Império Carolíngio

O Império Carolíngio foi o primeiro império existente na Europa Ocidental após a queda do Império Romano, ocorrida em 476. Edificado entre 800 e 888, o Império Carolíngio conquistou, através de guerras, diversos territórios da Europa Central e Ocidental, levando para essas regiões o cristianismo, muitas vezes, convertendo compulsoriamente as populações recém-conquistadas.

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O primeiro imperador carolíngio foi Carlos Magno, coroado pelo papa no ano 800. Magno uniu os diversos povos francos sob sua liderança e formou um poderoso exército. Durante seu reinado, ocorreu o Renascimento Carolíngio, período no qual as ciências e as artes se desenvolveram no império. Escolas e bibliotecas foram construídas e uma reforma educacional foi implementada em todo o Império Carolíngio.

Na década de 830, o Império Carolíngio entrou em crise devido a disputas políticas entre os descendentes de Carlos Magno, levando inicialmente à divisão do império em três partes e, no final da década de 880, à fragmentação total do território e do império.

Leia também: Império Otomano — um dos impérios mais duradouros da história

Resumo sobre Império Carolíngio

  • Império Carolíngio é o nome do império franco que foi governado por membros da Dinastia Carolíngia.
  • Carlos Martel foi o primeiro grande líder dessa dinastia, daí o seu nome “Carolíngia”.
  • Oficialmente, o Império Carolíngio existiu entre os anos de 800 e 888.
  • Carlos Magno foi o primeiro imperador carolíngio.
  • Por unificar povos da Europa, Carlos Magno ganhou a alcunha de “Pai da Europa”.
  • Os carolíngios foram responsáveis por cristianizar boa parte do continente europeu.
  • Durante o governo de Carlos Magno, os povos sofriam cristianização compulsória.
  • Estátuas, templos e outros locais sagrados de povos considerados pagãos eram destruídos após a conquista Carolíngia.
  • A divisão do território, gueras civis e invasões de outros povos levaram ao colapso do Império Carolíngio.

O que foi o Império Carolíngio?

Império Carolíngio é o nome do império construído pelos francos no século IX, sendo uma evolução do Reino Franco criado no século V. Durante o Império Carolíngio, o Estado franco atingiu sua extensão máxima, na Alta Idade Média. Ao longo de toda a sua existência, o império foi governado pela Dinastia Carolíngia cujo primeiro grande líder foi Carlos Martel. Pepino, o Breve, foi oficialmente o fundador da Dinastia Carolíngia e seu filho, Carlos Magno, o fundador do Império Carolíngio.

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→ Os francos e a origem do Império Carolíngio

Os francos eram originalmente um povo germânico, considerado bárbaro pelos romanos. Mas, desde a conquista da Gália, os francos passaram por um processo de romanização, adotando, ao longo do tempo, diversas tradições romanas, entre elas o cristianismo.

Clóvis foi o primeiro rei dos francos, coroado em 481 após unir sob sua autoridade diversos povos francos. Ele se converteu ao cristianismo quinze anos depois, em 496, recebendo apoio da Igreja Católica e dos cristãos que viviam no reino franco. Clóvis deu origem à Dinastia Merovíngia, considerada a primeira a governar a França.

Entretanto, ocorreu que, gradativamente, os reis merovíngios foram perdendo poder político para os “prefeitos do palácio”, também chamados “mordomos do palácio”. No início da Dinastia Merovíngia, o prefeito do palácio era uma espécie de administrador do castelo real. Porém, no início do século VIII, ele tinha mais poder do que o rei. O poder do mordomo do palácio era semelhante ao poder dos primeiros-ministros nas atuais monarquias constitucionais.

Carlos Martel ocupou o cargo de prefeito do palácio no século VIII e liderou os francos na célebre Batalha de Poitiers, também chamada de Batalha de Tours. Nela, os francos venceram os muçulmanos que avançavam sobre a Europa Ocidental, após terem conquistado a Península Ibérica.

A batalha, para muitos historiadores, é considerada de fundamental importância para a preservação do cristianismo na Europa. Após a morte de Carlos Martel, seu filho, Pepino III, foi corado rei dos francos, no ano 751 d.C., iniciando oficialmente a Dinastia Carolíngia.

A pintura retrata o marco inicial do Império Carolíngio: a coroação de Carlos Magno pelo papa, no ano 800. [imagem_principal]
A pintura retrata o marco inicial do Império Carolíngio: a coroação de Carlos Magno pelo papa, no ano 800.

O filho de Pepino, Carlos Magno, o “Pai da Europa”, assumiu o trono em 768 e, no ano de 800, foi coroado imperador pelo papa. Esse foi o marco inicial do Império Carolíngio.

→ Videoaula sobre os francos

Características do Império Carolíngio

A primeira característica do Império Carolíngio foi sua política expansionista. Antes mesmo do Império ser fundado, Carlos Magno iniciou uma política de conquista de territórios e a difusão do cristianismo na Europa. Durante o império, os francos conquistaram regiões que atualmente correspondem aos territórios da atual França, Bélgica, Luxemburgo, Suíça, Áustria, além de partes da Espanha, Croácia e Itália.

Mapa do Império Carolíngio em sua extensão máxima.
Império Carolíngio em sua extensão máxima.[1]

Para conquistar essas regiões, os carolíngios contavam com um poderoso exército, bem equipado e organizado, cujo comandante principal era o imperador.

Durante o governo de Carlos Magno, os proprietários de terra eram obrigados por lei a servirem o exército, sendo responsáveis por custear a montaria, armadura, armas e todos os outros gastos envolvidos na sua participação na guerra, como alimentação e o pagamento de um escudeiro. Esses nobres cavaleiros compunham a scara, uma espécie de tropa de elite do exército carolíngio.

Veja também: Igreja Medieval — o poder e a influência da Igreja Católica na Idade Média

Carlos Magno e o Império Carolíngio

Carlos Magno foi coroado como o segundo rei carolíngio em 768 d.C., quando seu pai, Pepino III, faleceu. Ao assumir o trono, Carlos Magno tratou de garantir sua autoridade sobre todos os povos francos, unificando-os em 773. No mesmo ano, ele recebeu um pedido do papa para que os francos reprimissem o Reino Lombardo, que havia conquistado territórios da Igreja no Norte da Itália.

Os francos atacaram os lombardos, venceram-nos e capturaram seu rei. Carlos Magno proclamou-se o novo monarca após a conquista, tornando-se rei dos francos e dos lombardos.

Gravura representando Carlos Magno, rei do Império Carolíngio.
Carlos Magno foi o primeiro imperador carolíngio. Ele ganhou a alcunha de “Pai da Europa”.

Em 788, os exércitos comandados pelo rei carolíngio conquistaram a região da Bavária, destruindo locais de culto considerados pagãos e impondo o cristianismo aos derrotados; em 776, derrotou os ávaros, que habitavam regiões das atuais Hungria e Áustria; em 801, tropas de Carlos Magno avançaram sobre os muçulmanos na Espanha, sendo derrotadas em batalha.

Sem chance de avançar sobre a Península Ibérica, Carlos Magno criou a “Marca Hispânica”, uma zona altamente militarizada, com diversos fortes, criada com o objetivo de evitar uma invasão muçulmano ao Reino dos Francos.

Igreja Católica e o Império Carolíngio

Desde a Dinastia Merovíngia, existia uma aliança entre o Reino dos Francos e a Igreja Católica: os francos garantiam o exército necessário para a expansão do cristianismo na Europa e a Igreja legitimava a Dinastia Carolíngia, além de unir os francos em torno da mesma crença.

Os francos foram fundamentais na contenção da expansão islâmica na Europa, quando venceram a Batalha de Tours, em 732. Eles também foram fundamentais para a expansão e consolidação do cristianismo em toda a Europa. Desde que chegou ao poder, Carlos Magno iniciou uma guerra santa contra povos considerados pagãos, principalmente os saxões, realizando conversões forçadas, promovendo massacres, derrubando estátuas e destruindo locais sagrados.

Após a conquista militar promovidas pelo Império Carolíngio, cabia à Igreja enviar missionários para catequizar os povos vencidos, assim como construir igrejas e organizar administrativamente o novo território do império.

Pintura que mostra Carlos Magno, do Império Carolíngio, assistindo à derrubada de uma estátua “pagã”.
Na pintura, Carlos Magno observa a destruição da estátua do deus Krodo. Ao fundo, uma igreja é edificada.

Alcuíno de Iorque, um clérigo católico, conheceu Carlos Magno no final do século VIII, no Norte da Itália, e foi nomeado pelo imperador como chanceler do rei. Alcuíno foi o responsável por uma reforma educacional, construindo escolas, centros educacionais e difundido o latim por todo o império. Nas escolas carolíngias, controladas na maioria das vezes pela Igreja, os alunos aprendiam o Trivium (gramática, retórica e dialética) e o Quadrivium (aritmética, geometria, astronomia e música).

Ao difundir o cristianismo pela Europa, Carlos Magno foi responsável por criar identidade entre os diferentes povos do continente, por esse motivo ele é conhecido como o “Pai da Europa”.

Trono de Carlos Magno, rei do Império Carolíngio, exposto na Catedral de Aachen, na Alemanha
Trono de Carlos Magno exposto na Catedral de Aachen, na Alemanha.[2]

Quem governou o Império Carolíngio depois de Carlos Magno?

Carlos Magno faleceu, provavelmente de alguma infecção pulmonar, no ano de 814, na cidade de Aachen, cidade tida como a capital do Império Carolíngio. Após sua morte, seu filho, Luís, o Piedoso, herdou o poder sobre o vasto império, mas enfrentou revoltas em diversas regiões. Durante o seu reinado, Luís I dividiu o império em três regiões administrativas, cada uma delas governada por um de seus filhos:

  • a Frância Ocidental ficou sob o governo de Carlos, o Calvo;
  • a Frância Oriental sob Luís, o Germânico; e
  • a Frância Central sob a autoridade de Lotário.

Com a morte do imperador Luís, o Piedoso, em 840, iniciou-se a guerra civil na qual os três filhos do imperador entraram em conflito. A guerra se encerrou em 843, quando o Tratado de Verdun, que reconhecia os três reinos francos, foi assinado. A divisão enfraqueceu os monarcas e, ao mesmo tempo, fortaleceu os senhores locais, consolidando o sistema que conhecemos atualmente como feudalismo.

A guerra civil, além de enfraquecer politicamente os monarcas francos, também enfraqueceu militarmente o império e as três partes dele passaram a ser invadidas por muçulmanos, vikings e magiares (ancestrais dos atuais húngaros).

Fim do Império Carolíngio

O último imperador carolíngio foi Carlos, o Gordo, que governou até seu falecimento em 888. Após sua morte, cada região do Império escolheu seu próprio monarca, levando à origem de diversos reinos e ao fim do Império Carolíngio.

Na pintura, o rei Luís I abençoa as três partes do Império Carolíngio e seus três filhos.
A divisão do Império Carolíngio enfraqueceu os monarcas, causou conflito entre eles e levou o império à ruína.

Grosso modo, a Frância Ocidental foi o embrião da atual França e, a Frância Oriental da atual Alemanha.

Saiba mais: Constantino — o primeiro imperador romano a se converter ao cristianismo

Exercícios resolvidos sobre Império Carolíngio

Questão 1 - (UFRN) No ano de 786, Carlos Magno afirmou:

A nossa função é, segundo o auxílio da divina piedade, (...) defender com as armas e em todas as partes a Santa Igreja de Cristo dos ataques dos pagãos e da devastação dos infiéis.

PINSKY, Jaime (Org.). O modo de produção feudal. 2. ed. São Paulo: Global, 1982. p. 101.

O fragmento acima expressa a orientação política do Império Carolíngio no governo de Carlos Magno. O objetivo dessa política pode ser definido como um(a):

a) esforço para estabelecer uma aliança entre os carolíngios e a Igreja bizantina para fazer frente ao crescente poderio papal.

b) intenção de anexar a Península Ibérica aos domínios do papado, com a finalidade de impedir o avanço árabe.

c) desejo de subordinar os domínios bizantinos à Dinastia Carolíngia, no intuito de implantar uma teocracia centralizada no Imperador.

d) tentativa de restaurar o Império Romano, com vistas a promover a união da cristandade da Europa Ocidental.

Resposta: Alternativa D

O Império Carolíngio, cujo fundador foi Carlos Magno, foi responsável pela preservação e difusão do cristianismo pela Europa Central e Ocidental. Foi através das armas que Carlos Magno impôs o cristianismo em boa parte da Europa.

Questão 2 - (UFMS/2004) Acerca da história do Império Carolíngio, é correto afirmar que:

a) o papa Leão III corou Carlos Magno como Imperador do “Novo Império Romano do Oriente”, cuja capital passou a ser Constantinopla.

b) o chamado “Renascimento Carolíngio” também significou um reflorescimento das Letras e das Artes.

c) após a morte de Carlos Magno, o governo foi exercido por seu filho Luís, o Piedoso, que intensificou ainda mais as expedições de conquista.

d) Carlos, o Calvo, e Luís, o Germânico, somaram esforços no sentido de manter a unidade imperial estabelecida por Luís, o Piedoso.

e) o “Novo Império Romano do Oriente” foi desmantelado pelos exércitos muçulmanos que se estabeleceram na Península Ibérica.

Resposta: Alternativa B

Durante o Renascimento Carolíngio houve uma verdadeira reforma educacional com o objetivo de ampliar o número de alfabetizados entre os francos, principalmente entre as autoridades eclesiásticas. Para atingir tais objetivos, foram edificadas escolas, bibliotecas e outros espaços educacionais.

Créditos das imagens

[1] Wikimedia Commons (reprodução)

[2] puntacristo / Shutterstock

Fontes

GOFF, Jaques Le. O Deus da Idade Média. Editora Record, São Paulo, 2006.

GOFF, Jaques Le. Em busca da Idade Média. Editora Civilização Brasileira, Rio de Janeiro, 2016.

Escritor do artigo
Escrito por: Jair Messias Ferreira Junior Pós-graduado em História pela Unicamp e professor da Educação Básica há mais de 20 anos. Também é formador de professores e produtor de materiais didáticos há mais de 10 anos.

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