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Junqueira Freire

Junqueira Freire (1832-1855) foi um escritor e monge brasileiro, famoso por suas poesias. Ele fez parte da segunda fase do romantismo.
Desenho do poeta brasileiro Junqueira Freire, o patrono da cadeira nº 25 da Academia Brasileira de Letras.
O poeta brasileiro Junqueira Freire (1832-1855) é o patrono da cadeira nº 25 da Academia Brasileira de Letras.

Junqueira Freire foi um escritor brasileiro da segunda fase do romantismo. Ele ficou conhecido pelas publicações sobre o claustro, pois foi monge por cerca de três anos, mas se arrependeu da decisão. Foi no período em que foi monge que produziu a maior parte de sua obra poética. Publicou alguns livros, mas morreu muito jovem, com 23 anos, vítima de problemas cardíacos que enfrentava desde a infância. Sua obra prima é Inspirações do claustro (1855).

Leia também: Casimiro de Abreu — outro importante autor da segunda fase do romantismo brasileiro

Resumo sobre Junqueira Freire

  • Luís José Junqueira Freire foi um autor pertencente à segunda fase do romantismo brasileiro.

  • Nasceu em 1832, em Salvador (BA).

  • Teve problemas cardíacos por toda a vida, começando na infância.

  • Aos 18 anos, entrou para o Mosteiro de São Bento.

  • Arrependeu-se de tal decisão rapidamente.

  • Como monge, escreveu a maior parte de sua obra poética.

  • Conseguiu a secularização em 1854.

  • Morreu no ano seguinte, aos 23 anos, vítima dos problemas cardíacos.

Biografia do Junqueira Freire

Luís José Junqueira Freire nasceu em Salvador, na Bahia, em 31 de dezembro de 1832, filho de José Vicente de Sá Freire e Felicidade Augusta de Oliveira Junqueira.

Sua infância foi marcada por brigas de seus pais e pela aparição de problemas cardíacos, que prejudicaram seus estudos primários. Em 1849, ingressou no Liceu Provincial e já demonstrou grandes habilidades na leitura e na escrita de poesia.

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Em 1851, aos 18 anos, por motivos incertos, decidiu entrar para o Mosteiro de São Bento. Lá, adotou o nome de Frei Luís de Santa Escolástica Junqueira Freire. Contudo, não gostou da vida de clausura e vivia arrependido de tal decisão. Apesar disso, o mosteiro permitiu sua dedicação à leitura e foi nesse momento que escreveu grande parte de sua obra poética, além de ter sido professor.

Em novembro de 1854, conseguiu a secularização, ou seja, a autorização que o libertaria das obrigações monásticas. Freire voltou então a morar com a mãe e a irmã, e escreveu Autobiografia (1854) e Inspirações do claustro (1855).

O autor faleceu em 24 de junho de 1855 (23 anos) pelo agravamento dos problemas cardíacos. Seu amigo e escritor Franklin Dória (1836-1906) cuidou da publicação de algumas obras póstumas.

Junqueira Freire e a Academia Brasileira de Letras

Junqueira Freire foi escolhido pelo escritor Franklin Dória como patrono da cadeira nº 25 da Academia Brasileira de Letras (ABL) postumamente, em 1827, mesmo ano de fundação da instituição. O grande escritor Machado de Assis foi o primeiro presidente da ABL, que define que suas missões são “o cultivo da língua e da literatura nacional”.|1|

Principais características da obra do Junqueira Freire

Junqueira Freire foi um poeta que pertenceu à segunda fase do romantismo no Brasil, conhecida como ultrarromantismo ou “mal do século”, pelo alto nível de sentimentalismo e pessimismo. O principal tema de Freire foi sua decisão de se tornar monge e como esse erro desencadeou suas crises internas. Assim, tratou dos seguintes assuntos:

  • aversão ao celibato;

  • desejo reprimido que leva ao sentimento de pecado;

  • revolta contra as regras;

  • arrependimento;

  • morte.

Veja também: Álvares de Azevedo — outro poeta da segunda geração romântica

Obras de Junqueira Freire

  • Autobiografia (1854)

  • Inspirações do claustro (1855)

  • Elementos de retórica nacional (1869, póstuma)

  • Contradições poéticas (1869, póstuma)

Poemas de Junqueira Freire

Junqueira Freire destacou-se por sua poesia. Uma característica muito presente em seus escritos são os contrastes, como é visível no trecho a seguir do poema “Por que canto?”, abertura do livro Inspirações do claustro:

(...)

Cantarei o céu, o inferno,

O mundo, — o que me aprouver

Cantarei a Deus, o homem,

Os amores da mulher:

Cantarei, enquanto vivo,

Porque Deus assim o quer!

O poema “Os claustros”, presente em Inspirações do claustro, também mostra o arrependimento e a dor do poeta quando já não está feliz na clausura, um de seus temas mais presentes. Veja um trecho a seguir:

(...)

Hoje, que resta ao fervor antigo?

— Pallidas preces, a desleixo, e mornas,

Bem como a voz do indifferente hypocrita,

Calam na lage, e ficam sepultadas.

(...)

Nota

|1| ACADEMIA BRASILEIRA DE LETRAS. Quem somos. Disponível aqui.

Publicado por Luiza Pezzotti Pugles

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