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Congresso de Viena

Congresso de Viena reuniu dirigentes dos países europeus para redefinirem o mapa do continente após as Guerras Napoleônicas.
Governantes no Congresso de Viena, 1814.
Governantes no Congresso de Viena, 1814.

O Congresso de Viena, na verdade, foi uma série de conferências realizadas pelos reis e rainhas, ou seja, os defensores do Estado absolutista, entre os anos de 1814 e 1815, que visavam a restaurar seus poderes, a legitimidade e o equilíbrio (na visão deles) na Europa após a difusão dos ideais liberais da Revolução Francesa e as deposições ocasionadas por Napoleão nas Guerras Napoleônicas.

O evento redividiu o mapa europeu, redistribuindo terras e territórios entre os países que participaram e outros. Suas consequências chegaram a outros continentes, como América e África, tendo em vista que se proibiu o tráfico negreiro.

Leia também: Era Napoleônica — o período em que Napoleão Bonaparte esteve no poder

Resumo sobre o Congresso de Viena

  • O Congresso de Viena foram várias conferências, nos anos 1814 e 1815, entre monarcas da Europa após as Guerras Napoleônicas.

  • Os países participantes foram: Áustria, Prússia, Rússia, Portugal, Grã-Bretanha e França.

  • O evento visava a restituir reis e rainhas que Napoleão havia deposto nas guerras e redefinir as fronteiras dos territórios tomados.

  • A Revolução Francesa também é um antecedente a ser considerado no Congresso de Viena, porque suas ideias também eram temidas.

  • O objetivo principal do Congresso era reestabelecer o Antigo Regime (ou seja, a monarquia europeia) e não deixar que ideais liberais se espalhassem.

  • Entre outras definições importantes do Congresso, destacou-se a Santa Aliança, uma junta militar de proteção a qualquer país que se visse ameaçado por possíveis revoluções.

  • O evento fez uma nova divisão geográfica na Europa e recolocou monarcas no poder.

Antecedentes históricos do Congresso de Viena

Se quisermos saber os antecedentes históricos do Congresso de Viena, temos que voltar à Revolução Francesa e às Guerras Napoleônicas. Isso porque o Congresso, que foi um conjunto de conferências, na verdade, visava a combater esses dois fatos históricos e suas influências no continente europeu.

Desde 1789, o lema “igualdade, liberdade e fraternidade” da França revolucionária ganhava cada vez mais adeptos Europa afora. Isso preocupava muito os monarcas, afinal, viam seus poderes também ameaçados.

O temor aumentou no período subsequente à revolução: as Guerras Napoleônicas, que foram consequência dela. Napoleão se colocou contra diversos países europeus e conseguiu várias vitórias. Assim, as monarquias se encontravam ainda mais intimidadas e precisavam reagir. Daí veio a ideia da Santa Aliança e do Congresso de Viena.

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Santa Aliança

O acordo político feito por reis e rainhas após a última derrota de Napoleão foi chamado de Santa Aliança. Ele aconteceu em 1815 e, fundamentalmente, prometia ajuda militar para todos os reinos que fossem ameaçados por revoltas, revoluções ou mesmo apenas pela ascensão de ideários diferentes dos que buscavam estabelecer. Tratava-se do Antigo Regime, anterior à Revolução Francesa (de 1789 a 1799) e às Guerras Napoleônicas (de 18 de maio de 1803 a 20 de novembro de 1815).

A Santa Aliança influenciou também as Américas, pois determinava que Espanha e Portugal deveriam retomar suas colônias que tinham tentado (ou conseguido) independência. Em alguns casos, isso foi possível, em outros, não.

Objetivos do Congresso de Viena

As conferências de 1814 e 1815 do Congresso de Viena objetivavam “mudar para continuar o mesmo”, ou seja, queriam reconstituir a política que existia antes da Era Napoleônica. Almejavam também restaurar o absolutismo onde Napoleão havia destronado reis.

Queriam impedir que os ideais liberais da Revolução Francesa se espalhassem por todo o continente, bem como reestabelecer a fé cristã, negando a separação entre religião e Estado. Com isso, acabaram por, ainda, redirecionar o quadro geográfico da Europa. Em suma, seus objetivos principais eram: a restauração, a legitimidade e o equilíbrio europeu.

Países que participaram do Congresso de Viena

Áustria, Prússia, Rússia, Portugal, Grã-Bretanha e França participaram do Congresso de Viena e mudaram a geopolítica europeia em 1814-1815. Todos eram países que tinham sido invadidos pelas tropas napoleônicas em período anterior.

Quais foram as decisões do Congresso de Viena?

As decisões tomadas no Congresso de Viena foram baseadas em três princípios — do equilíbrio, da restauração e da legitimidade —, ou seja: reorganizaram de maneira equilibrada poderes político-econômicos, dividindo territórios de alguns países; restauraram a ordem que existia antes de 1789, para impedir que levantes antirregime acontecessem novamente; impediram também o avanço liberal; por fim, deram legitimidade aos reis e às fronteiras de antes da Revolução Francesa.

Leia também: Império Napoleônico e a consolidação burguesa

Quais foram as consequências do Congresso de Viena?

O Congresso de Viena, como vimos, desde o começo, buscou recompor as dinastias do Antigo Regime. Isso ocasionou certo veto à França, considerada revolucionária demais para o conservadorismo almejado. A Inglaterra, de maneira geral, acabou levando mais vantagens naquele cenário. Ele também extinguiu o tráfico negreiro, o que gerou consequências na África e nas Américas.

Entre os países participantes, relembrando: Áustria, Prússia, Rússia, Portugal, Grã-Bretanha e França, veremos o que cada um e outros tiveram como consequência:

  • Áustria: na divisão do mapa, ficou com a península Itálica e a Galiza, na Polônia.

  • Prússia: ficou com alguns Estados alemães e se tornou muito potente.

  • Portugal: abdicou, forçadamente, da Guiana na América (hoje, Guiana Francesa) para a França. Antes ela era parte do Brasil.

  • Grã-Bretanha: ficou com as ilhas Maurício, Tobago e Santa Luiza quando derrotou as tropas napoleônicas.

  • França: retornou à dinastia Bourbon. Além disso, nos Estados alemães, foi criada a Confederação Alemã, que reduziu os Estados de 300 para 39. Isso seria fundamental, mais à frente, no processo de unificação.

  • Espanha: refez-se o reino de Fernando VII.

Exercícios resolvidos sobre o Congresso de Viena

Questão 1

(PUC RJ)

O Congresso de Viena, concluído em 1815, após a derrota de Napoleão Bonaparte, baseou-se em três princípios políticos fundamentais. Assinale a opção que apresenta corretamente esses princípios.

a) Liberalismo, democracia e industrialismo.

b) Socialismo, totalitarismo e controle estatal.

c) Restauração, legitimidade e equilíbrio europeu.

d) Conservadorismo, tradicionalismo e positivismo.

e) Constitucionalismo, federalismo e republicanismo.

Resolução:

Letra B. Restauração, legitimidade e equilíbrio europeu, conforme vimos no tópico “Objetivos do Congresso de Viena”.

Questão 2

(UFJF MG)

A Revolução Francesa marcou o colapso do Antigo Regime e o advento do liberalismo. Mas essas transformações não se processaram sem recuos. A fase da restauração europeia e do Congresso de Viena constitui evidência dessa afirmativa.

Sobre essa fase, assinale a alternativa CORRETA:

a) restaurou-se a ordem burguesa europeia, consagrando-se os princípios da Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão.

b) restabeleceu-se o “sistema europeu” sob a égide da Alemanha, possuidora de vasto império naval.

c) procurou-se restaurar o princípio da legitimidade das dinastias reinantes do Antigo Regime, gerando uma barreira conservadora em torno da França, o que beneficiou, principalmente, a Inglaterra.

d) o Congresso de Viena, contrário à restauração dos Bourbons, consagrou a reorganização europeia sob o domínio napoleônico.

Resolução:

Letra C. Procurou-se restaurar o princípio da legitimidade das dinastias reinantes do Antigo Regime, gerando uma barreira conservadora em torno da França, o que beneficiou, principalmente, a Inglaterra, conforme vimos no item “Quais foram as consequências do Congresso de Viena”.

Publicado por Mariana de Oliveira Lopes Barbosa

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