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Conto fantástico

O conto fantástico é um nero literário que se caracteriza por trazer curtas narrativas em que há a presença de elementos inexplicáveis e/ou impossíveis, que podem ser explorados tanto para o maravilhoso quanto para o horror. Assim, esse gênero consegue abarcar tanto a literatura infantil como os contos de fadas e contos de terror.

A literatura fantástica explora as possibilidades de criação, para além da realidade material e do conhecimento lógico. Sendo assim, essa literatura desobedece às expectativas de representação do real e insere o “estranho, o “diferente” dentro do contexto comum. Esse modo de narrar foi utilizado por diversos autores reconhecidos, sendo inclusive a marca identitária de alguns.

Leia também: Realismo mágico – vertente literária cujas obras apresentam o fantástico de diversas formas

O que é conto?

O conto é um gênero textual literário que apresenta uma curta história, geralmente um único acontecimento, e elementos básicos de toda narrativa, como narrador, personagem, tempo e espaço. Entretanto, esses elementos costumam ser únicos ou de poucas variações, pois o conto precisa ser um texto curto.

Tradicionalmente, o conto se caracteriza por uma história que se inicia em cenário determinado e, no decorrer do enredo, passa por algum tipo de tensão, conflito ou transformação. Essa estratégia encaminha o texto para um “clímax”, um momento ápice em que a história alcança seu máximo de emoção. Após esse ponto, a narrativa declina para o encerramento.

Por se focar em uma história específica, poucos contos apresentam elementos anteriores ou posteriores ao fato, salvo quando é necessário contextualizar personagens, cenários ou outro elemento da história. Além disso, o conto deve evitar toda informação desnecessária, pois seu tamanho deve ser reduzido, e sua estratégia, focada e direcionada.

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Literatura fantástica

A literatura fantástica se caracteriza pela presença do elemento inexplicável, do irreal, do estranho ou da fantasia. Esse gênero literário costumeiramente apresenta elementos não humanos com personalidade, falantes e, muitas vezes, com paixões semelhantes às das pessoas. Além disso, as leis que determinam o que chamamos de realidade são muitas vezes subvertidas, apresentando humanos com capacidades diferenciadas e sociedades fora da concretude do cotidiano.

Embora esse traço seja funcionalmente distintivo, o termo abrange inúmeras produções, que podem se diferenciar de modo evidente sem, contudo, deixar de se integrar a essa categoria. A fantasia pode ser explorada de modos diversos, por isso podem ocorrer literaturas infantis, juvenis, adultas, de horror, de fadas, com heróis, sem heróis, filosóficas, todas com a presença do fantástico.

A fantasia, desse modo, pode ser compreendida como uma estratégia estética de contar histórias na qual elementos irreais, ilógicos, subversivos e impossíveis podem ganhar espaço fértil para produzir narrativas de diferentes temáticas e para diferentes públicos.

Características do conto fantástico

O conto fantástico explora a criação de mundos e seres imaginários.
O conto fantástico explora a criação de mundos e seres imaginários.

O conto é um dos gêneros textuais literários, e podemos conceituá-lo como uma curta narrativa que conta um acontecimento específico. Obviamente, essa definição é abrangente e, por isso, superficial. Na prática, os contos se diversificam em estruturas e estéticas específicas, que contribuem ou não com a potência do texto.

O conto fantástico é uma dessas formas e possui, por sua vez, outras variedades no modo de trabalhar o fantástico na literatura. Em uma análise geral, ele possui elementos sobrenaturais relacionados a elementos reais. Desse modo, essas narrativas apresentam, ao mesmo tempo, representações da realidade cotidiana e elementos inexplicáveis e/ou impossíveis.

Por esse seu aspecto híbrido, esses contos costumam explorar cenários muito semelhantes aos de realidades cotidianas, inserindo, entretanto, um ou mais elementos fora dessa lógica real. É possível que haja presença de seres mágicos, pessoas passarem por transformações impossíveis, objetos e elementos não vivos personificados, entre outros.

Por meio da inserção do elemento estranho, é comum vir também a hesitação diante dessa “irrealidade”. Esse estranhamento pode ocorrer no leitor, entretanto é muito comum também ocorrer em personagens da história, apresentando uma leitura mais coerente das reações humanas diante do inexplicável.

Autores de conto fantástico no Brasil

No cenário brasileiro, diversos autores apresentam contos fantásticos, embora isso não seja presente necessariamente em todos os seus textos, sendo assim, não é possível caracterizá-los somente por esse gênero. Abaixo segue uma lista com alguns nomes que apresentam contos fantásticos:

Veja também: Murilo Rubião – autor de enredos inusitados e marcantes

Autores de conto fantástico no mundo

No cenário mundial, ao longo da história da literatura, inúmeros autores apresentaram o elemento fantástico em seus textos. A diversidade de obras comprova que a fantasia pode ser explorada de inúmeros modos. Alguns nomes conhecidos do gênero são:

Exemplo de conto fantástico

Abaixo segue um pequeno trecho do conto A Segunda Vida, de Machado de Assis. O texto na íntegra é de domínio público e pode ser facilmente encontrado na internet. Entretanto, o fragmento já é suficiente para exemplificar algumas características do conto fantástico.

“— São incombustíveis. Fui subindo, subindo; na distância de quarenta mil léguas, ouvi uma deliciosa música, e logo que cheguei a cinco mil léguas, desceu um enxame de almas, que me levaram num palanquim feito de éter e plumas. Entrei daí a pouco no novo sol, que é o planeta dos virtuosos da terra. Não sou poeta, monsenhor; não ouso descrever-lhe as magnificências daquela estância divina. Poeta que fosse, não poderia, usando a linguagem humana, transmitir-lhe a emoção da grandeza, do deslumbramento, da felicidade, os êxtases, as melodias, os arrojos de luz e cores, uma coisa indefinível e incompreensível. Só vendo. Lá dentro é que soube que completava mais um milheiro de almas; tal era o motivo das festas extraordinárias que me fizeram, e que duraram dois séculos, ou, pelas nossas contas, quarenta e oito horas. Afinal, concluídas as festas, convidaram-me a tornar à terra para cumprir uma vida nova; era o privilégio de cada alma que completava um milheiro. Respondi agradecendo e recusando, mas não havia recusar. Era uma lei eterna. A única liberdade que me deram foi a escolha do veículo; podia nascer príncipe ou condutor de ônibus. Que fazer? Que faria Vossa Reverendíssima no meu lugar.”

Como é possível observar, o fragmento apresenta a fala de uma das personagens do conto. Nesse trecho, ela relata e descreve uma experiência inexplicável pela lógica do real. “Entrei daí a pouco no novo sol”; “Lá dentro é que soube que completava mais um milheiro de almas”. A experiência de entrar em um “novo sol” ou visualizar um “milheiro de almas” não é concreta e materialmente possível, por isso se configuram como elementos fantásticos.

Publicado por: Talliandre Matos
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