Paulo Leminski

Paulo Leminski foi um dos mais expressivos poetas de sua geração. Sua obra literária estabelece um interessante diálogo com a música, a publicidade e o humor.

Paulo Leminski, ao lado de nomes como Clarice Lispector, Mario Quintana e Caio Fernando Abreu, está entre os escritores mais populares e queridos pelo público brasileiro. Prova disso é que, mesmo depois de tantos anos de sua morte, Paulo continua contemporâneo, passeando com sua irreverência e descontração poética pelas diferentes redes sociais, conquistando leitores das mais variadas faixas etárias, principalmente jovens, cada vez mais interessados em sua obra.

Leminski não era um escritor convencional, desses que conquistam a Academia e a unanimidade entre a crítica e o público. Como um típico representante da poesia marginal e, por isso, muito distante de qualquer cânone literário, Leminski subverteu a forma, brincou com a poesia visual, resgatou o haikai (poemas pequenos, com métrica e moldes orientais) e incorporou elementos da publicidade, da música, do cartum e do humor na construção de uma prosa e poesia marcadas por seu incontestável poder de síntese. Embora a linguagem enxuta, cada palavra na obra de Leminski é repleta de significação e capaz de provocar reflexão e conquistar o leitor.

O escritor faleceu precocemente, aos quarenta e quatro anos, no dia 07 de junho de 1989, mas deixou uma peculiar contribuição para a história da literatura brasileira. Sua simplicidade nada simplória, na verdade, é prova de sua sofisticação literária. Para que você conheça um pouco mais o universo literário do escritor, jornalista e poeta, o Mundo Educação selecionou alguns dos melhores poemas de Paulo Leminski para você ler e apreciar. Boa leitura!

Incenso fosse música. In Toda Poesia, Paulo Leminski. Editora Companhia das Letras **
Incenso fosse
música. In Toda Poesia, Paulo Leminski. Editora Companhia das Letras **

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Bem no fundo

No fundo, no fundo,
bem lá no fundo,
a gente gostaria
de ver nossos problemas
resolvidos por decreto

a partir desta data,
aquela mágoa sem remédio
é considerada nula
e sobre ela — silêncio perpétuo

extinto por lei todo o remorso,
maldito seja quem olhar pra trás,
lá pra trás não há nada,
e nada mais

mas problemas não se resolvem,
problemas têm família grande,
e aos domingos
saem todos a passear
o problema, sua senhora
e outros pequenos probleminhas.

Paulo Leminski

O que quer dizer. In Toda Poesia, Paulo Leminski. Editora Companhia das Letras
O que quer dizer.
In Toda Poesia, Paulo Leminski. Editora Companhia das Letras

Dor elegante

Um homem com uma dor
É muito mais elegante
Caminha assim de lado
Com se chegando atrasado
Chegasse mais adiante

Carrega o peso da dor
Como se portasse medalhas
Uma coroa, um milhão de dólares
Ou coisa que os valha

Ópios, édens, analgésicos
Não me toquem nesse dor
Ela é tudo o que me sobra
Sofrer vai ser a minha última obra.

Paulo Leminski

Paulo Leminski foi um dos mais expressivos poetas de sua geração
Paulo Leminski foi um dos mais expressivos poetas de sua geração

* A imagem que ilustra o artigo é capa da biografia de Paulo Leminski, O bandido que sabia latim, do escritor Toninho Vaz, Editora Record.
* * Imagem feita a partir da capa do livro Toda Poesia, Paulo Leminski. Editora Companhia das Letras.

Paulo Leminski nasceu em Curitiba, no dia 24 de agosto de 1944. Faleceu aos 44 anos, no dia 07 de junho de 1989
Paulo Leminski nasceu em Curitiba, no dia 24 de agosto de 1944. Faleceu aos 44 anos, no dia 07 de junho de 1989
Publicado por: Luana Castro Alves Perez
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Lista de Exercícios

Questão 1

(Mackenzie – 2014)

O assassino era o escriba

Meu professor de análise sintática era o tipo do sujeito inexistente.
Um pleonasmo, o principal predicado de sua vida,
regular como um paradigma da 1ª conjunção.
Entre uma oração subordinada e um adjunto adverbial,
ele não tinha dúvidas: sempre achava um jeito
assindético de nos torturar com um aposto.
Casou com uma regência.
Foi infeliz.
Era possessivo como um pronome.
E ela era bitransitiva.
Tentou ir para os EUA.
Não deu.
Acharam um artigo indefinido na sua bagagem.
A interjeição do bigode declinava partículas expletivas,
conectivos e agentes da passiva o tempo todo.
Um dia, matei-o com um objeto direto na cabeça.

Paulo Leminski

Sobre o texto de Paulo Leminski todas as alternativas estão corretas, EXCETO

a) a terminologia sintática e morfológica, que em um primeiro momento é motivo de estranhamento, concede o efeito de humor ao poema.

b) o eu lírico demonstra por meio da composição de texto pessoal e confessional o seu desconhecimento gramatical.

c) nos primeiros sete versos o eu-lírico apresenta seu professor, que, por meio de suas ações e funções, é caracterizado como um torturador.

d) entre os versos 8 e 16 o leitor toma consciência de todos os fracassos que compuseram a vida do professor.

e) o texto é estruturado em forma de narrativa policial, mas em função de sua organização gráfica, métrica e rítmica é considerado um poema.

Questão 2

O assassino era o escriba

Meu professor de análise sintática era o tipo do sujeito inexistente.
Um pleonasmo, o principal predicado de sua vida,
regular como um paradigma da 1ª conjunção.
Entre uma oração subordinada e um adjunto adverbial,
ele não tinha dúvidas: sempre achava um jeito
assindético de nos torturar com um aposto.
Casou com uma regência.
Foi infeliz.
Era possessivo como um pronome.
E ela era bitransitiva.
Tentou ir para os EUA.
Não deu.
Acharam um artigo indefinido na sua bagagem.
A interjeição do bigode declinava partículas expletivas,
conectivos e agentes da passiva o tempo todo.
Um dia, matei-o com um objeto direto na cabeça.

Paulo Leminski

Pelos versos, percebe-se que a poesia de Leminski:

a) mantém relação com a geometrização das formas e volumes cubistas.

b) tem como base os dilemas financeiros do ser humano.

c) valoriza a concisão e é transgressora.

d) é composta por uma observação rigorosa do mundo material.

e) é composta por personagens positivamente idealizados.

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