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Tautologia

Tautologia é um vício de linguagem que corresponde à repetição desnecessária de algum termo ou expressão que ocorre sem intenção no enunciado.
Máquina de escrever em fundo escuro, lado dela, aparece escrita a palavra “tautologia”
A tautologia é um vício de linguagem presente em diversas expressões do cotidiano.

A tautologia é um vício de linguagem que se configura como a repetição desnecessária de determinado conceito em contextos e momentos específicos do uso da linguagem. A palavra tautologia vem do grego e significa “mesmo assunto”. Desse modo, é comum usarmos expressões redundantes ou que significam a mesma coisa, tais como as conhecidas “subir para cima” ou “descer para baixo”.

Para ser considerada tautológica, a sentença precisa estar associada ao uso não intencional, que será reconhecido como um vício de linguagem. O uso intencional é utilizado para dar ênfase e realce ao texto, não sendo, portanto, tautológico.

Leia também: Arcaísmo — o uso de palavras ou expressões em desuso na linguagem oral e escrita

Resumo sobre tautologia

  • A tautologia significa a repetição desnecessária de um conceito ou ideia.

  • Expressões cotidianas como “acabamento final”, “vereador da cidade”, “on-line pela internet”, “fato real”, “acredito que possivelmente”, “elo de ligação”, “demasiadamente excessivo” e “gritar muito alto” são exemplos de tautologia.

  • Para identificarmos uma tautologia, é preciso verificar se o seu uso foi não intencional e quais foram os elementos que possuem significações idênticas dentro da sentença, provocando a redundância.

  • A tautologia é considerada por muitos autores como sinônimo de pleonasmo e redundância.

Videoaula sobre pleonasmo vicioso (ou redundância)

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O que é tautologia?

A tautologia na gramática consiste no uso não intencional de palavras distintas para expressar uma mesma ideia. Assim, ao utilizarmos um termo que corresponde a uma repetição desnecessária, sem que haja intenção de destaque ou realce estético, temos uma tautologia.

Como um vício de linguagem, em nosso cotidiano, é muito comum utilizamos expressões que repetem uma ideia de maneira desnecessária. Isso ocorre por descuido ou por socialmente se tratar de termos cristalizados em nossas rotinas, e nós não paramos para refletir sobre as inconsistências de seu uso.

Interessante: É válido ressaltar que, além de sua ocorrência na linguagem, a tautologia também se faz presente no campo da filosofia. Assim, argumentos são construídos de forma repetitiva, falaciosa e redundante. Os ditos populares representam bem essa ideia, como é o caso da expressão “uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa”. No campo da filosofia, a tautologia é uma proposição, juntamente da contradição e da contingência.

Exemplos de tautologia

Como mencionado, algumas frases e expressões podem trazer ideias e elementos redundantes. Vejamos, a seguir, alguns desses termos usados principalmente no cotidiano, os quais se caracterizam como ocorrência da tautologia.

  • Fizemos o acabamento final da obra ontem.

A expressão “acabamento final” consiste em uma repetição justamente porque a palavra “acabamento” já passa uma ideia de “finalidade”.

  • O vereador da cidade de Campinas deu entrevista hoje cedo.

Em “vereador da cidade”, identifica-se tautologia porque um vereador é diretamente ligado a um município.

  • Eu assisti à aula do professor on-line pela internet.

A expressão “on-line pela internet” também apresenta elementos que se repetem, formando redundância, já que “on-line” pressupõe “internet”.

  • Eles estão avaliando outra alternativa para o problema.

A expressão “outra alternativa” também apresenta essa redundância, pois sobre “outra” já se entende uma “alternativa”.

  • Isso é um fato real!

A expressão “fato real” também apresenta elementos que se repetem desse modo, uma vez que um “fato” só pode estar relacionado à realidade.

  • Acredito que possivelmente poderá ocorrer uma greve no fim do dia.

“Acredito que possivelmente”, apesar de classes de palavras distintas (verbo e advérbio respectivamente), também possuem significações idênticas.

  • O elo de ligação entre os dois posicionamentos está muito claro.

A expressão “elo de ligação” também apresenta elementos que se repetem de forma redundante, já que “elo” remete à ideia de “ligação”.

  • É demasiadamente excessivo o seu posicionamento.

Em “demasiadamente excessivo”, as duas palavras remetem à ideia de excesso, de modo que se identifica tautologia.

  • Você grita muito alto!

Em “grita muito alto”, também se identifica tautologia, visto que “gritar alto” é a única forma de gritar.

Saiba mais: Figuras de construção — as construções frasais que se afastam de uma estrutura gramatical comum

Como identificar a tautologia?

Em primeiro lugar, para caracterizamos uma expressão ou frase como tautologia, é preciso saber se o uso foi não intencional. Do contrário, o uso intencional de uma expressão pode ocorrer como recurso literário em um texto ou mesmo para destacar ou dar ênfase, realce ou beleza ao que está sendo dito. Assim, ao identificarmos um uso não intencional, podemos caracterizá-lo como um vício de linguagem.

O segundo aspecto é compreender o processo de formação da expressão redundante. Veja a seguir:

Termo com significado x + termo seguinte com significado x (idêntico ao primeiro termo) => X = X

Nesse breve esquema, temos um termo que possui um significado e ele é seguido por outro termo, por vezes distinto em sua construção gramatical, mas com o mesmo significado do anterior.

  • Exemplo

Subir para cima

Subir = mover-se para um lugar mais alto

cima = lugar mais alto

Nesse exemplo, “subir” e “cima” apresentam o mesmo significando, tornando-se redundantes ao serem utilizados conjuntamente.

Tautologia, pleonasmo ou redundância?

Para muitos gramáticos, a tautologia é considerada sinônimo de pleonasmo e redundância. Em suma, tais termos se referem à repetição desnecessária de alguma palavra, expressão ou frase em determinado enunciado, sem que haja intenção de destaque ou realce estético das frases. Quando isso ocorre, podemos considerar um vício de linguagem e, portanto, uma tautologia, pleonasmo ou redundância.  

Publicado por Rafael Camargo de Oliveira

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