Nobreza
A nobreza era uma classe social que fazia parte da aristocracia de diferentes sociedade na Antiguidade, muito embora esse conceito esteja ligado principalmente com a sociedade europeia durante os períodos da Idade Média e da Idade Moderna. Era a classe dominante, tendo o seu poder ligado à terra.
A posse da terra era um meio pelo qual a nobreza obtinha sua riqueza, possuindo um prestígio social que era transmitido hereditariamente, garantindo a perpetuação desse prestígio e dos privilégios inerentes a essa classe. Na Idade Média, também era atribuída à nobreza a ideia de bellatores, guerreiros.
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Resumo sobre a nobreza
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A nobreza era uma classe social que ocupava posição na aristocracia de diferentes sociedades.
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A ideia de nobreza já estava presente na Antiguidade.
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A posição social da nobreza é fortemente relacionada com a Idade Média e com a Idade Moderna.
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Essa classe social tinha posse da terra, ocupava funções importantes e possuía privilégios sociais.
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A partir da Idade Média, o prestígio da nobreza era transmitido hereditariamente.
O que é a nobreza?
A nobreza era uma classe social que fazia parte da aristocracia de diferentes locais na Antiguidade e na Europa durante os períodos da Idade Média e da Idade Moderna. Essa classe é entendida como um dos grupos dominantes, estando abaixo apenas do rei e de sua família. A nobreza era a classe possuidora das terras, possuindo uma grande quantidade de bens, além de possuírem privilégios na sociedade e de ocuparem funções importantes na manutenção do reino.
A condição da nobreza também era marcada pelo fato de ser transmitida hereditariamente, portanto, os herdeiros das famílias nobres mantinham o status, a riqueza e o prestígio que seus pais e seus antepassados possuíam. A nobreza, no entanto, não era uma classe homogênea, possuindo gradações e níveis que expressavam o nível de riqueza, de poder e de prestígio que uma família possuía.
Características da nobreza
Enquanto classe social, a nobreza ocupava a posição de classe dominante possuindo como características:
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Linhagem: em grande parte, a nobreza era um status social que era herdado por sua origem familiar, sendo, portanto, transmitido de maneira hereditária. Sendo assim, os nobres de um determinado período pertenciam a famílias que ocupavam essa posição social havia séculos.
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Posses: em geral, a nobreza era uma classe possuidora de terras que haviam sido herdadas de muitas gerações ou que haviam sido doadas por determinado monarca. As terras da nobreza eram o meio pelo qual essa classe obtinha sua riqueza. Na Idade Média, por exemplo, essas terras eram conhecidas como feudos.
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Privilégios de classe: a nobreza possuía privilégios concedidos por lei, como, por exemplo o direito de explorar o trabalho dos servos e de lhe cobrar impostos. Além disso, o status dessa classe garantia a eles acesso a importantes funções no reino.
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Prestígio social: a nobreza fazia questão de diferenciar-se dos servos, da plebe e dos camponeses por meio de suas vestimentas e dos seus costumes. Comportar-se e aparentar-se diferente das classes subalternas eram formas de reforçar o prestígio de sua classe e de sua condição.
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Quem eram os nobres?
A ideia de nobreza estava presente em diferentes povos e em diferentes períodos, embora a ideia de nobreza esteja fortemente relacionada com a aristocracia europeia da Idade Média e Idade Moderna que possuía forte ligação com as monarquias existentes. Essa classe, como mencionado, era donas de terras, herdadas de gerações ou obtidas a partir das relações com a realeza.
A posse da terra garantia a essa classe a riqueza que mantinha sua posição, dando-lhes uma vida luxuosa. Nessas terras, o trabalho dos servos e camponeses era intensamente explorado, além de ser essa a classe que ocupava as posições mais importantes no reino. Durante a Idade Média, a nobreza era vista como a classe que era detentora do poderio militar e defensora daquele status quo e do cristianismo.
A ideia da nobreza como uma classe distinta e elevada na Idade Média, provavelmente, foi derivada da ideia de nobilitas dos romanos, um título atribuído a pessoas importantes que se destacam na sociedade por diversos fatores, como riqueza, influência política, vasto conhecimento, sendo muito associado com as famílias patrícias.
Acredita-se, inclusive, que a nobreza medieval, em partes, era descendente das famílias mais poderosas dos patrícios romanos. A influência das posses dessas famílias patrícias mais poderosas garantiu a eles a manutenção do status de uma aristocracia na sociedade medieval.
Nobreza na Idade Média
A nobreza era uma das classes que formavam a sociedade medieval, sendo uma classe dominante e que exercia o controle daquela sociedade juntamente das realezas. A sociedade medieval era marcada por sua estratificação e por sua pouquíssima mobilidade social. Existiam, de maneira genérica, três classes sociais: a nobreza, o clero e os servos e os camponeses.
Essa tripartição da sociedade medieval foi bastante explorada pela nobreza e pela Igreja Católica, sendo desenvolvido todo um arcabouço ideológico que buscava justificar a exploração que a nobreza e o clero faziam com os servos e com os camponeses. Essa divisão estabelecia que cada classe social cumpria um propósito estabelecido por Deus.
Nessa ideologia estabelecida na Idade Média, a função do claro era orar (oratores), a função dos servos era trabalhar (laboratores) e a função da nobreza era guerrear para defender a ordem cristã (bellatores). Assim, na Idade Média, a nobreza era fortemente ligada com o poderio militar, usando-o em benefício próprio ou dos monarcas por meio de acordos de vassalagem.
Na Idade Média, a transmissão do título de nobreza pela hereditariedade tornou-se a norma, sendo, portanto, a linhagem um definidor de nobreza importante, assim como as riquezas por meio da posse da terra, os cargos exercidos na administração do reino, a manutenção de um exército privado etc.
Qual era a função da nobreza?
A nobreza era a classe dos bellatores, isto é, a classe dos guerreiros que lutavam para defender a ordem cristã na Europa da Idade Média. Essa ideia fortaleceu-se, principalmente, após as Cruzadas, quando a nobreza europeia mobilizou-se para lutar contra os muçulmanos na Ásia.
Essa ideia era utilizada para justificar o controle sobre os camponeses, forçando essa classe a aceitar a sua exploração. Além disso, a nobreza mantinha posições nos reinos medievais, atuando na administração do reino.
Títulos de nobreza
Uma das formas a partir das quais a nobreza mantinha o seu prestígio era por meio dos títulos, que eram concedidos a membros da nobreza e que eram um sinalizador da importância que esse membro possuía naquela sociedade. Esses títulos traziam mais privilégios à nobreza, dando aos membros terras e funções importantes.
Esses títulos variavam de reino para reino, mas, em geral, seguiam essa classificação:
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duque;
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marquês;
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conde;
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visconde;
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barão.
Fontes
FRANCO JUNIOR, Hilário. A Idade Média: nascimento do Ocidente. São Paulo: Brasiliense, 2006.
LE GOFF, Jacques. As raízes medievais da Europa. Petrópolis: Vozes, 2011.
LE GOFF, Jacques. A civilização do Ocidente medieval. Petrópolis: Vozes, 2016.