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Madre Teresa de Calcutá

Madre Teresa de Calcutá nasceu em uma cidade localizada na atual Macedônia do Norte e ficou conhecida internacionalmente como uma freira defensora da paz e que realizou ações de caridade em benefício dos pobres. Morou durante a maior parte de sua vida na Índia, sendo fundadora das Missionárias da Caridade. Ganhou Nobel da Paz em 1979 e faleceu em 1997.

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Primeiros anos

Agnes Gonxha Bojaxhiu é o nome de nascimento de Madre Teresa de Calcutá. Ela nasceu no dia 26 de agosto de 1910, em Üsküp, cidade que fazia parte do Império Otomano, mas que atualmente se chama Skopje, atual capital da Macedônia do Norte, nação que surgiu depois do desmembramento da Iugoslávia.

Madre Teresa de Calcutá ficou conhecida como uma das maiores promotoras da paz no mundo durante o século XX.[1]
Madre Teresa de Calcutá ficou conhecida como uma das maiores promotoras da paz no mundo durante o século XX.[1]

Os pais de Madre Teresa eram descendentes de albaneses e chamavam-se Nikola Bojaxhiu e Dranafile Bojaxhiu. O pai era um empreendedor de sucesso que trabalhava com diferentes negócios, enquanto a mãe era dona de casa e cuidava do lar e dos três filhos: Agnes, Aga e Lazar.

A família de Teresa era muito católica e, desde a infância, ela se envolveu com assuntos da igreja. Essa aproximação de Teresa com a religião aumentou consideravelmente depois que seu pai faleceu em 1919. Aos 12 anos, ela já mencionava o seu interesse por seguir a vida eclesiástica como freira e passou toda a sua adolescência amadurecendo essa ideia.

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Vida religiosa

Teresa decidiu iniciar sua trajetória religiosa em 1928, quando tinha 18 anos de idade. Nesse ano, ela decidiu juntar-se à ordem das Irmãs de Nossa Senhora de Loreto, que estava instalada em Dublin, na Irlanda. Foi nesse local que ela adotou o nome de Teresa. Isso aconteceu em homenagem a Santa Teresa de Lisieux, conhecida aqui no Brasil como Santa Teresinha do Menino Jesus e da Santa Face.

A ida de Teresa para a Irlanda mudou definitivamente a sua vida e, depois de 1928, ela nunca mais viu sua mãe ou irmã. Já o seu irmão, Lazar, reencontrou Teresa em Oslo, quando ela esteve lá para receber o Nobel da Paz em 1979.

Ela permaneceu um tempo na Irlanda em uma fase de preparação e, em 1929, foi enviada para a Índia, local onde as Irmãs de Nossa Senhora de Loreto mantinham ações de caridade e faziam trabalho de catequização. Em maio de 1931, ela oficialmente se tornou uma freira. Na Índia, esteve instalada em um convento na cidade de Calcutá. Lá ela fazia o trabalho de professora, dando aulas de história e geografia.

Em 1937, ela professou os votos de pobreza, castidade e obediência e, assim, recebeu o título de “madre”. Seguiu trabalhando na Saint Mary’s High School (a escola administrada pelas Irmãs de Nossa Senhora de Loreto) até 1948. No entanto, ela decidiu abandonar o convento e a escola na qual lecionava para ajudar os pobres de Calcutá de maneira voluntária e independente.

Madre Teresa alegou que decidiu abandonar a ordem em que esteve por quase vinte anos porque teria recebido um chamado para trabalhar entre os pobres na Índia. A pobreza na Índia era muito grande, e o contexto do país era de fome e violência, uma vez que, entre 1943 e 1944, a Índia Britânica tinha registrado a morte de milhões de pessoas pela fome. A violência, por sua vez, estava relacionada com o acirramento de ânimos entre hindus e muçulmanos.

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Trabalho de caridade

A saída de Madre Teresa das Irmãs de Nossa Senhora de Loreto só aconteceu quando ela recebeu autorização da Igreja. Ela então partiu para desenvolver seus trabalhos de caridade com a população mais carente de Calcutá. Ele aprendeu noções básicas de enfermaria, adquiriu a cidadania indiana e então passou a dar aulas para crianças pobres nas favelas de Calcutá.

A congregação Missionárias da Caridade foi fundada por Madre Teresa de Calcutá em 1950 e atualmente está em mais de 100 países.[2]
A congregação Missionárias da Caridade foi fundada por Madre Teresa de Calcutá em 1950 e atualmente está em mais de 100 países.[2]

Madre Teresa iniciou suas aulas sem ter estrutura para abrigar as crianças, mas, com o tempo, ela começou a receber doações e a ter condições para alugar um espaço e transformá-lo em sala de aula. Ela também passou a visitar as famílias de seus alunos para oferecer-lhes atendimento médico básico, quando necessário.

Em 1949, ela pediu autorização para formar uma congregação vinculada à Igreja Católica. O pedido dela foi atendido e, em 7 de outubro de 1950, foi oficialmente fundada a congregação das Missionárias da Caridade. Essa congregação atualmente está estabelecida em mais de 130 países e conta com cerca de 5000 membros.

Uma das ações de destaque da congregação criada por Madre Teresa é o lar infantil que recebia crianças órfãs chamado Sishi Bavan (Casa da Esperança). Nesse local, os órfãos recebiam alimento, cuidados médicos e educação. Também foi criada uma casa de repouso para moribundos chamada Nirmal Hriday (Casa do Coração Imaculado) e uma colônia que recebia pessoas com hanseníase chamada Shanti Nagar (Lugar de Paz).

Com o passar do tempo, os atos promovidos pela congregação das Missionárias da Caridade começaram a ganhar reconhecimento, e novas ações passaram a ser desenvolvidas em outras partes do território indiano. A partir da década de 1960, a congregação iniciou sua atuação fora da Índia, instalando uma casa missionária na Venezuela.

Em 1979, Madre Teresa foi escolhida para receber o Nobel da Paz pelo seu trabalho em defesa dos pobres. Esse foi um de uma série de prêmios e honrarias que ela recebeu em sua vida graças ao seu trabalho humanitário. Ao longo da década de 1980, ela ainda desenvolveu ações para cuidar de pessoas que sofriam com aids, uma epidemia que teve grande impacto naquela década.

Últimos anos

A partir da década de 1980, a saúde de Madre Teresa começou a sofrer os efeitos da idade. Em 1983, ela teve o seu primeiro ataque cardíaco, o que se repetiu em 1989, quando passou a usar um marcapasso. Em razão dos seus problemas de saúde, ela abandonou a direção das Missionárias da Caridade.

Em 5 de setembro de 1997, um novo ataque cardíaco ocasionou o falecimento de Madre Teresa. Após a morte dela, homenagens aconteceram em diversos locais, como Vaticano e Índia. Os restos mortais dela foram depositados em Calcutá, cidade onde passou boa parte de sua vida..

Depois que Madre Teresa faleceu, o Vaticano iniciou um processo de beatificação baseado em documentação que alegava que uma oração dela foi responsável por um milagre. Esse milagre teria sido a cura de um câncer em uma mulher chamada Monica Besra. Esse processo resultou na beatificação dela em 19 de outubro de 2003 e na sua canonização em 4 de setembro de 2016.

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Críticas

Depois de sua morte, diversos estudos sobre a vida de Madre Teresa de Calcutá foram realizados por diferentes personalidades e em diversas partes do mundo. Alguns desses estudos, apesar de todas as boas ações praticadas por Madre Teresa, destacaram também algumas críticas a alguns atos dela em vida.

Alguns estudos falam que alguns dos centros criados por ela praticavam violações dos Direitos Humanos das pessoas que recebiam ajuda. Outros apontam que as condições de higiene e a estrutura de muitos abrigos não eram as ideais, por isso muitas pessoas não recebiam os cuidados necessários.

Há quem critique a gestão das doações realizadas para as ações de caridade dela e houve até quem a denunciasse por corrupção financeira. Por fim, as relações de amizade que Madre Teresa tinha como Jean-Claude Duvalier, o ditador haitiano conhecido como Baby Doc, também renderam críticas.

Créditos das imagens:

[1] mark reinstein e Shutterstock

[2] Zvonimir Atletic e Shutterstock 

Publicado por: Daniel Neves Silva
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