Romantismo no Brasil
O romantismo no Brasil foi um estilo de época que esteve em vigor de 1836 a 1880. A poesia romântica apresenta caráter indianista (primeira fase), ultrarromântica (segunda fase) e social (terceira fase). A prosa romântica é composta por narrativas indianistas, urbanas, regionalistas e históricas. O destaque do teatro romântico é a comédia de costumes.
São obras famosas do Romantismo brasileiro: Os timbiras, de Gonçalves Dias; Lira dos vinte anos, de Álvares de Azevedo; Os escravos, de Castro Alves; O guarani, de José de Alencar; A Moreninha, de Joaquim Manuel de Macedo; A escrava Isaura, de Bernardo Guimarães; e O noviço, de Martins Pena.
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Resumo sobre romantismo no Brasil
- O romantismo no Brasil foi um estilo literário que vigorou entre 1836 e 1880.
- Ele apresentou características como indianismo, nacionalismo, amor idealizado e crítica social.
- A poesia romântica no Brasil possui uma fase nacionalista, outra ultrarromântica e, por fim, uma poesia de caráter social.
- A prosa romântica é dividida entre indianista, urbana, regionalista e histórica.
- A comédia de costumes foi o destaque do teatro romântico brasileiro.
- O romantismo no Brasil possui autores famosos como José de Alencar, Gonçalves Dias, Álvares de Azevedo e Castro Alves.
O que foi o Romantismo no Brasil?
O Romantismo no Brasil foi um estilo de época que teve início em 1836 e chegou ao fim em 1880.
Características do Romantismo no Brasil
De maneira geral, o romantismo no Brasil apresentou as seguintes características:
- indianismo;
- nacionalismo;
- exagero sentimental;
- crítica social;
- valores burgueses;
- regionalismo;
- elementos históricos;
- idealização amorosa;
- mulher idealizada.
Contexto histórico do Romantismo no Brasil
A família real chegou ao Brasil em 1808. A partir desse acontecimento, o país, então apenas uma colônia, se tornou a sede do governo português, comandado por D. João VI (1767-1826). Desse modo, o território brasileiro passou a ter maior importância política e econômica. Já em 1815, a colônia passou à categoria de reino.
Em 1822, ocorreu a Independência do Brasil, dando início ao Brasil Império, o qual chegaria ao fim em 1889, com a Proclamação da República. O romantismo teve início um pouco antes do Segundo Reinado (1840-1889), em que o país esteve sob a regência do imperador D. Pedro II (1825-1891).
Assim, o romantismo surgiu sob inspiração nacionalista (fruto da proclamação da independência) com o intuito de forjar uma identidade nacional. Retratou e disseminou os valores da classe burguesa, a qual tinha grande influência política e econômica. Mas também tratou de questões sociais, como a escravidão, que só chegou ao fim em 1888, com a Lei Áurea.
Fases do romantismo no Brasil
A poesia romântica brasileira é dividida em três fases:
- primeira fase (1836-1852): nacionalismo, indianismo, valorização da natureza, idealização amorosa, idealização da mulher, valores burgueses;
- segunda fase (1853-1869): exagero sentimental, sofrimento amoroso, mulher idealizada, fuga da realidade, pessimismo, morbidez, saudosismo, tédio, melancolia;
- terceira fase (1870-1880): crítica social, ausência de fuga da realidade, hipérboles, vocativos, exclamações, estímulo emocional.
A primeira fase também é conhecida como nacionalista, indianista ou nativista. A segunda, como ultrarromântica ou byroniana. Já a terceira, como condoreira ou hugoana.
Com relação à prosa romântica, existem quatro tipos de narrativa:
- indianista: indígena como herói nacional, amor idealizado, mulher idealizada, espaço da floresta, vassalagem amorosa, reconstituição do passado histórico;
- urbana: espaço urbano (cidade do Rio de Janeiro), costumes burgueses, amor idealizado, mulher idealizada, impedimento para a concretização do amor, melodrama, tendência a finais felizes;
- regionalista: foco em alguma região do Brasil, amor idealizado, mulher idealizada, homem do campo como herói nacional, costumes da área rural;
- histórica: personagens fictícios e históricos, acontecimentos históricos, amor idealizado, mulher idealizada.
Por fim, o teatro romântico apresentava um papel social e político ao fazer com que os ideais românticos atingissem também aquelas pessoas que não sabiam ler. Destaque para a comédia de costumes, marcada por nacionalismo, ironia e crítica moral.
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Autores do Romantismo no Brasil
- Gonçalves de Magalhães (1811-1882).
- Martins Pena (1815-1848).
- Joaquim Manuel de Macedo (1820-1882).
- Maria Firmina dos Reis (1822-1917).
- Gonçalves Dias (1823-1864).
- Bernardo Guimarães (1825-1884).
- José de Alencar (1829-1877).
- Manuel Antônio de Almeida (1830-1861).
- Álvares de Azevedo (1831-1852).
- Junqueira Freire (1832-1855).
- Sousândrade (1833-1902).
- Casimiro de Abreu (1839-1860).
- Fagundes Varela (1841-1875).
- Franklin Távora (1842-1888).
- Visconde de Taunay (1843-1899).
- Castro Alves (1847-1871).
Principais obras do Romantismo no Brasil
- Suspiros poéticos e saudades (1836), de Gonçalves de Magalhães.
- A Moreninha (1844), de Joaquim Manuel de Macedo.
- Últimos cantos (1851), de Gonçalves Dias.
- Lira dos vinte anos (1853), de Álvares de Azevedo.
- O noviço (1853), de Martins Pena.
- Memórias de um sargento de milícias (1854), de Manuel Antônio de Almeida.
- Inspirações do claustro (1855), de Junqueira Freire.
- O guarani (1857), de José de Alencar.
- Os timbiras (1857), de Gonçalves Dias.
- O guesa errante (iniciado em 1858), de Sousândrade.
- As primaveras (1859), de Casimiro de Abreu.
- Úrsula (1859), de Maria Firmina dos Reis.
- Lucíola (1862), de José de Alencar.
- Vozes da América (1864), de Fagundes Varela.
- Iracema (1865), de José de Alencar.
- Inocência (1872), de Visconde de Taunay.
- Senhora (1875), de José de Alencar.
- A escrava Isaura (1875), de Bernardo Guimarães.
- O Cabeleira (1876), de Franklin Távora.
- Os escravos (1883), de Castro Alves.
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Exercícios sobre romantismo no Brasil
Questão 1 (Enem)
Quem não se recorda de Aurélia Camargo, que atravessou o firmamento da corte como brilhante meteoro, e apagou-se de repente no meio do deslumbramento que produzira seu fulgor? Tinha ela dezoito anos quando apareceu a primeira vez na sociedade. Não a conheciam; e logo buscaram todos com avidez informações acerca da grande novidade do dia. Dizia-se muita coisa que não repetirei agora, pois a seu tempo saberemos a verdade, sem os comentos malévolos de que usam vesti-la os noveleiros. Aurélia era órfã; tinha em sua companhia uma velha parenta, viúva, D. Firmina Mascarenhas, que sempre a acompanhava na sociedade. Mas essa parenta não passava de mãe de encomenda, para condescender com os escrúpulos da sociedade brasileira, que naquele tempo não tinha admitido ainda certa emancipação feminina. Guardando com a viúva as deferências devidas à idade, a moça não declinava um instante do firme propósito de governar sua casa e dirigir suas ações como entendesse. Constava também que Aurélia tinha um tutor; mas essa entidade era desconhecida, a julgar pelo caráter da pupila, não devia exercer maior influência em sua vontade, do que a velha parenta.
ALENCAR, J. Senhora. São Paulo: Ática, 2006.
O romance Senhora, de José de Alencar, foi publicado em 1875. No fragmento transcrito, a presença de D. Firmina Mascarenhas como “parenta” de Aurélia Camargo assimila práticas e convenções sociais inseridas no contexto do Romantismo, pois
A) o trabalho ficcional do narrador desvaloriza a mulher ao retratar a condição feminina na sociedade brasileira da época.
B) o trabalho ficcional do narrador mascara os hábitos sociais no enredo de seu romance.
C) as características da sociedade em que Aurélia vivia são remodeladas na imaginação do narrador romântico.
D) o narrador evidencia o cerceamento sexista à autoridade da mulher, financeiramente independente.
E) o narrador incorporou em sua ficção hábitos muito avançados para a sociedade daquele período histórico.
Resolução:
Alternativa D.
O narrador mostra os costumes burgueses do século XIX e deixa evidente o cerceamento, ou seja, as restrições impostas à mulher da época, mesmo que financeiramente independente. Assim, Aurélia precisava estar sempre acompanhada pela D. Firmina, uma “parenta”, já que a sociedade da época não tinha ainda admitido “certa emancipação feminina”.
Questão 2 (Enem)
Soneto
Oh! Páginas da vida que eu amava,
Rompei-vos! nunca mais! tão desgraçado!...
Ardei, lembranças doces do passado!
Quero rir-me de tudo que eu amava!
E que doido que eu fui! como eu pensava
Em mãe, amor de irmã! em sossegado
Adormecer na vida acalentado
Pelos lábios que eu tímido beijava!
Embora — é meu destino. Em treva densa
Dentro do peito a existência finda
Pressinto a morte na fatal doença!
A mim a solidão da noite infinda!
Possa dormir o trovador sem crença.
Perdoa minha mãe — eu te amo ainda!
AZEVEDO, A. Lira dos vinte anos. São Paulo: Martins Fontes, 1996.
A produção de Álvares de Azevedo situa-se na década de 1850, período conhecido na literatura brasileira como Ultrarromantismo. Nesse poema, a força expressiva da exacerbação romântica identifica-se com o(a)
A) amor materno, que surge como possibilidade de salvação para o eu lírico.
B) saudosismo da infância, indicado pela menção às figuras da mãe e da irmã.
C) construção de versos irônicos e sarcásticos, apenas com aparência melancólica.
D) presença do tédio sentido pelo eu lírico, indicado pelo seu desejo de dormir.
E) fixação do eu lírico pela ideia da morte, o que o leva a sentir um tormento constante.
Resolução:
Alternativa E.
A morbidez da segunda fase romântica está presente no poema de Álvares de Azevedo. O eu lírico pressente a morte, lamenta a perda da vida e das lembranças, e, diante do destino sombrio, percebe o quanto foi ingênuo em acreditar que podia ser feliz.
Créditos da imagem
Fontes
ABAURRE, Maria Luiza M.; PONTARA, Marcela. Literatura: tempos, leitores e leituras. 4. ed. São Paulo: Moderna, 2021.
COSSON, Rildo; SCHWANTES, Cíntia. Romance histórico: as ficções da história. Itinerários, Araraquara, v. 23, p. 29-37, 2005.