Migração pendular

A migração pendular é um tipo de migração temporária que é realizada diariamente por pessoas que trabalham ou estudam em outras cidades. O retorno para seu município de origem é feito no mesmo dia, para o descanso. Por isso, as cidades de origem recebem a alcunha de cidades-dormitório. A migração pendular é muito comum em regiões metropolitanas, tendo em vista o volume de serviços e de postos de trabalho que são ofertados nas cidades principais. No entanto, em cidades do interior, ele também é observado. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mais de 9 milhões de brasileiros deslocam-se três dias ou mais por semana para trabalharem em outro município.

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As pessoas que utilizam o transporte público para a migração pendular costumam gastar muitas horas no trajeto. Aqueles que usam veículos particulares também enfrentam dificuldades, como os engarrafamentos em horários de pico. A poluição atmosférica, a poluição sonora, o cansaço e o estresse são outras consequências da migração pendular.

Leia também: Afinal, o que é migração?

Resumo sobre a migração pendular

  • Migração pendular é um movimento diário realizado por pessoas que deixam seu local de origem e retornam no mesmo dia com o objetivo de trabalhar ou de estudar em outra cidade.

  • Esse tipo de migração é muito comum em adensamentos urbanos, como as regiões metropolitanas. No entanto, não é exclusivo dessas áreas.

  • As cidades de origem recebem a alcunha de cidades-dormitório porque quem faz a migração pendular passa o dia fora e retorna para o descanso.

  • Mais de 9 milhões de brasileiros não trabalham na sua cidade de origem, e, desses, 85% precisa se deslocar três dias ou mais por semana para o município onde trabalham.

  • Para os estudiosos, os brasileiros que realizam a migração pendular são, em sua maioria, aqueles que estão matriculadas no ensino superior.

  • A migração pendular também é um tipo de migração temporária, mas não é o mesmo que transumância. No segundo caso, o tempo de permanência é maior, e o tipo de trabalho é sazonal.

  • Trânsito intenso, engarrafamentos, poluição sonora, poluição atmosférica, cansaço extremo da pessoa que realiza esse deslocamento, irritação e o gasto de longas horas no transporte são consequências da migração pendular.

O que é migração pendular?

Imagem explicando o que é migração pendular. [imagem_principal]
A migração pendular geralmente acontece das cidades do entorno para a cidade principal. (Créditos: Isa Galvão | Mundo Educação)

Migração pendular é um tipo de movimento migratório temporário realizado por pessoas que partem do seu local de origem e retornam no mesmo dia, isto é, no intervalo de 24 horas. É, portanto, um movimento constante de ida e volta, semelhante ao movimento realizado por um pêndulo, de onde vem o seu nome.

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Principais características da migração pendular

Pessoas indo de um lado para o outro, uma alusão à migração pendular.
A migração pendular é um movimento diário realizado por pessoas que trabalham ou estudam em outras cidades.

A migração pendular é um movimento muito comum em áreas de adensamentos urbanos, como as regiões metropolitanas. Ele acontece em todos os sentidos, mas existe um sentido preferencial, que é o das cidades do entorno para a cidade principal, que concentra um maior número de serviços e ofertas de trabalho.

Nos interiores, o movimento pendular acontece para cidades que exercem maior influência na região ou, ainda, da cidade para o campo, no caso de trabalhadores rurais que habitam a zona urbana, a exemplo dos cortadores de cana.

Pessoas andando em direção à região comercial, uma alusão à migração pendular.
A migração pendular é muito comum nas grandes cidades e nas regiões metropolitanas. [1]

Esse é um tipo de movimento que é temporário, e a sua duração é inferior a um dia completo. As pessoas deixam as suas residências no começo do dia e retornam somente ao fim do dia para o descanso. Por causa disso, as cidades e as regiões de onde parte o fluxo migratório recebem a alcunha de cidades-dormitório. É possível notar, com isso, que a migração pendular faz parte da rotina dos indivíduos e dos centros urbanos, e confere dinamismo às localidades em que acontece.

Os metrôs lotados em horário de pico, as dezenas de ônibus que circulam em horários estratégicos, fretados que partem de uma cidade em direção a outra diariamente e os engarrafamentos com horário marcado nas grandes cidades e regiões metropolitanas são representantes da migração pendular que está em curso.

Veja também: Êxodo rural — o processo marcado pela saída da população do campo para a cidade

Quais são os motivos da migração pendular?

A migração pendular tem dois motivos principais:

  • trabalho, sendo essa a maior causa dos movimentos pendulares nas cidades;

  • estudos, feito por alunos de diferentes níveis de ensino.

A saúde é, também, um motivo pelo qual muitas pessoas realizam migração pendular, como no caso de tratamentos que exigem visitas recorrentes a clínicas ou a hospitais. No entanto, eles são menos frequentes do que os deslocamentos feitos para o trabalho ou para os estudos.

Migração pendular no Brasil

O último censo demográfico do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) constatou que 9,3 milhões de pessoas não trabalham no seu município de residência. Desse montante, aproximadamente 85% precisa fazer o deslocamento para a cidade em que trabalha três ou mais dias por semana, o que representa um intenso movimento pendular acontecendo no território brasileiro. A pesquisa mostrou, ainda, os estados em que esse tipo de migração acontece com maior intensidade. São cinco:

  • São Paulo;

  • Goiás;

  • Rio Grande do Norte;

  • Sergipe;

  • Pernambuco.

Em todos eles, o movimento para o trabalho em outro município representa entre 13,7 e 16% dos deslocamentos realizados para fins profissionais. Observe, no mapa a seguir, a espacialização desse dado:

Mapa do IBGE mostrando a migração pendular no Brasil devido ao trabalho.
Fonte: IBGE.

A migração pendular realizada por causa dos estudos é feita por 7,2% dos mais de 53,6 milhões de estudantes brasileiros, o que representa 4 milhões de pessoas. No ensino superior, tanto na graduação quanto nos níveis de especialização, de mestrado ou de doutorado, cerca de um terço dos estudantes matriculados precisa se deslocar para outro município para estudarem. Na educação básica, a parcela é menor, sendo de 6,6% no ensino médio e 3,2% no ensino fundamental.

Migração pendular e transumância

A migração pendular e a transumância são movimentos de pessoas que se caracterizam por seu caráter temporário. No entanto, eles apresentam tempos e motivações distintas, não podendo ser tratados como equivalentes.

  • Transumância: é um tipo de migração sazonal que está condicionada a trabalhos temporários, como, por exemplo, o trabalho com a pesca, com rebanhos ou na lavoura durante o período de safra, ou colheita. No último caso mencionado, uma empresa contrata um grupo de trabalhadores que atuará exclusivamente durante o período de extensão da safra, como acontece no corte da cana-de-açúcar. Findado o contrato, ele retorna para a sua residência ou local de origem.

  • Migração pendular: acontece diariamente e é registrada com maior intensidade nos aglomerados urbanos, a transumância se repete em intervalos de tempo de meses principalmente no interior e no meio rural, apresentando duração variável entre algumas semanas e alguns meses.

Acesse também: Quais são os tipos de migração?

Consequências da migração pendular

Muitas pessoas indo em uma mesma direção, uma alusão à migração pendular.
O cansaço e a irritação causados pela superlotação nos transportes públicos são consequências da migração pendular. [2]

A migração pendular é um tipo de movimento que não cessa, o que significa que ele acontece todos os dias, independente da composição do grupo que o realiza. Assim sendo, ele tem consequências para o espaço geográfico, sendo uma delas a garantia do seu dinamismo e da manutenção de fluxos constantes de pessoas e, também, de capital.

Os transportes públicos são amplamente utilizados para os deslocamentos pendulares, especialmente trens, ônibus e metrôs, o que intensifica a movimentação interurbana e promove a abertura de novas linhas. No entanto, isso não necessariamente é sinônimo de melhorias nos veículos ou nas vias.

Os trajetos longos, a superlotação e, na maioria dos casos, o tempo que é gasto dentro do transporte público se tornam desgastante e leva ao cansaço extremo, já que diminui o tempo útil do dia e reduz as horas de descanso e de lazer, causando piora na qualidade de vida da população.

Os veículos particulares são igualmente utilizados para a migração pendular, o que intensifica o trânsito em horários de pico, que acontecem até as 9 horas, de manhã, e após as 17 horas. Além dos engarrafamentos que acontecem nas grandes cidades por causa dos deslocamentos entre áreas urbanas, há a intensificação do barulho (poluição sonora) decorrente de buzinas e de motores e a emissão intensa de gases poluentes da atmosfera. As pessoas que realizam a migração pendular são submetidas a situações de estresse ligado ao trânsito.

Exercícios resolvidos sobre migração pendular

Questão 1

(IBFC)

“O fenômeno da mobilidade populacional vem, desde as últimas décadas do século XX, apresentando transformações significativas no seu comportamento, não só no Brasil como também em outras partes do mundo” (IBGE, 2011).

No que se refere à migração pendular, assinale a alternativa correta.

A) É protagonizada por famílias que mudam de forma permanente de uma cidade para outra

B) É um fenômeno que só ocorre nos bairros centrais de cidades com população acima de 100.000 habitantes.

C) Só ocorre em países que possuem invernos rigorosos, como, por exemplo, no Hemisfério Norte.

D) É protagonizada por trabalhadores e estudantes que se deslocam diariamente para trabalhar e estudar em outra cidade e retornam às suas cidades de origem para dormir.

Resolução:

Alternativa D.

A migração pendular é a migração diária que trabalhadores e estudantes realizam de suas casas até seu local de trabalho ou de estudo em outra cidade. Eles retornam para suas cidades de origem apenas para o descanso, e, por isso, elas são apelidadas de cidades-dormitório.

Questão 2

(UFT)

Nas últimas décadas, a questão migratória no Brasil deixou de concentrar-se apenas no clássico movimento rural-urbano que, nos anos 50 e 60, preocupou e mobilizou a maior parte dos estudos. As migrações inter-regional, intra-regional, internacional e a mobilidade pendular (commuting) e a sazonal são cada vez mais reconhecidas como faces distintas desse fenômeno demográfico que aflora e ganha importância qualitativa e quantitativa em função das modificações ocorridas nas dimensões econômica, social e política em nível nacional e internacional.

Fonte: CUNHA, Jose Marcos Pinto da. Migração e urbanização no Brasil: alguns desafios metodológicos para análise.São Paulo em Perspectiva, v. 19, n. 4, p. 3-20, out./dez. 2005.

Assinale a alternativa abaixo que é considerada como fator predominante da intensificação do movimento populacional pendular no Brasil, nas últimas décadas do século XX.

A) O deslocamento de trabalhadores de uma região para outra do país.

B) O crescimento das metrópoles e/ou das regiões metropolitanas.

C) O deslocamento diário de trabalhadores do espaço urbano para o rural.

D) O aumento no tempo de deslocamento entre os pontos de circulação.

E) O deslocamento de jovens para as médias ou grandes cidades para estudo.

Resolução:

Alternativa B.

A expansão das regiões metropolitanas brasileiras intensificou o movimento de pessoas das cidades aos arredores até a cidade principal (a metrópole) para o trabalho ou para os estudos, já que são as metrópoles que concentram um maior número de serviços e de postos de trabalho.

Créditos de imagem

[1] Sven Hansche / Shutterstock

[2] Iara Faga / Shutterstock

Fontes

DANTAS, Eugenia Maria; MORAIS, Ione Rodrigues Diniz; FERNANDES, Maria José da Costa. Geografia da população. Natal: EDUFRN, 2011. 2. ed.

REDAÇÃO. Censo 2022: Como a população se desloca para estudar e trabalhar? IBGE Educa, 10 nov. 2025. Disponível em: https://educa.ibge.gov.br/jovens/materias-especiais/23064-censo-2022-como-a-populacao-se-desloca-para-estudar-e-trabalhar.html.

Escritor do artigo
Escrito por: Paloma Guitarrara Licenciada e bacharel em Geografia pela Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP) e mestre em Geografia na área de Análise Ambiental e Dinâmica Territorial também pela UNICAMP. Atuo como professora de Geografia e Atualidades e redatora de textos didáticos.

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