Terceira Geração do Romantismo no Brasil

A Terceira Geração do Romantismo no Brasil foi marcada por um forte sentimento de liberdade e igualdade.

Observe o poema de Castro Alves:

Amar e ser amado

Amar e ser amado! Com que anelo
Com quanto ardor este adorado sonho

Acalentei em meu delírio ardente
Por essas doces noites de desvelo!
Ser amado por ti, o teu alento
A bafejar-me a abrasadora frente!
Em teus olhos mirar meu pensamento,
Sentir em mim tu’alma, ter só vida
P’ra tão puro e celeste sentimento:
Ver nossas vidas quais dois mansos rios,
Juntos, juntos perderem-se no oceano —,
Beijar teus dedos em delírio insano
Nossas almas unidas, nosso alento,
Confundido também, amante — amado —
Como um anjo feliz... que pensamento!?

É possível notar que, diferentemente das gerações anteriores, Castro Alves corporifica mais o amor, dando-lhe um toque de erotismo ao descrever seu desejo de estar junto com o ser amado. Nas gerações antecedentes, o amor era idealizado e platônico, mas, agora, há um ser real pelo qual se expressa os sentimentos de forma livre e também com menos subjetividade, ou seja, a descrição é mais fiel à realidade que envolve o sentimento daquele que ama.

Dessa forma, podemos notar que a terceira geração do romantismo, da qual o poema acima faz parte, foi marcada por um imenso sentimento de liberdade e igualdade, uma vez que o poeta permite-se expressar seu sentimento de forma mais concreta, valorizando traços e características reais do ser amado. Em vez de enaltecê-la como alguém intocável, coloca-se como seres iguais e que possuem a liberdade de amar e de expressar esse amor. Isso quer dizer que a fuga à realidade, presente na geração anterior, agora não é dominante nas produções literárias.

Veja, agora, um trecho de outro poema de Castro Alves:

O navio negreiro

V

Senhor Deus dos desgraçados!
Dizei-me vós, Senhor Deus!

Se é loucura... se é verdade
Tanto horror perante os céus?!
Ó mar, por que não apagas
Co'a esponja de tuas vagas
De teu manto este borrão?...
Astros! noites! tempestades!
Rolai das imensidades!
Varrei os mares, tufão!

Quem são estes desgraçados
Que não encontram em vós
Mais que o rir calmo da turba
Que excita a fúria do algoz?
Quem são? Se a estrela se cala,
Se a vaga à pressa resvala
Como um cúmplice fugaz,
Perante a noite confusa...
Dize-o tu, severa Musa,
Musa libérrima, audaz!...

São os filhos do deserto,
Onde a terra esposa a luz.

Onde vive em campo aberto
A tribo dos homens nus...
São os guerreiros ousados
Que com os tigres mosqueados
Combatem na solidão.
Ontem simples, fortes, bravos.
Hoje míseros escravos,
Sem luz, sem ar, sem razão. . .

São mulheres desgraçadas,
Como Agar o foi também.

Que sedentas, alquebradas,
De longe... bem longe vêm...
Trazendo com tíbios passos,
Filhos e algemas nos braços,
N'alma — lágrimas e fel...
Como Agar sofrendo tanto,
Que nem o leite de pranto
Têm que dar para Ismael.

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Lá nas areias infindas,
Das palmeiras no país,

Nasceram crianças lindas,
Viveram moças gentis...
Passa um dia a caravana,
Quando a virgem na cabana
Cisma da noite nos véus ...
... Adeus, ó choça do monte,
... Adeus, palmeiras da fonte!...
... Adeus, amores... adeus!...

(…)

Percebe-se que o autor possui um sentimento de revolta contra a escravidão, utilizando-se dos elementos da natureza para questionar Deus sobre sua indiferença diante da maldade que se via no processo de escravidão dos afrodescendentes. Esses temas, em que se vê uma preocupação social e a denúncia da escravidão, são característicos dessa geração do Romantismo no Brasil.

Participantes e influenciadores do processo político, social e cultural do Brasil da época, os autores dessa geração tinham o tema da liberdade como principal de suas produções. Esse fato contribuiu para o uso da ave “Condor” como símbolo desse período do Romantismo. Por conseguir voar muito alto e, por isso, ter uma visão mais ampla, os românticos identificaram-se com a liberdade do animal e inspiraram-se para dar voo à imaginação em busca da liberdade, ou seja, representava a visão dos poetas sobre si mesmos enquanto possuidores de anseios elevados. Assim, essa geração desloca o centro da atenção no “eu” (presente na geração anterior) para o outro, do mundo interno para o mundo externo, para os problemas sociais, atitude muito influenciada pelo escritor francês Victor Hugo. Por essas influências, essa geração ficou também conhecida como condoreira ou hugoana.

→ Características da 3ª geração do Romantismo no Brasil

  1. Abolicionismo - a poesia desse período volta-se para a defesa da República e do abolicionismo e, com isso, o foco das produções está concentrado nos pobres, marginalizados e negros escravizados;

  2. Negação do amor platônico e erotismo – diferentemente das gerações anteriores, a relação amorosa acontece de fato. Os autores dão forma e sensualidade à mulher, que, anteriormente, era vista como um ser intocável, angelical, impossível de ser alcançado;

  3. Liberdade – munidos de um sentimento de revolta ante as injustiças sociais, os autores acreditavam que , assim como o condor, tinham a capacidade de olhar de um ponto mais alto as questões sociais e, por isso, informar a sociedade sobre a realidade em que viviam de forma a conscientizá-la do ideal de liberdade, ou seja, eles se sentiam capazes de influenciar a forma de pensar e colaborar para mudanças sociais.

→ Principal autor

- Castro Alves: Espumas Flutuantes (1870), A cachoeira de Paulo Afonso (1876), Os escravos (1883), Gonzaga (drama – 1875).

A revolta em relação à escravidão foi um dos temas principais dessa geração
A revolta em relação à escravidão foi um dos temas principais dessa geração
Publicado por: Mariana Rigonatto
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Questão 1

A terceira geração do romantismo possui características marcantes que se relacionam com o momento histórico, político e social. Assinale a alternativa que melhor descreve essa fase da literatura brasileira:

a) ( ) é conhecida também com byroniana ou ultrarromântica por possuir uma visão pessimista e decadente da vida e da sociedade. Possui como características o sofrimento amoroso, a valorização da morte, a tristeza, a melancolia e o misticismo.

b) ( ) é conhecida também como condoreira. Possui como marca poética a denúncia das desigualdades sociais e a defesa da liberdade.

c) ( ) é conhecida também como nacionalista ou indianista. O foco poético está na natureza tropical, no patriotismo, nos eventos históricos e no indígena brasileiro.

Questão 2

Leia um trecho do poema de Castro Alves “O Navio Negreiro”, poeta da terceira geração do romantismo, e julgue as alternativas em verdadeiras ou falsas:

O navio negreiro

V

Senhor Deus dos desgraçados!
Dizei-me vós, Senhor Deus!
Se é loucura... se é verdade
Tanto horror perante os céus?!
Ó mar, por que não apagas
Co'a esponja de tuas vagas
De teu manto este borrão?...
Astros! noites! tempestades!
Rolai das imensidades!
Varrei os mares, tufão!

Quem são estes desgraçados
Que não encontram em vós

Mais que o rir calmo da turba
Que excita a fúria do algoz?
Quem são? Se a estrela se cala,
Se a vaga à pressa resvala
Como um cúmplice fugaz,
Perante a noite confusa...
Dize-o tu, severa Musa,
Musa libérrima, audaz!...

São os filhos do deserto,
Onde a terra esposa a luz.

Onde vive em campo aberto
A tribo dos homens nus...
São os guerreiros ousados
Que com os tigres mosqueados
Combatem na solidão.
Ontem simples, fortes, bravos.
Hoje míseros escravos,
Sem luz, sem ar, sem razão. . .

São mulheres desgraçadas,
Como Agar o foi também.

Que sedentas, alquebradas,
De longe... bem longe vêm...
Trazendo com tíbios passos,
Filhos e algemas nos braços,
N'alma — lágrimas e fel...
Como Agar sofrendo tanto,
Que nem o leite de pranto
Têm que dar para Ismael.
(...)

a) ( ) O eu lírico expressa um sentimento de revolta à escravidão e ao tráfico de seres humanos.

b) ( ) Há uma crítica ao comportamento submisso dos escravos.

c) ( ) Castro Alves foi um poeta que se destacou por meio da denúncia social, expressa em seus poemas.

d) ( ) O poema épico “O Navio Negreiro” é marcado pelo pessimismo, a revolta e o valor da morte, algumas características da terceira geração do Romantismo.

e) ( ) o sentimento nacionalista está presente no poema ao apresentar uma idealização do Brasil por alguém que está exilado.

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