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D. Pedro II

D. Pedro II foi imperador do Brasil durante quase 50 anos, reinando de 1840 a 1889. Filho de D. Pedro I e D. Maria Leopoldina, foi coroado imperador por meio de um golpe parlamentar conhecido como Golpe da Maioridade. Foi deposto pela Proclamação da República e morreu exilado em Paris.

Acesse também: Cinco curiosidades sobre D. Pedro I, pai de D. Pedro II

Primeiros anos

Pedro de Alcântara João Carlos Leopoldo Salvador Bibiano Francisco Xavier de Paula Leocádio Miguel Gabriel Rafael Gonzaga, reconhecido como o imperador D. Pedro II, nasceu na cidade do Rio de Janeiro, no dia 2 de janeiro de 1825. Ele foi o único monarca a reinar sobre o Brasil que nasceu em solo brasileiro.

Dom Pedro II foi imperador do Brasil de 1840 até 1889.
Dom Pedro II foi imperador do Brasil de 1840 até 1889.

O pai de Pedro de Alcântara era D. Pedro I, imperador do Brasil de 1822 a 1831, e sua mãe era D. Maria Leopoldina, imperatriz do Brasil de 1822 a 1826. O nascimento de Pedro de Alcântara foi motivo de festa na corte, principalmente porque se garantia a sucessão dos Bragança no trono do Brasil.

Pedro de Alcântara foi o filho mais novo do casal e logo se tornou o herdeiro do trono, uma vez que os filhos homens que nasceram antes dele faleceram. Suas irmãs poderiam assumir o trono, mas a Constituição brasileira dava prioridade na sucessão para os filhos homens, mesmo se eles fossem mais novos.

Do ponto de vista familiar, a infância de Pedro foi solitária, uma vez que sua mãe faleceu quando ele tinha 1 ano de idade, seu pai o abandonou para retornar a Portugal quando ele tinha 5 anos, e ele mantinha contato limitado com suas irmãs. A criação e educação de Pedro ficaram sob responsabilidade de D. Mariana Carlota de Verna, sua aia.

A aia de Pedro de Alcântara foi escolhida por D. Pedro I para ser responsável pela tutoria e educação dele e manteve-se próxima ao seu tutorado durante toda a sua vida. Biógrafos de D. Pedro II contam que ele tratava D. Mariana como sua segunda mãe e chamava-a pelo apelido carinhoso de “dadama”.

Pedro de Alcântara recebeu uma ótima educação, fruto de sua posição como herdeiro do trono. Essa educação era parte da preparação para que ele pudesse assumir quando alcançasse a maioridade. Ele passava grande parte do dia estudando. Seus estudos se iniciavam pela manhã e se estendiam até tarde da noite.

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Coroação de D. Pedro II

Como mencionado, Pedro de Alcântara precisava alcançar a maioridade para assumir o trono brasileiro. Isso porque seu pai, D. Pedro I, abdicou do trono em 1831, quando ele tinha pouco mais de 5 anos, em razão da crise que o país vivia e da sua impopularidade. D. Pedro I decidiu retornar a Portugal para defender o direito de sua filha ao trono português.

Com isso, o Brasil passou a ser governado por regentes, dando início àquilo que conhecemos como Período Regencial. Esse período ficou marcado pelas disputas políticas entre liberais e conservadores, pelos pedidos pelo federalismo e por rebeliões provinciais. As disputas políticas e a instabilidade do país levaram os liberais a apoiarem a antecipação da maioridade do herdeiro.

A possibilidade de antecipação da maioridade de Pedro de Alcântara era discutida desde 1835, mas, em 1840, essa ideia ganhou força e apoio. Os liberais propuseram essa solução em virtude da posse de Araújo Lima como regente do Brasil. A possibilidade foi aceita, e D. Pedro II teve a sua maioridade antecipada. Ele tinha 14 anos na ocasião (a maioridade era obtida com 18), e esse evento ficou conhecido como Golpe da Maioridade.

A antecipação da maioridade de Pedro aconteceu em 23 de julho de 1840, e a coroação dele foi celebrada em uma grandiosa cerimônia que aconteceu em 18 de julho de 1841. Com a coroação, ele se tornou D. Pedro II. Era o início do Segundo Reinado.

Vida pessoal

Teresa Cristina, princesa do Reino das Duas Sicílias, casou-se com D. Pedro II em 1843 e teve quatro filhos com ele.[1]
Teresa Cristina, princesa do Reino das Duas Sicílias, casou-se com D. Pedro II em 1843 e teve quatro filhos com ele.[1]

A posse de D. Pedro II como imperador do Brasil criou uma necessidade de Estado: casar o imperador. Os valores da época demandavam que a maioridade do imperador fosse garantida a partir de um casamento, que geraria herdeiros para o trono.

A busca por uma esposa para D. Pedro II se iniciou quando ele se aproximou dos 18 anos e não foi fácil, principalmente por causa da fama do pai de D. Pedro II e de todo o mal que ele causou a D. Maria Leopoldina, princesa de uma das monarquias mais tradicionais do continente. Por fim, chegou-se à princesa do Reino das Duas Sicílias, Teresa Cristina Maria.

O acordo para ela era irrecusável, uma vez que ela pertencia a uma família real empobrecida e que oferecia um dote pequeno. Além disso, ela arranjaria um marido que faria dela imperatriz. D. Pedro II, por sua vez, consolidava sua posição casando-se com uma princesa que tinha laços com os Bourbon e com os Habsburgo.

D. Pedro II aceitou casar-se com Teresa Cristina depois de receber o retrato dela. O casamento aconteceu por procuração em Nápoles, no dia 30 de maio de 1843. Em 3 de setembro, a imperatriz desembarcou no Brasil. A ansiedade de D. Pedro II em conhecer sua esposa fez com que ele embarcasse no navio que a trouxe para o Rio de Janeiro.

Lá eles se conheceram e as festividades seguiram como planejadas. Os historiadores contam que a reação de D. Pedro II foi perceptível: ele estava decepcionado. Conta-se que Teresa Cristina não era tão bonita quando o retrato fez parecer. Os relatos falam que ela era obesa, baixa e andava mancando.

Pessoas próximas ao imperador lembraram-no da importância do casamento, e ele se manteve casado com ela por toda a sua vida. A vida doméstica dos dois foi pacífica e quatro filhos nasceram desse casamento: Afonso, Isabel, Leopoldina e Pedro Afonso. D. Pedro II também manteve casos extraconjugais, sendo o da condessa de Villeneuve um dos mais conhecidos.

Acessa também: Marquesa de Santos, a amante mais conhecida de D. Pedro I

Principais acontecimentos do Segundo Reinado

D. Pedro II reinou no Brasil por 49 anos e, naturalmente, nesse período muita coisa aconteceu no país. Já na década de 1840, por exemplo, D. Pedro II teve de lidar com as disputas políticas violentas entre liberais e conservadores, as questões relacionadas com a proibição do tráfico negreiro e o acirramento de ânimos com os ingleses, etc.

Do ponto de vista econômico, o reinado de D. Pedro II ficou marcado pela transformação do café no principal artigo de exportação do Brasil. À medida que o trabalho escravo foi sendo combatido e essa mão de obra foi diminuindo, o governo incentivou a vinda de imigrantes europeus para o país.

O divisor de águas no reinado de D. Pedro II foi a Guerra do Paraguai. Antes desse conflito, ele e a monarquia gozavam de grande prestígio e popularidade, mas, depois dele, D. Pedro II se tornou um imperador impopular, sendo severamente criticado. Com isso, a monarquia começou a perder apoio na sociedade.

A impopularidade da monarquia permitiu que o republicanismo avançasse entre os militares, grupos da elite e nas grandes cidades. Isso fez dos ideais republicanos uma verdadeira sombra para a família real no Brasil. Politicamente falando, a situação da monarquia esteve muito delicada na década de 1880, e a abolição da escravatura foi um dos assuntos de grande repercussão.

D. Pedro II, apesar de possuir opiniões contra a escravidão, nunca tomou ações expressivas no combate a ela e procurava encobrir a realidade da escravidão no país para preservar a imagem internacional de seu reinado.

Leia também: Brasil Império — os principais acontecimentos do período imperial brasileiro

Últimos anos

Como vimos, após a década de 1870, a imagem de D. Pedro II se tornou impopular e a monarquia passou a ser bastante questionada. As últimas duas décadas da monarquia também ficaram marcadas pelo pouco interesse de D. Pedro II em governar e pelos problemas de saúde que ele desenvolveu ao longo da década de 1880.

D. Pedro II fez três grandes viagens, entre as décadas de 1870 e 1880, passando por locais como Europa e Estados Unidos. As críticas feitas a ele levantavam o argumento de que ele preferia viajar a resolver os problemas do país. A imprensa criticava D. Pedro II contundentemente, utilizando-se de apelidos como “Pedro Banana” e “emperrador” para se referir a ele.

Na ocasião das três viagens, a Princesa Isabel, sua filha foi deixada como regente do país. Esse acontecimento reforçou um fato: a Princesa Isabel não era muito popular. Isso se deve, principalmente, ao fato de que ela era mulher e era casada com um monarca estrangeiro, o francês Conde D’Eu.

O enfraquecimento da monarquia levou a uma conspiração que contou com o envolvimento de civis e militares. Essa conspiração foi colocada em prática em 15 de novembro de 1889 e resultou em um golpe, que foi consumado com a Proclamação da República por José do Patrocínio. No dia seguinte a isso, D. Pedro II e a família real receberam a notícia de que eles estavam expulsos do Brasil.

No dia 17 de novembro de 1889, D. Pedro II e sua família embarcavam com destino à Europa. Eles passaram um tempo em Portugal, local onde Teresa Cristina faleceu, em dezembro de 1889. D. Pedro II se mudou para Paris, na França, e lá residiu em hotéis durante os últimos anos de sua vida. Uma pneumonia foi a causa da morte do ex-imperador do Brasil, no dia 5 de dezembro de 1891.

Créditos da imagem

[1] Commons 

Publicado por Daniel Neves Silva

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