Che Guevara

ErnestoCheGuevara nasceu em Rosário, na Argentina, e cresceu em uma pequena cidade serrana por conta de seus problemas respiratórios. Era de uma família rica, formou-se médico e viajou pela América do Sul, conhecendo a pobreza do povo e indignando-se por causa disso. Aderiu ao socialismo quando se deparou com essa pobreza, mas também porque era um leitor voraz, e o caminho de sua leitura contribuiu para esse encontro.

Esteve na Guatemala e no México, locais onde teve contato com ideais progressistas e conheceu cubanos que o convenceram a aderir ao grupo de Fidel Castro na luta contra a ditadura em Cuba. Foi um dos líderes da Revolução Cubana, atuou durante seis anos no governo de Fidel e participou de focos revolucionários no Congo e na Bolívia, local onde foi executado.

Veja mais: Revolução Sandinista - detalhes de uma das revoluções mais conhecidas da América

Juventude

Estátua de Che Guevara na principal casa que ele residiu em Alta Gracia. O local é atualmente um museu.[1]
Estátua de Che Guevara na principal casa que ele residiu em Alta Gracia. O local é atualmente um museu.[1]

Ernesto Guevara de la Serna nasceu no dia 14 de junho de 1928, na cidade de Rosário, na Argentina. Conhecido internacionalmente como Che Guevara, o revolucionário argentino veio de uma família de classe alta, sendo que sua mãe, por exemplo era descendente do último vice-rei do Peru. Seu pai chamava-se Ernesto Guevara Lynch, e sua mãe, Celia de la Serna.

Che Guevara foi o filho mais velho de cinco filhos que seus pais tiveram juntos. Com dois anos de idade, ele sofreu de uma crise asmática, e, por isso, seus pais decidiram estabelecer-se em um local que fosse melhor para a sua saúde. Assim, em 1930, os pais e Che Guevara mudaram-se para Alta Gracia, que fica na região serrana de Córdoba.

Em Alta Gracia, Che Guevara passou grande parte da sua infância e adolescência, estudando em colégios locais dela e de Córdoba. Em Alta Gracia, Guevara viveu em Villa Nydia, e a casa em que ele passou bons anos de sua juventude, atualmente, é um museu que reconta os detalhes de sua vida.

Desde sua infância, Che Guevara já demonstrava muito interesse pela leitura. A partir de 1947, sua família mudou-se para Buenos Aires, e lá, no ano seguinte, ele iniciou seus estudos no curso de Medicina na Universidade de Buenos Aires. Durante sua estada na capital argentina, ele ampliou seus conhecimentos sobre filosofia e realizou algumas viagens.

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Viagens pela América do Sul

No primeiro semestre de 1952, Che realizou sua primeira viagem pela América do Sul, de moto, junto de seu amigo Alberto Granado. Os dois passaram pelo Chile, Peru, Colômbia e Venezuela, e, durante a viagem, Che realizou serviços de medicina em benefício de pessoas pobres.

Durante essa viagem, Che Guevara teve contato com a pobreza aguda que uma parte considerável da população vivia. Essa experiência moldou sua visão de mundo, convencendo-o a engajar-se em ações que tentassem promover mais igualdade social. A moto usada por Che e seu amigo era uma Norton de 500 cilindradas, e a quantia em dinheiro que eles levaram estava longe de ser suficiente para cobrir todas as despesas da viagem.

Modelo da moto utilizada por Che Guevara durante sua primeira viagem pela América do Sul.[1]
Modelo da moto utilizada por Che Guevara durante sua primeira viagem pela América do Sul.[1]

Depois de retornar da viagem, Che Guevara concluiu seus estudos formais em 1953, e decidiu fazer sua segunda viagem, dessa vez, passando pela Bolívia. Lá, ele e seu amigo Carlos Ferrer tiveram contato com um movimento revolucionário que atuava naquele país. Em seguida, Che foi para o Peru, depois, Equador, e, por fim, decidiu ir à Guatemala, em 1954.

Na Guatemala, ele encontrou um governo que procurava fazer algumas reformas progressistas, como a agrária. O governo guatemalteco era liderado por Jacobo Arbenz, e as reformas realizadas lá desagradaram interesses norte-americanos. Assim, o governo dos EUA incentivou Honduras, nação vizinha, a atacar a Guatemala para derrubar Arbenz.

Na Guatemala, Che procurou emprego para trabalhar como médico, mas não o encontrou e passou por graves problemas financeiros. Além disso, ele também conheceu alguns cubanos que haviam participado do ataque ao Quartel Moncada em Cuba. A queda do governo de Arbenz colocou em risco a vida de Che e de sua esposa, Hilda Gadea. Ela foi presa, mas solta semanas depois, e ele se abrigou na embaixada argentina porque os dois tinham contatos com militantes comunistas. Depois disso, ele decidiu ir ao México com Gadea.

Che Guevara chegou ao México em 1954 e permaneceu lá por cerca de dois anos. No México trabalhou como fotógrafo e como médico, e recebeu um convite de um amigo cubano para que ele se juntasse ao grupo que tinha fugido da ditadura de Fulgêncio Batista. Nesse grupo estavam os irmãos Castro, Fidel e Rául.

Leia mais: Peronismo - regime político que esteve em vigência na Argentina durante a juventude de Che

Revolução Cubana

Ernesto “Che” Guevara foi um dos grandes líderes dos guerrilheiros que atuaram durante a Revolução Cubana.[2]
Ernesto “Che” Guevara foi um dos grandes líderes dos guerrilheiros que atuaram durante a Revolução Cubana.[2]

Che conheceu os irmãos Castro em 1955, e foi convencido a juntar-se a eles na expedição que iria para Cuba para lutar pela derrubada do ditador Fulgêncio. Em Cuba, Che Guevara, Fidel e Raúl Castro marcaram a história ao tomar o poder do país por meio de uma revolução nacionalista que se encerrou em 1º de janeiro de 1959, quando o governo caiu.

O caminho, no entanto, foi árduo. No final de 1956, Che Guevara e os cubanos retornaram à ilha caribenha, mas foram recebidos com fogo pelas tropas do exército cubano, em um ataque que matou quase todos os revolucionários que tinham voltado do México. Depois desse ataque, os sobreviventes esconderam-se em uma região montanhosa de Cuba chamada de Sierra Maestra.

Os revolucionários foram abrigados pela população camponesa local e iniciaram o trabalho de montagem de uma guerrilha que lutou por mais de dois anos contra as tropas de Fulgêncio Batista. O avanço dos guerrilheiros cubanos foi bastante lento, e só em 1958 que eles conseguiram a primeira vitória expressiva. De toda maneira, o governo de Fulgêncio Batista ruiu, e, como os revolucionários em Cuba contavam com o apoio da população urbana e rural, o ditador fugiu.

Essa fuga aconteceu em 1º de janeiro de 1959, e, uma semana depois, os revolucionários cubanos entraram em Havana, a capital do país. Durante a luta travada contra Fulgêncio Batista, Che Guevara foi comandante da Coluna nº 4 e atuou na formação de novos recrutas para a guerrilha liderada por Fidel.

Com a vitória dos revolucionários, Che Guevara assumiu cargos governamentais em Cuba. Atuou nos julgamentos contra aqueles que tinham cometidos crimes durante a ditadura de Fulgêncio Batista. Esses julgamentos foram chamados de Comissão Depuradora, sendo responsáveis por julgar cerca de mil pessoas, das quais em torno de 500 foram condenadas à execução. Além disso, Che ocupou a função de comandante das forças armadas de Cuba.

Che Guevara foi um dos grandes defensores do alinhamento de Cuba com a União Soviética. Isso porque a Revolução Cubana não foi um movimento socialista, mas sim um movimento nacionalista. Foi pelo desenrolar dos acontecimentos após a derrubada de Fulgêncio e pela pressão norte-americana que Cuba alinhou-se com a URSS.

A atuação de Che Guevara, nesse sentido, devia-se pela experiência que ele tinha da Guatemala. Lá ele presenciou um regime progressista ser destruído pela influência da política externa norte-americana. Che também atuou na elaboração da reforma agrária em Cuba e ocupou o cargo de ministro da Indústria, de 1961 a 1965.

Durante o exercício de suas funções no governo cubano, Che Guevara esteve no Brasil em 1961 e foi homenageado durante o governo de Jânio Quadros. Ele recebeu a Grã-Cruz da Ordem Nacional do Cruzeiro do Sul, uma das honrarias mais elevadas do Brasil na época. Essa atitude de Jânio Quadros gerou muita polêmica na época.

Leia mais: Crise dos Mísseis – ponto alto da disputa político-ideológica da Guerra Fria

Últimos anos

“Hasta la victoria, siempre” (Até a vitória, sempre) é uma das frases mais conhecidas de Che. Os restos mortais dele estão depositados em Cuba.[3]
“Hasta la victoria, siempre” (Até a vitória, sempre) é uma das frases mais conhecidas de Che. Os restos mortais dele estão depositados em Cuba.[3]

Che Guevara não se satisfez com levar a revolução apenas a Cuba. Ele tinha uma visão internacionalista e, portanto, desejava espalhá-la por outros locais, inclusive seu país natal, a Argentina. Ele incentivou a formação de um grupo revolucionário nesse país, mas o grupo fracassou.

Che Guevara decidiu abandonar seus cargos no governo cubano para retornar à ação. Ele desejava fazer isso na América Latina, mas acabou sendo enviado para a região da República Democrática do Congo para fortalecer um movimento revolucionário local. A esperança era que esse foco revolucionário no Congo fosse o estopim para que a revolução se espalhasse pelo continente africano.

A experiência no Congo não deu certo, e então Che Guevara retornou a Cuba para então ir à Bolívia lutar contra a ditadura de René Barrientos. Esperava-se que na Bolívia surgisse um foco revolucionário que se espalhasse pela América do Sul. Em 1966, a ação da guerrilha nesse país iniciou-se, e Che fazia parte dela.

A presença de Che Guevara na Bolívia mobilizou o serviço de inteligência dos Estados Unidos, que atuava diretamente com o governo boliviano para derrotar os guerrilheiros. A guerrilha boliviana fracassou e acabou abandonada pelo próprio Partido Comunista da Bolívia. A última anotação de Che em seu diário de guerrilha, na Bolívia, foi em 7 de outubro de 1967. No dia 8 de outubro, seu grupo guerrilheiro foi encurralado em um local chamado Quebrada del Churo, e, depois de horas de combate, ele foi capturado pelas tropas bolivianas.

Che Guevara foi levado para La Higuera, e, em 9 de outubro de 1967, foi executado por soldados bolivianos. Em junho de 1967, seus restos mortais foram encontrados em uma vala na Bolívia. No mês seguinte, eles foram levados para Cuba e colocados em um memorial, em Santa Clara

Créditos das imagens

[1] Arquivo Pessoal / Daniel Neves

[2] neftali e Shutterstock

[3] BobNoah e Shutterstock

Publicado por: Daniel Neves Silva
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