, que fica na América Central o país que, hoje, enfrenta um dos quadros mais severos de subnutrição: o Haiti.
A prevalência de subnutrição no país chega a 54,3% da sua população, o que corresponde a 6,3 milhões de pessoas, considerando dados populacionais da ONU para 2024. A Somália, país da África Oriental, fica em segundo lugar com maior prevalência de subnutrição: 53,2%, o que corresponde a 10,1 milhões de pessoas.
Entre os países que apresentam subnutrição na faixa que vai de 25 a 40%, estão:
- Afeganistão (28%);
- Chade (32%);
- Congo (26,4%);
- Gabão (25,3%);
- Libéria (35,5%);
- Madagascar (39,5%);
- Papua Nova Guiné (28,7%);
- Quênia (36,8%);
- República Centro-Africana (29,8%);
- República Democrática do Congo (38,5%);
- Síria (39%);
- Zâmbia (37,2%).
Existem, também, aqueles países que têm taxa de subnutridos entre 2,5 e 25%. Esse é, na verdade, o intervalo que concentra o maior número de territórios. Listamos apenas alguns deles abaixo:
- África do Sul (10%);
- Angola (22,5%);
- Bolívia (21,8%);
- Equador (12,1%);
- Eslováquia (3,1%);
- Índia (12%);
- Indonésia (6,3%);
- Irã (6,8%);
- Líbia (16,5%);
- México (2,7%);
- Nigéria (19,9%);
- Ucrânia (6,9%).
Além dos países que foram listados acima, registrados com altos índices de subnutrição, o relatório alerta para aqueles territórios que enfrentam insegurança alimentar grave. Caso a situação se agrave, ela pode se tornar crônica. São mencionados no documento os seguintes territórios:
- Palestina (Faixa de Gaza);
- Sudão do Sul;
- Sudão;
- Iêmen;
- Haiti.
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O Brasil saiu do Mapa da Fome?
Sim, o Brasil saiu do Mapa da Fome. Em atualização feita no ano de 2025, o país aparece com prevalência de subnutrição inferior a 2,5%, fato que o tirou do Mapa da Fome.
É importante ressaltar que essa é a segunda vez que o Brasil consegue atingir um patamar mínimo de insegurança alimentar e subnutrição. A primeira aconteceu em 2014, sendo resultado de quase uma década de políticas públicas voltadas para o combate à escassez de alimentos no país, para o aumento da renda média da população e, também, para a diminuição da pobreza mediante programas de transferência de renda.
No período que foi de 2002, quando as políticas sociais anteriormente mencionadas começaram a ganhar força no país, a 2013, a parcela de população com insegurança alimentar e em situação de subalimentação no Brasil caiu em 82%. Conforme levantamos feitos à época, no triênio que foi de 2012 a 2014, o total de pessoas que passava fome no país era de 1,7%, o que correspondia a 3,4 milhões de brasileiros. Por essa razão, o Brasil foi retirado, pela primeira vez, do Mapa da Fome. Lembremos que, nesse período, o limite estabelecido pela FAO era de 5%.
O Brasil permaneceu fora do Mapa da Fome, por quatro anos, retornando em 2019. Uma série de fatores condicionaram o aumento da subalimentação no território nacional, dentre os quais podemos mencionar o sucateamento de programas governamentais voltados para a insegurança alimentar, crises políticas e, ainda, a crise sanitária representada pela pandemia da covid-19, que resultou em uma recessão econômica.
Em 2022, a prevalência de subnutrição era de 4,2%. Desde então, com mudanças políticas internas que resultaram no reforço de programas sociais, na redução do desemprego e na melhoria da renda da população, esse índice observou nova queda.
Em 2023, a parcela da população convivendo com a insegurança alimentar grave no país era de 2,8%. Com essa melhoria em um curto intervalo de tempo, era esperado que o Brasil deixasse o Mapa da Fome até 2026, o que de fato ocorreu.
Projeções para o Mapa da Fome
A FAO estima que a população absoluta em situação de insegurança alimentar grave e subnutrição será menor em 2030 do que é em 2025. A cifra chegará a 512.000.000 de pessoas em todo o mundo. Entretanto, existe um padrão que deverá ser mantido: o continente africano concentrando o maior número de famintos.
Segundo aponta a FAO, 60% da população enfrentando a fome no mundo, daqui meia década, estarão concentrados na África. O continente vai na contramão de regiões como da América Latina e Caribe e da Ásia, cuja tendência é de diminuição da fome.
Apesar das projeções, existem muitas incertezas que podem reverter esse quadro. Uma delas diz respeito à continuidade das guerras em curso no mundo, principalmente aquela no leste da Europa, entre a Rússia e a Ucrânia, e no Oriente Médio, que tem afetado, de maneira mais aguda, o território da Faixa de Gaza pertencente à Palestina. Além da escalada no número de pessoas com insegurança alimentar crônica, condição gravíssima que é observada entre os palestinos, a inflação no preço dos alimentos causada pelo conflito entre Rússia e Ucrânia é um agravante em escala mundial.
As mudanças climáticas também podem afetar a distribuição de alimentos no mundo. Recentemente, a quantidade e a intensidade de eventos climáticos excepcionais têm aumentado em um ritmo alarmante. Esses eventos, tais como ondas de calor duradouras, secas severas e inundações de grandes proporções, causam a destruição de lavouras e acabam pressionando o preço dos alimentos para cima devido à menor oferta.
Nesse cenário, os países mais castigados acabam sendo aqueles que têm maior dependência do segmento primário e menor volume de recursos para lidar com as questões climáticas — os países subdesenvolvidos.
Possíveis soluções para países no Mapa da Fome
Existem algumas medidas que podem ser tomadas pelos países que estão no Mapa da Fome, de modo a diminuir a parcela de sua população com subnutrição e em situação de insegurança alimentar. Todas as medidas mencionadas abaixo foram adotadas pelo Brasil entre 2002 e 2014, e, mais recentemente, a partir de 2023, e foram fundamentais para reduzir de forma significativa a fome no país. São elas:
- monitoramento da população que é afetada pela fome e pela insegurança alimentar;
- fomento à agricultura familiar mediante a ampliação da oferta de crédito rural;
- incentivo à produção agrícola e acompanhamento dos produtores rurais com o objetivo de aumentar a sua produtividade;
- aquisição de alimentos da agricultura familiar para a sua redistribuição à população que se encontra em situação de insegurança alimentar;
- formação de estoques de alimentos para o controle inflacionário;
- combate ao desperdício de alimentos;
- ampliação do acesso da população à renda, como por meio de programas de transferência;
- políticas públicas voltadas para a redução do desemprego e do subemprego;
- valorização do salário mínimo, com aumento real acima da inflação;
- implementação de programas que visam aumentar a oferta de alimentos saudáveis nos municípios e também nas escolas.
Créditos das imagens
[1] FAO (reprodução)
[2] Iralina Renata / Shutterstock
[3] ThalesAntonio / Shutterstock
Fontes
CAMPOS, Ana Cristina. Brasil reduz pela metade número de pessoas que passam fome, diz FAO. Agência Brasil, 16 set. 2014. Disponível em: https://agenciabrasil.ebc.com.br/direitos-humanos/noticia/2014-09/brasil-reduz-pela-metade-n%C3%Bamero-de-pessoas-que-passam-fome-diz-FAO.
FAO, IFAD, UNICEF, WFP and WHO. The State of Food Security and Nutrition in the World 2025 – Addressing high food price inflation for food security and nutrition. Roma, Itália: FAO, 2025. Disponível em: https://openknowledge.fao.org/items/ec3dbd70-164c-483d-9fa2-2346284d67c8.
MDS. Brasil sai do Mapa da Fome da ONU: conquista histórica reflete políticas públicas eficazes. Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome, 28 jul. 2025. Disponível em: https://www.gov.br/mds/pt-br/noticias-e-conteudos/desenvolvimento-social/noticias-desenvolvimento-social/brasil-sai-do-mapa-da-fome-da-onu-conquista-historica-reflete-politicas-publicas-eficazes.
MDS. Plano Brasil Sem Fome. Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome, [s.d.]. Disponível em: https://www.gov.br/mds/pt-br/acoes-e-programas/brasil-sem-fome.
RESENDE, Thiago. Brasil sai novamente do Mapa da Fome, segundo relatório da ONU. G1, 28 jul. 2025. Disponível em: https://g1.globo.com/politica/noticia/2025/07/28/brasil-sai-novamente-do-mapa-da-fome-segundo-relatorio-da-onu.ghtml.
VEIGA, Edison. Como o Brasil oscilou no Mapa da Fome no século 21. BBC News Brasil, 29 jul. 2025. Disponível em: https://www.bbc.com/portuguese/articles/cz71wqy7p39o.