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Holodomor

Holodomor foi um período de grande fome (em particular) na Ucrânia entre 1932 e 1933, causando milhões de mortes por inanição.
Ucranianos protestando devido à morte de ucranianos durante Holodomor.[1]
Ucranianos protestando devido à morte de ucranianos durante Holodomor.[1]

Holodomor foi um período de grande fome na Ucrânia entre 1932 e 1933. Foi consequência de uma grande fome que aconteceu na União Soviética entre os anos de 1930 e 1933. As causas que explicam Holodomor são bastante controversas na historiografia.

A palavra holodomor significa “morte pela fome” em ucraniano, e muitos acreditam que a fome foi deliberadamente provocada pelo governo soviético, o que caracterizaria um genocídio. Outros historiadores, por sua vez, afirmam que a fome não foi proposital, sendo causada pela rigidez do governo soviético com a coletivização das terras. Estima-se a morte de 3,3 milhões de pessoas.

Leia mais: Afinal, o que é genocídio?

Resumo sobre Holodomor

  • Holodomor foi um período de grande fome que atingiu a Ucrânia entre 1932 e 1933.
  • Existe um debate historiográfico sobre se o evento foi ou não um genocídio.
  • Os historiadores apontam que ele pode ter sido consequência da coletivização das terras e da rigidez do governo soviético nas metas estabelecidas.
  • A coletivização era o programa soviético de transformação das terras e da produção em propriedade do Estado.
  • Especula-se que Holodomor possa ter causado a morte de 3,3 milhões de pessoas, embora existam estimativas mais pessimistas.

Videoaula sobre o que foi o Holodomor

O que foi Holodomor?

Holodomor é o nome pelo qual se conhece uma grande fome que atingiu a União Soviética, em particular a Ucrânia entre 1932 e 1933. No total, a fome que atingiu a União Soviética se estendeu de 1930 a 1932, causando milhões de mortes. É considerada uma fome causada pela ação humana, havendo diversas motivações na historiografia.

Entre os historiadores, existem aqueles que definem Holodomor como um genocídio, argumentando que ele teria sido motivado intencionalmente para enfraquecer a resistência ucraniana contra o governo de Josef Stalin. Muitos historiadores, no entanto, rejeitam a definição sob o argumento de que, apesar de a fome ter existido, ela não foi deliberada.

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O termo holodomor é derivado do ucraniano e pode ser traduzido como “morte pela fome”. Hoje o evento é um tema sensível na Ucrânia, que o considera um genocídio contra o povo ucraniano. Holodomor aconteceu durante o período stalinista, sendo uma das consequências do processo de industrialização e coletivização que o país enfrentava.

Os dados a respeito da quantidade de mortos no Holodomor são inexatos, mas o historiador Timothy Snyder estabeleceu que cerca de 3,3 milhões de pessoas morreram de fome ou de doenças causadas pela fome na Ucrânia entre 1932 e 1933.

Quais as causas do Holodomor?

Existe um enorme debate a respeito das causas do Holodomor, sobretudo na questão de sua intencionalidade. De forma geral, Holodomor é considerado uma grande fome causada pelos humanos como consequência da má implantação do plano de coletivização das terras. Há historiadores que afirmem que a fome foi causada pelas altas metas do governo soviético, outros apontam questões climáticas, e alguns defendem que a fome foi causada por tudo isso, mas deliberadamente provocada pelo governo soviético.

Primeiramente, existem historiadores que apontam que o excesso de chuvas pode ter contribuído para a redução da produção, que fez com que a população ucraniana sofresse uma severa fome. Muitos historiadores apontam que a coletivização desorganizou a produção agrícola na Ucrânia, ocasionando uma redução dela.

Além disso, as metas excessivas impostas pelo governo soviético faziam com que os trabalhadores na Ucrânia tivessem toda a sua produção confiscada. Como, nem assim, as metas do governo eram supridas, o governo passou a tomar os animais da população por meio de uma cota de carne. Sem os grãos e sem os animais, a fome foi inevitável.

Os grãos recolhidos pelo governo eram, em parte, usados na subsistência, e, em parte, exportados, e a renda das exportações financiava a industrialização soviética. Por fim, alguns entendem que a fome foi hiperdimensionada pelo governo soviético para enfraquecer a população ucraniana e, consequentemente, a resistência desse país às medidas impostas por Stalin.

É importante mencionar que a fome não aconteceu apenas na Ucrânia, sendo também registrados ciclos de fome no mesmo período no Cazaquistão, no Cáucaso e na região do Volga.

Fim do Holodomor

O ciclo de fome na Ucrânia se estendeu pelos anos de 1932 e 1933, com a situação deixando de ser tão crítica assim a partir de 1934. Os historiadores se dividem na questão de como o governo soviético reagiu na medida em que as notícias da fome chegavam. Alguns historiadores falam que o governo soviético sabia das mortes e, deliberadamente, não tomou atitude nenhuma e mantinha o rigor nas cotas estabelecidas. Outros historiadores falam que a reação soviética foi tardia, o que causou um grande número de mortes.

Os relatos da fome na Ucrânia apontam o desespero da população mediante a falta de alimentos na região. Milhares de pessoas formavam filas para pegar uma pequena porção de pão disponibilizada pelo governo, as pessoas se espalhavam pelas ruas para conseguir um pouco de alimento, e muitos, exauridos pela fome, desmaiavam em locais públicos.

Muitos optavam pelo suicídio para abreviar o sofrimento causado pela falta de comida, e muitos outros optavam pelo canibalismo. O consumo de carne humana foi o meio mais radical encontrado por alguns ucranianos para sobreviver. Embora o governo soviético reprimisse o canibalismo, os historiadores sabem que ele aconteceu em quantidade expressiva.

À medida que a coletivização se estabeleceu e se consolidou, as metas produtivas começaram a ser atendidas, o que reduziu o rigor do governo e aumentou a produção, garantido mais alimento para a população ucraniana.

Leia mais: Massacre de Katyn — organizado pela polícia secreta soviética, matou certca de 22.000 prisioneiros poloneses em 1940

Quais as consequências do Holodomor?

Holodomor reforçou uma rivalidade étnica na União Soviética entre russos e ucranianos, sobretudo porque o governo soviético estava centrado em Moscou, além de existir na época uma política de russificação da população soviética. O ressentimento por Holodomor gera tensões entre os dois governos até hoje.

Além disso, Holodomor veio acompanhado de uma série medidas que resultaram em uma enorme violência contra os kulaks (camponeses ricos) e qualquer camponês que resistisse às medidas soviéticas. O evento é considerado um grande trauma geracional e hoje é um tema bastante sensível na memória e na identidade ucranianas.

→ Quantos morreram no Holodomor?

A principal consequência do Holodomor foi o grande saldo de mortos de fome, sendo de 3,3 milhões somente na Ucrânia, segundo o historiador Timothy Snyder, e de 5 milhões em toda a União Soviética. Existem estimativas maiores que essa, e algumas falam em até mais de 10 milhões de mortes, mas são consideradas exageradas por grande parte dos historiadores.

Antecedentes do Holodomor

Como mencionado, a grande fome que atingiu a Ucrânia foi realizada durante o período stalinista. Toda a região que compreendia a União Soviética passava por grandes transformações nos últimos 15 anos. Ainda enquanto Rússia, o país havia passado por dois ciclos revolucionários que fizeram parte da Revolução Russa.

Primeiramente, a Revolução de Fevereiro derrubou o czarismo e estabeleceu um governo provisório. O país seguiu bastante agitado, e os bolcheviques, liderados por Vladimir Lenin, realizaram um levante armado que destituiu o governo provisório, colocando-os no poder. A ascensão bolchevique resultou na saída da Rússia da Primeira Guerra Mundial.

Além disso, uma reação contrarrevolucionária invadiu a Rússia em 1918, dando início à Guerra Civil Russa, que se estendeu até o ano de 1921. A guerra civil forçou o governo de Lenin a impor uma economia de guerra bastante rígida e que resultou em alguns ciclos de fome no país. Depois do conflito, foi estabelecida a Nova Política Econômica, a NEP, que realizou uma leve abertura da economia russa para a economia de mercado.

Com o falecimento de Lenin, em 1924, o poder soviético ficou vago e uma disputa se iniciou, resultando na ascensão de Josef Stalin ao poder. No início do seu governo, Stalin tinha enormes questões a resolver na economia, sobretudo o fato do país ser pouco industrializado e ter uma agricultura que havia sofrido com anos seguidos de conflitos no país.

No final da década de 1920, o governo de Stalin decidiu que era necessário implantar um projeto de industrialização acelerado do país, o que ficou conhecido como Planos Quinquenais. A industrialização da União Soviética, no entanto, só seria possível se a agricultura do país fosse coletivizada, isto é, passada para as mãos do Estado.

Isso permitiria que o Estado soviético tivesse o controle do estoque de grãos do país, para que os grãos fossem exportados, gerando renda para que a União Soviética pudesse investir na industrialização. Para esse projeto, a Ucrânia era fundamental, uma vez que essa nação soviética era uma das grandes produtoras de grãos da URSS.

Além disso, a Ucrânia tinha uma grande população de camponeses, uma parcela da população soviética que ainda fornecia pouco apoio aos socialistas russos no poder. Sendo assim, era necessário intervir e acabar com a propriedade privada no campo e privar os camponeses ricos de suas terras.

Para garantir isso, o governo soviético estabeleceu a coletivização das terras a partir de 1929. Com essa mudança, o governo soviético aboliu as propriedades privadas no campo, tomando as terras produtivas, tornando-as parte de grandes fazendas coletivas, e tudo que havia nelas passou a pertecer ao Estado. Por fim, o governo estabeleceu metas para as fazendas coletivas.

A coletivização foi realizada à força, e houve enorme resistência, sobretudo dos camponeses ricos, os kulaks, que não viam vantagens em entregar seus bens para o Estado. Os kulaks foram os grandes alvos do governo soviético durante o processo de coletivização das terras, e as punições para eles variavam de deslocamentos forçados ao envio para os campos de trabalho forçados.

Créditos da imagem

[1]VILTVART e Shutterstock

Fontes

FREEZE, Gregory L. (org.). História da Rússia. Lisboa: Edições 70, 2017.

SNYDER, Timothy. Terras de sangue: a Europa entre Hitler e Stalin. Record: Rio de Janeiro, 2012.

Publicado por Daniel Neves Silva
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