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Revolução Cubana

Revolução Cubana ocorreu em 1959 e formou um governo revolucionário e nacionalista contrário aos interesses dos Estados Unidos e, anos depois, próximo da União Soviética.
Foto de recordação dos 35 anos da morte de Che Guevara, principal líder da Revolução Cubana.
Foto que recorda os 35 anos da morte de Ernesto Che Guevara. Ao lado de Fidel, ele foi outro líder importante e conhecido da Revolução Cubana. [2]

A Revolução Cubana ocorreu em 1º de janeiro de 1959 e foi liderada por Fidel Castro e Ernesto Che Guevara, com outros rebeldes, para derrubar Fulgêncio Batista do governo de Cuba. Baseados em Sierra Maestra, os revolucionários derrotaram os soldados fiéis ao governo e, em 8 de janeiro, chegaram a Havana, dando início a um governo hostil aos Estados Unidos e próximo da União Soviética.

Fidel se tornou governante de Cuba por mais de 50 anos, estatizando a economia e incentivando outros países a seguirem o mesmo caminho de janeiro de 1959. As consequências da revolução foram a presença soviética na América Latina e as ações dos Estados Unidos para manter sua influência e combater o comunismo no continente.

Resumo sobre a Revolução Cubana

  • A Revolução Cubana foi um movimento que derrotou o governo Fulgêncio Batista e encerrou a interferência norte-americana na ilha, aproximando-a da União Soviética.

  • Os principais líderes da Revolução Cubana foram: Fidel e Raul Castro e Ernesto Che Guevara.

  • As consequências da revolução foram: trazer o embate da Guerra Fria entre Estados Unidos e União Soviética para a América Latina e as ações das duas superpotências nos países do continente.

Leia também: Socialismo e comunismo, existem diferenças?

Antecedentes da Revolução Cubana

Desde a sua independência, em 1898, Cuba manteve-se alinhada com os Estados Unidos. Antiga colônia espanhola, a ilha caribenha se tornou independente com ajuda dos norte-americanos. Contudo, essa liberdade não se concretizou na realidade, pois os cubanos deixaram de ser dependentes economicamente da Espanha para ser dos Estados Unidos.

Ao longo das primeiras décadas do século XX, a Emenda Platt confiou aos norte-americanos liberdade para intervir em Cuba quando achasse necessário. Nesse período, a Casa Branca ordenou a construção de bases navais na ilha e que os cubanos vendessem ou alugassem terras para que os Estados Unidos explorassem o carvão da região.

De 1952 até 1959, Cuba foi governada por Fulgêncio Batista, um ditador aliado dos Estados Unidos e que governava de forma autoritária, perseguindo opositores e censurando a imprensa. Essas ações violentas do governo cubano motivaram Fidel Castro, Ernesto Che Guevara e outros a unirem forças contra Fulgêncio Batista.

Em janeiro de 1959, os revolucionários saíram de Sierra Maestra, onde estavam escondidos, para derrubar o governo cubano e encerrar o domínio norte-americano na região. A princípio, Fidel Castro não se apresentou como um comunista determinado a formar um governo aliado dos soviéticos, mas sim como um nacionalista interessado em acabar com um governo autoritário e subserviente aos interesses dos Estados Unidos.

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A Revolução Cubana

As primeiras tentativas de derrubar Fulgêncio Batista do poder começaram alguns anos antes da revolução. Em 26 de julho de 1953, Fidel Castro e seus companheiros organizaram uma invasão ao Quartel de Moncada, mas o governo conseguiu acabar com a invasão e os rebeldes foram mortos ou presos.

Castro foi detido e condenado a 15 anos de prisão, mas foi libertado dois anos depois e se exilou no México, onde conheceu Ernesto Che Guevara. Os dois fundaram o Movimento 26 de Julho, uma referência à invasão fracassada, para retornar a Cuba e novamente atacar o governo de Fulgêncio Batista.

Os rebeldes voltaram a Cuba e, de 1956 a 1959, entraram em confronto contra o exército do governo. Eles se esconderam em Sierra Maestra e, no dia 1 de janeiro de 1959, conseguiram derrotar o governo cubano, quando Batista fugiu da ilha. Fidel Castro e seu grupo chegaram a Havana, capital cubana, em 8 de janeiro daquele ano.

As primeiras medidas do novo governo foram acabar com a dependência econômica dos Estados Unidos por meio da reforma agrária e da estatização de empresas estrangeiras. Os norte-americanos tentaram derrotar o governo de Fidel Castro, mas sem sucesso. Em 1961, os Estados Unidos romperam relações diplomáticas com Cuba e impuseram um bloqueio econômico à ilha.

Com esse rompimento diplomático, os cubanos se aproximaram da União Soviética e receberam auxílio financeiro até 1991, quando a superpotência comunista foi extinta. A deposição de um governo aliado dos Estados Unidos e a aproximação de um país tão próximo dos soviéticos fizeram com que os norte-americanos olhassem com mais atenção para os seus vizinhos.

Veja também: Operação Condor – articulação entre os EUA e as ditaduras da América Latina

Líderes da Revolução Cubana

Fidel Castro, um dos líderes da Revolução Cubana.
Fidel Castro governou Cuba por mais de 50 anos. [1]

Primeiramente, os líderes da Revolução Cubana se tornaram símbolos nacionalistas e de combate ao imperialismo norte-americano. Com a aproximação de Cuba com a União Soviética foi que suas imagens se tornaram referência da ideologia comunista. Três líderes se destacaram e são, até hoje, as principais referências da Revolução de 1959.

Os primeiros são Fidel e Raul Castro. Os irmãos lideraram tanto a invasão ao Quartel de Moncada quanto a revolução que derrotou Fulgêncio Batista. Fidel, ao assumir o governo cubano, tornou-se a figura central da revolução. Seus longos discursos contra a interferência dos Estados Unidos nos países latino-americanos ganharam força entre os mais jovens, que desejavam seguir o mesmo caminho dos rebeldes de Sierra Maestra.

Ernesto Che Guevara, ao lado de Fidel, é outro rosto conhecido da revolução. Apesar de não ser cubano, ele se tornou símbolo, no mundo todo, do 1º de janeiro de 1959 em Cuba. Logo após o encontro com Fidel Castro no México, ele se juntou aos rebeldes para derrubar um governo subserviente aos interesses dos Estados Unidos.

Com a vitória da revolução, Che Guevara expressou seu desejo de levar para os outros países os mesmos ideais cubanos. Ao tentar fazer isso na Bolívia, em 1967, foi preso e morto pelas tropas governamentais, com o apoio da Agência Americana de Inteligência (CIA).

Consequências da Revolução Cubana

A Revolução Cubana foi um evento que teve impacto não apenas em Cuba mas em toda a América Latina. Em 1959, o mundo vivia a Guerra Fria, período em que Estados Unidos e União Soviética buscavam ampliar suas zonas de influência.

Quando Fidel Castro anunciou que o novo governo cubano estaria alinhado com os soviéticos, acendeu o sinal vermelho na Casa Branca e mostrou que o perigo comunista estava bem perto do solo norte-americano. Logo após o ocorrido em Cuba, o governo dos Estados Unidos voltou suas atenções para a América Latina, evitando que outros países seguissem o mesmo caminho da ilha caribenha.

O governo Kennedy apoiou a invasão à Baía dos Porcos, em Cuba, para derrubar o governo de Fidel Castro, em 1961, mas não obteve êxito. Ao mesmo tempo, os Estados Unidos iniciaram o programa Aliança para o Progresso, um auxílio financeiro para os países latino-americanos desenvolverem suas economias e diminuírem a desigualdade social, evitando que o discurso anticapitalista e antiamericano se espalhasse pelo continente.

Outra medida adotada pelos EUA foi apoiar os golpes militares contra governos simpáticos ao comunismo e que poderiam se inspirar na Revolução Cubana para se distanciar dos Estados Unidos e se aproximar da União Soviética.

Outra consequência da Revolução de 1959 foi a presença soviética em um país próximo aos Estados Unidos. Dessa forma, Moscou poderia ameaçar Washington apesar da distância entre as duas capitais. Em 1962, a Crise dos Mísseis em Cuba, por pouco, não colocou americanos e soviéticos em uma guerra de fato, que envolveria armas nucleares.

Portanto, a Revolução Cubana aprofundou a rivalidade entre as superpotências e trouxe para a América Latina o conflito ideológico da Guerra Fria e a disputa por zonas de influência entre Estados Unidos e União Soviética.

Selo recordativo da visita do líder soviético Leonid Brezhnev a Cuba, durante a Revolução Cubana.
Selo que recorda a visita do líder soviético Leonid Brezhnev a Cuba, em 28 de fevereiro de 1974. [2]

Veja também: Revolução Chinesa – proclamação da República Popular Chinesa pelos comunistas

Exercícios resolvidos sobre Revolução Cubana

Questão 1 - “Condenem-me, não importa. A história me absolverá.” Essa frase foi pronunciada por Fidel Castro, principal líder da Revolução Cubana, na ocasião em que ele:

A) foi acusado de assassinar o presidente Fulgêncio Batista, em 1959.

B) comandou as execuções de militares americanos partidários de Fulgêncio Batista.

C) foi julgado pelo assalto ao Quartel de Moncada, em 1953.

D) associou-se à União das Repúblicas Socialistas Soviéticas.

E) associou-se ao governo de Hugo Chávez, presidente da Venezuela.

Resolução

Alternativa C. Fidel Castro foi preso em 1953, após sua tentativa fracassada de invadir o Quartel de Moncada. Logo após passar dois anos na prisão, ele se exilou no México, onde conheceu Che Guevara e arquitetou a revolução de 1959.

Questão 2 - (FGV) A Revolução Cubana, vitoriosa em 1959, teve como principal característica:

A) A mobilização popular por meio de manifestações de massas e a organização de seguidas greves gerais que interromperam as atividades econômicas de Cuba.

B) A prática do “foquismo”, com grupos armados que se dedicavam à luta armada caracterizada pela tática de guerrilhas.

C) A mobilização internacional por meio de campanhas que denunciavam o desrespeito aos direitos humanos por parte do governo cubano.

D) A intervenção soviética, que enviou tropas de apoio aos revolucionários e bombardeou bases do governo cubano.

E) A vitória eleitoral dos revolucionários no pleito de 1958 e a gradativa implementação de medidas socializantes por Fidel Castro.

Resolução

Alternativa B. A guerrilha foi a principal tática usada pelos rebeldes para derrotar os soldados de Fulgêncio Batista e tomar o poder em 1º de janeiro de 1959.

Créditos das imagens

[1] emkaplin / Shutterstock

[2] neftali / Shutterstock

Publicado por Carlos César Higa
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