Partilha da África

Um conjunto de acordos entre as potências imperialistas europeias do século XIX sobre a posse de territórios no continente africano determinou a Partilha da África.

Com o advento dos Estados nacionalistas industrializados na Europa do século XIX, as demandas econômicas (matérias-primas, mercado consumidor e mão de obra) tornaram-se acirradas. Essa disputa lançou as principais potências europeias a outras regiões, sobretudo aos continentes asiático e africano, com o objetivo de satisfazer essas necessidades. O continente africano, em especial, foi o que mais sofreu transformações. A chamada Partilha da África tornou-se a expressão principal dessas mudanças.

A expansão dos domínios das potências europeias sobre a África ocorreu entre as décadas de 1830 e 1880 e ficou conhecida a partir de duas designações principais: imperialismo e neocolonialismo. O Imperialismo na África teve como pontapé inicial a expansão do Império Francês, que conquistou a Argélia e ansiava recuperar o esplendor do período napoleônico.

A França ainda conquistou outras regiões, como a Tunísia, a chamada África Ocidental Francesa, que compreendia Guiné, Senegal, Daomé, Níger, Costa do Marfim, Alto Volta e Mali; a África Equatorial Francesa, que compreendia o Gabão, o Congo, o Chade e a República Centro-Africana; além de também exercer domínio sobre o Marrocos e a ilha de Madagascar.

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A Inglaterra também exerceu um domínio gigantesco no continente africano, estabelecendo um protetorado no Egito e, depois, amealhando regiões como Sudão, Rodésia, Uganda, Quênia, Zanzibar, Somália e a chamada África Oriental Inglesa. Além disso, estabeleceu-se também em Gâmbia, Serra Leoa, Costa do Ouro e Nigéria.

O Zaire, ou o Congo Belga, tornou-se propriedade privada do rei Leopoldo II, da Bélgica. À Alemanha, que, assim como a Itália, havia se unificado tardiamente (em 1870), coube o domínio de porções da África como Camarões, Togo e a região da atual Namíbia. Já a Itália conseguiu apropriar-se de regiões como a Somália, a Eritreia e a Líbia.

Um dos momentos decisivos para a Partilha da África foi a Conferência de Berlim, que tinha por principal objetivo estabelecer um acordo pacífico e “amigável” para a disputa por território entre os países europeus, já que esses territórios da África eram cobiçados pelas nações europeias desde a queda do império napoleônico e as resoluções do Congresso de Viena em 1815.

* Créditos da imagem: Commons

A Conferência de Berlim (1884-1885) tratou de delimitar as regiões de posse dos europeus no contexto da expansão imperialista
A Conferência de Berlim (1884-1885) tratou de delimitar as regiões de posse dos europeus no contexto da expansão imperialista
Publicado por: Cláudio Fernandes
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Lista de Exercícios

Questão 1

A chamada “Partilha da África” deu-se no fim do século XIX, em um contexto em que as potências nacionalistas europeias tinham expandido os seus domínios pelos continentes asiático e africano. Sobre o processo de “Partilha da África”, é INCORRETO afirmar que:

a) A Conferência de Berlim foi decisiva para organizar os domínios europeus sobre o território africano.

b) A França foi o único país a não estabelecer domínios coloniais em território africano.

c) O Congo passou a ser um território submetido ao domínio particular do rei Leopoldo II, da Bélgica.

d) A “Partilha da África” pode ser enquadrada no fenômeno mais abrangente denominado “Neocolonialismo”.

e) Muitas tribos e etnias africanas diferentes ficaram circunscritas a um mesmo território na ocasião em que o continente africano foi dividido.

Questão 2

A “Partilha da África” suscitou uma grande discussão ideológica e científica que procurava justificar a “inferioridade” dos povos africanos e a “missão civilizatória” que a Europa desempenhava em seu processo de colonização. A corrente ideológica com bases cientificistas que mais se destacou nessa época foi:

a) a microbiologia

b) a antropologia cultural

c) o existencialismo

d) o darwinismo social

e) a sociobiologia

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