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Carta aberta

Carta aberta é um gênero textual voltado para um grande público. Nele, o autor opina a fim de convencer seu destinatário sobre um tópico ou uma reivindicação.
A carta aberta é uma forma de participar do debate público.
A carta aberta é uma forma de participar do debate público.

A carta aberta é uma modalidade de texto em prosa cuja função é fazer uma solicitação, reivindicar ou opinar sobre um assunto de grande relevância. Ela é destinada a uma audiência ampla e sua temática geralmente envolve questões de interesse social.

A estrutura da carta aberta segue os mesmos critérios das cartais pessoais, sendo que a principal diferença está no seu objetivo. Como pretende convencer seu destinatário, a carta aberta possui, predominantemente, caráter argumentativo.

Leia também: Carta argumentativa — gênero de natureza persuasivo-argumentativa

Resumo sobre carta aberta

  • A carta aberta é um texto com função social utilizado em solicitações ou reclamações sobre circunstâncias ou assuntos específicos que atinjam um determinado grupo;

  • Pode ser escrita por autoridades, organizações não governamentais (ONGs), sindicatos ou qualquer pessoa que deseje exercer sua cidadania;

  • Apresenta a seguinte estrutura: título, introdução, desenvolvimento, conclusão, despedida, assinatura e identificação de local e data;

  • Trata de uma reivindicação específica e elenca argumentos para convencer seus leitores.

Videoaula sobre a carta aberta

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O que é carta aberta?

A carta aberta é um texto com a função de defender uma opinião para convencer seu destinatário. Quanto a seu leitor, a carta aberta se diferencia da carta pessoal pois aquela é direcionada a uma audiência ampla — os moradores de um bairro, a prefeitura ou mesmo toda a população brasileira. Assim, nesse gênero textual prevalece a argumentação.

Esse tipo de carta é constantemente utilizado por figuras de autoridade, como presidentes, escritores, organizações não governamentais, ativistas ou, ainda, indivíduos exercendo seus deveres cívicos.

Uma das cartas abertas mais famosas é a Carta da Prisão de Birmingham, escrita por Martin Luther King Jr., publicada em 16 de abril de 1963, que trata das injustiças contra a população negra nos Estados Unidos.

Em termos práticos, a carta aberta pode ser escrita por todos aqueles que desejam solicitar algo às autoridades, ou mesmo promover um debate público acerca de determinado assunto de grande relevância. A carta aberta, portanto, tem função social.

Leia também: Carta de reclamação — gênero textual que expressa uma insastifação

Estrutura e características da carta aberta

A carta aberta é formada, essencialmente, por:

  • Título

Deve-se apresentar um título curto e objetivo. Em diversos casos, a própria modalidade de texto é explicitada no título (o uso do termo “carta aberta”); logo depois, seu destinatário. Alguns exemplos são:

  • “Carta aberta à população quilombola”

  • “Carta ao povo brasileiro”

  • “Carta aos moradores de Gurupi”

  • Introdução

A introdução é o espaço para apresentação do tema e de argumentos que situem o leitor do conteúdo a ser abordado no desenvolvimento. A introdução é breve e serve como uma forma de apresentar um panorama.

  • Desenvolvimento

É no desenvolvimento que será exposta de maneira mais detalhada a exigência em questão, bem como os argumentos a serem utilizados para defendê-la. Nessa parte, o autor pode usar informações como dados estatísticos e inserir no texto a opinião de autoridades para embasar seu ponto de vista e convencer o leitor.

  • Conclusão

É a última parte da carta. O autor encerra sua argumentação e pode apresentar possíveis soluções para o problema. Em uma carta aberta em que um grupo de moradores reivindicam melhorias no bairro à prefeitura, por exemplo, a conclusão pode enfatizar às autoridades o papel que lhes foi atribuído e não cumprido.

  • Despedida

Trata-se de uma formalidade que serve para o remetente fazer um agradecimento e se despedir. Em geral, utiliza-se o termo “atenciosamente”.

  • Assinatura

É a marca de autoria da carta. O autor pode ser uma pessoa exercendo seu direito cívico, um grupo, instituições ou órgãos que pretendem realizar um debate mais amplo sobre determinado assunto.

  • Local e data

Assim como a carta pessoal, a carta aberta identifica local e data. Esse elemento pode ser incluído ao final da carta, com o mês escrito por extenso (exemplo: Brasília, 20 de agosto de 2021).

Leia também: Como começar uma redação?

Como se faz uma carta aberta?

Conforme mencionado, a carta aberta possui duas características essenciais: ela é um texto predominantemente argumentativo e possui função social. Com essas duas informações em mente, a organização do texto deve conter uma tese principal, isto é, o ponto de vista ou reivindicação a ser feita pelo remetente.

Com a tese/reivindicação definida, é preciso selecionar e organizar os argumentos a serem utilizados no intuito de convencer o(s) destinatário(s). A argumentação deve ser desenvolvida a partir da organização estrutural da carta.

A primeira parte da carta é o título. É importante identificar logo de início a quem a carta é direcionada. Na etapa seguinte, a introdução, é necessário fazer uma breve apresentação da tese, sem entrar em detalhes. É no desenvolvimento que o remetente deve expor argumentos, baseado em dados e informações significativas, para fazer com que o leitor adira à causa em questão. Na conclusão, são retomadas informações importantes do desenvolvimento e, se for o caso, apresentada uma possível solução para o problema. Por fim, é necessário identificar-se e apontar local e data.

Exemplos de carta aberta

Carta Aberta à Secretaria de Agricultura do Estado do Ceará

A comunidade agrícola de Barreirinha vem a público demonstrar sua indignação diante da falta de compromisso da Secretaria de Agricultura em não pôr em prática o que ficou acordado entre os agricultores e a diretoria desta secretaria. Os recursos financeiros para a aquisição de maquinaria e o incentivo à produção de mamona não são suficientes para os agricultores assegurarem a produção.

Na reunião, datada de 20/06/2007, ficou a Secretaria disponível a liberar para a comunidade a quantia de 2 milhões de reais. O presidente da comunidade, ao verificar o repasse, achou por bem convocar-nos e apresentar o valor disponibilizado, em torno de 800 mil reais. Todos os membros concordaram em não fazer uso do valor, o qual foi bem inferior ao combinado.

No nosso entendimento, ao usarmos a quantia, não mais teríamos argumentos para reivindicar outros valores. Acreditamos que o ideal seja a devolução da verba, pois não atende às nossas necessidades.

Além disso, o objetivo da comunidade é produzir de forma significativa. Queremos exportar mamona. Não nos cabe uma produção apenas para manter a comunidade e a família de cada agricultor. A Secretaria está ciente disso. O Estado não pode se omitir a tal investimento, considerado mínimo por nós, no entanto muito significativo para o desenvolvimento do Ceará.

Esperamos que a Secretaria repense a nossa proposta, compreenda a nossa atitude e possa realmente garantir o seu papel social. O que queremos é, tão somente, o cumprimento do acordo.

Atenciosamente,

Comunidade agrícola de Barreirinha

Fortaleza, 4 de janeiro de 2012.

 

Carta Aberta à População de Belo Horizonte – MG

Nós, agentes comunitários de saúde do município, viemos por meio desta carta conscientizar que, diante da alarmante epidemia de dengue em Belo Horizonte, que já registra 3 mortes e mais de 10 mil casos confirmados, a prefeitura quer tirar o corpo fora e culpar a população. Mas a verdade é que a prefeitura já sabia desde o ano passado da existência de um novo vírus e da ameaça de uma epidemia, porém não colocou em prática ações de prevenção e de combate ao mosquito da dengue e, naturalmente, acabou perdendo o controle da situação.

Além disso, a epidemia de dengue não só piora como expõe a calamitosa situação da saúde pública de Belo Horizonte: faltam muitos profissionais, leitos, unidades de saúde, equipamentos, políticas públicas etc. Os trabalhadores já não estão aguentando mais tanta superlotação e tantos problemas nas UPAs, nos centros de saúde e nos hospitais. A prefeitura coloca a culpa na população e no novo tipo de vírus, mas a verdade que a própria PBH é uma das principais culpadas, por ter sido omissa e negligente e por não investir na saúde pública e nas campanhas de prevenção da dengue.

Muita gente questiona: Será que não foi de certo modo proposital o fato de a prefeitura deixar a dengue se alastrar para, com isso, beneficiar os hospitais privados e receber muitos recursos dos governos federal e estadual? A mesma omissão e a incapacidade da prefeitura em cuidar de modo eficaz da saúde da população é repetida no trato com os servidores que ficam sem reajustes e sem condições adequadas de trabalho.

Esses são motivos que fazem com que os servidores públicos municipais estejam nas ruas em campanha salarial e pela qualidade dos serviços. No dia 18 de abril, quinta, às 14 horas, uma nova assembleia será realizada na Praça Estação para denunciar essa situação e exigir que a prefeitura abra as negociações com os trabalhadores.

Atenciosamente,

Agentes Comunitários de Saúde de Belo Horizonte-MG.

Belo Horizonte, 23 de agosto de 2015.

Disponível em: http://www.redebh.com.br/wa_files/PANFLETO_20DENGUE.pdf

Publicado por Rafael Camargo de Oliveira
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