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Vícios de linguagem

Vícios de linguagem são expressões ou estruturas linguísticas inadequadas segundo a norma culta. Eles ocorrem devido à desatenção ou desconhecimento por parte do enunciador.
O vício de linguagem é resultado da falta de atenção ou do desconhecimento por parte do usuário da língua, e pode gerar ruído na comunicação.
O vício de linguagem é resultado da falta de atenção ou do desconhecimento por parte do usuário da língua, e pode gerar ruído na comunicação.

 Vícios de linguagem são expressões ou construções linguísticas contrárias às regras da gramática normativa. Eles ocorrem devido à falta de atenção do enunciador ou de seu desconhecimento da norma culta. Podem ser assim classificados: ambiguidade, barbarismo, cacofonia, estrangeirismo, hiato, colisão, eco, pleonasmo, solecismo, preciosismo, plebeísmo, arcaísmo e parequema.

Leia também: Figuras de linguagem – recursos linguísticos que auxiliam no estilo de um texto

Resumo sobre vícios de linguagem

  • Vícios de linguagem são expressões ou construções linguísticas que se desviam das regras gramaticais.

  • Os principais vícios de linguagem são:

- ambiguidade

- barbarismo

- cacofonia

- estrangeirismo

- hiato

- colisão

- eco

- pleonasmo

- solecismo

- preciosismo

- plebeísmo

- arcaísmo

- parequema

Videoaula sobre vícios de linguagem

O que são vícios de linguagem?

Vícios de linguagem são expressões ou construções linguísticas que contrariam a norma culta. Tais desvios das regras gramaticais ocorrem devido à desatenção ou ao desconhecimento por parte do enunciador, durante a fala ou a escrita. Assim, a tendência dos usuários de uma língua em repetir esses erros sugere um comportamento vicioso.

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Classificação dos vícios de linguagem

  • Ambiguidade ou anfibologia

Duplo sentido não intencional.

Exemplos:

  • Venceram os brasileiros os argentinos.
    (Quem venceu quem?)

  • Lindalva, vi a Neide no shopping com sua irmã.
    (Irmã da Lindalva ou da Neide?)

  • Barbarismo

Uso incorreto de um termo devido à pronúncia, à escrita ou ao significado.

Exemplos:

  • Quem não tem probrema, é porque já morreu.
    (Uso incorreto da palavra “problema”.)

  • Muita gente não gosta de uva paça no arroz.
    (Escrita incorreta do termo “passa”.)

  • Ele comprou uma dúzia de ovos [ôvos].
    (A pronúncia correta da palavra “ovos” é “óvos”, com a vogal “o” aberta.)

  • A infração só faz aumentar, e meu dinheiro já não está valendo nada.
    (Nesse caso, o enunciador tencionava utilizar a palavra “inflação”, pois “infração” é o mesmo que “violação” de lei, regra etc.)

Leia também: Paronímia – relação de semelhança de forma entre palavras

  • Cacofonia ou cacófato

Aproximação entre palavras que gera um som desagradável ou um vocábulo com sentido ridículo ou obsceno.

Exemplos:

  • Ué, a Júlia estava aqui perto de mim! Cadê ela, gente!
    (Cadê ela = cadela)

  • Você disse que me ama? Mentirosa! Não ama nada!
    (Ama nada = a manada)

  • Estrangeirismo

Uso de palavra ou estrutura de uma língua estrangeira, quando já existe uma forma equivalente em português.

Exemplos:

  • Fiquei chocada quando a vi em um outdoor.
    (Outdoor = cartaz)

  • Dizem que Jorge é um gentleman.
    (Gentleman = cavalheiro)

  • Ele se hospedou no Luxuoso Hotel.
    (O nome do hotel é “Luxuoso”, portanto, o mais adequado seria “Hotel Luxuoso”. Assim, nesse caso, colocar um adjetivo antes de um substantivo é uma estrutura sintática comum à língua inglesa.)

  • Hiato

Repetição de vogais idênticas.

Exemplo:

  • Hoje vou olhar o filho do Osvaldo.
    (Repetição da vogal “o”)

  • Colisão

Repetição de consoantes idênticas ou semelhantes.

Exemplo:

  • Não quero que você queira quem não te quer.
    (Repetição da consoante “q”)

  • Eco

Ocorrência não intencional de rima.

Exemplo:

  • Na verdade, a maioridade traz responsabilidade e não liberdade ao cidadão.(Repetição de “-dade”)

  • Pleonasmo

Uso desnecessário de uma expressão.

Exemplos:

  • Ele estava muito irritado quando entrou para dentro de casa.
    (Não se entra para fora.)

  • Rita assistiu apenas às aulas vespertinas da tarde.
    (A palavra “vespertinas” já indica que é à tarde.)

  • Solecismo

Inadequação sintática referente à:

concordância:

  • O motorista disse que só falta três passageiros.
    (O motorista disse que só faltam três passageiros.)

regência:

  • Amanhã, vou chegar na casa da minha avó lá pelas sete da noite.
    (Amanhã, vou chegar à casa da minha avó lá pelas sete da noite.)

colocação:

  • Meus pais preocuparão-se comigo se eu não ligar agora para eles.
    (Meus pais preocupar-se-ão comigo se eu não ligar agora para eles.)

Atenção! Alguns estudiosos consideram que a mesóclise é um arcaísmo, apesar de ser gramaticalmente aceita. Assim, observamos uma tendência, no português brasileiro, em colocar o pronome antes do verbo: “se preocuparão”.

  • Preciosismo

Usar uma linguagem rebuscada, afetada e artificial.

Exemplo:

  • Tais acontecimentos pretéritos não impediram que o colóquio entre os amantes fosse perpetrado.
    (Pretéritos = passados; colóquio = conversa; perpetrado = realizado.)

  • Plebeísmo

Uso de expressões populares ou gírias.

  • Esse cara chegou aqui ontem e já acha que pode opinar sobre o funcionamento do armazém.
    (Cara = indivíduo)

  • Você foi embora e me deixou aqui com este abacaxi.
    (Abacaxi = algo difícil)

  • Arcaísmo

Utilização de estruturas ou expressões em desuso na língua portuguesa.

  • Todas podem, outrossim, prestar uma queixa formal.
    (Outrossim = também)

  • O boticário me indicou esta pomada, mas ela não fez efeito.
    (Boticário = farmacêutico)

  • Parequema

Aproximação de sons idênticos ou parecidos entre as sílabas de duas palavras.

  • Fazia pouco caso de mim só porque eu não tinha um diploma.

  • Quando eu terminar esta tarefa, vou brincar com o Augusto.

Veja também: Silabada – erro referente à pronúncia da sílaba tônica de uma palavra

Exercícios resolvidos sobre os vícios de linguagem

Questão 1 - (Unimontes - adaptado)

GARRAFA OU LIVRO AO MAR

Affonso Romano de Sant’Anna

...surgiu na Internet e nas ruas de várias cidades do mundo um movimento criativo, social e culturalmente relevante. Trata-se de uma performance útil, de um happening que não se esgota em si e que, dias atrás, já tinha uns 200 mil participantes. A essa altura devem já ser milhões, pois sugeriu-se que o passado dia 11 de setembro fosse a data escolhida para que um maior número de pessoas participasse dessa iniciativa.

A coisa começou nos Estados Unidos, o que significa que ainda há vida inteligente no Planeta Bush, e que é possível exercer um tipo de influência e liderança a contrapelo da famigerada “indústria cultural”.

Estou me referindo ao que, em inglês, se chama originalmente bookcrossing, e consiste essencialmente no seguinte: você pega um (ou mais) livro(s) que gostou de ler, sai de casa com ele e o “esquece” no banco de um parque, num balcão de loja, num aeroporto ou onde quiser — hospital, mesa de bar, táxi etc. Deve haver ali uma mensagem dizendo que o livro pertence a esse happening internacional e que está registrado no site: www.bookcrossing.com. O leitor que pegar esse volume deve também comunicar ao site que está procedendo da mesma maneira, que vai “esquecer” o livro em algum lugar. Essa corrente de pessoas, livros e afetos liberta as obras do exílio nas estantes. O livro ganha pernas. Faz com que outros “achem” um livro fora do seu lugar convencional. Finalmente, um objet trouvé, que subverte completamente a ideia niilista de Duchamp. Deixando de ser um ato egoísta e sem sentido, é um ato que se integra numa cadeia universal. Como diz o site desse movimento, o mundo transforma-se numa grande livraria, numa incontrolável biblioteca... E os livros pertencem a todos. Borges, lá na sua sepultura em Genebra, deve estar fazendo força para ressuscitar e participar dessa reativação de almas encadernadas. Isto parece um conto do próprio Borges no labirinto da pós-modernidade que produz tanta coisa superficial, instantânea e perfunctória.

A contraposição à superficialidade da flash mob aparece não apenas no conteúdo da proposta, mas também no fato de que essas ações de “perder” e “achar” um livro são ações individuais, solitárias quase, longe das câmaras e dos flashes, que a pós-modernidade, ao contrário, tanto cultiva. O universo dos leitores é mesmo esse universo mais discreto e consistente. E este gesto tão pessoal dá aos indivíduos, no entanto, a sensação de que estão numa rede de pertencimento e solidariedade. É o aleatório produtivo e não alienado. É uma atitude da doação, coisa tão rara na sociedade competitiva onde as pessoas querem tomar, querem se “apropriar” de modo perverso e até criminoso das coisas alheias. Pois esses livros em movimento, sendo uma variante das “apropriações”, o são de modo generoso, confirmando que certas coisas se multiplicam quando são divididas, e se acham quando perdidas.

Deste modo, em todo o mundo, até uns dias atrás, mais de quinhentos mil livros já haviam circulado de mãos em mãos. Mas isto não se esgota aí. O site do bookcrossing criou um modo de os leitores, caso queiram, também se encontrarem realmente. Ali estão listadas dezenas de cidades em todo o mundo onde esses encontros ocorrem. Nos Estados Unidos, onde essa ideia surgiu, no Kansas, umas 600 cidades já participam da iniciativa. E os encontros não têm dono. Ninguém comanda nada. A Internet apenas propicia as iniciativas.

[...]

Do livro A cegueira e o saber.

Dos estrangeirismos usados no texto, NÃO pertence ao idioma inglês a palavra ou expressão

A) happening.

B) flash mob.

C) internet.

D) objet trouvé.

Resolução

Alternativa D. A expressão objet trouvé é francesa e pode ser traduzida como “objeto encontrado”.

Questão 2 - (Unimontes - adaptada)

Observe o cacófato a seguir em negrito em: “[...] a permanência por cada vez mais tempo [...]”.

Sobre a cacofonia, esta é classificada, de acordo com a gramática normativa, como um vício de linguagem, isto é, uma incorreção ou defeito na oralidade ou na escrita, resultante da contiguidade de duas palavras em um texto (CEGALLA, 2005, p. 634). No entanto, seu uso, na atualidade, tem sido observado com certa frequência — tal como ocorre nesse texto —, sobretudo com o advento da internet, das mídias on-line.

Nesse sentido, é importante refletir sobre a presença da cacofonia, ao escrever, fazendo a seguinte consideração:

A) Esses ruídos da cacofonia devem ser evitados quando se tratar de mídias auditivas, pois nelas a incorreção é notada imediatamente, por ser um texto oral, o que não acontece em textos impressos.

B) O escritor ou escrevente deve ler/reler seu texto em voz alta, antes de dá-lo como definitivo, para evitar as sonoridades indesejadas, ou seja, os cacófatos.

C) A cacofonia deve ser evitada exclusivamente quando o som constituir um palavrão ou, então, se for geradora de um efeito engraçado.

D) O cacófato deve ser permitido no meio acadêmico e na imprensa, pelo reconhecimento da importância da internet, que propicia a velocidade cada vez maior de circulação da informação em tempo real.

Resolução

Alternativa B. Para evitar o cacófato, é recomendável ler e reler o texto em voz alta, pois assim é possível perceber a cacofonia. Vale ressaltar que esse vício de linguagem deve ser evitado de qualquer maneira, e não só “quando constituir um palavrão” ou apresentar “um efeito engraçado” (como afirma a questão C, ao utilizar o advérbio “exclusivamente”).

Questão 3 - Todas as frases a seguir apresentam um vício de linguagem, EXCETO:

A) Paguei muito caro pelo concerto do carro.

B) Só falta dar o acabamento final e está pronto.

C) Vou assistir o jogo na casa do meu amigo.

D) Finalmente, vamos estudar português.

E) Viver assim é muito massa, meu querido!

Resolução

Alternativa D. Com exceção da alternativa D, todas as outras apresentam vício de linguagem: “concerto” (barbarismo), “acabamento final” (pleonasmo), “assistir o jogo” (solecismo); “massa” (plebeísmo). 

Publicado por Warley Souza
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