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Xenofobia

A xenofobia é a aversão e o preconceito contra pessoas estrangeiras ou de culturas diferentes.

Desde a Antiguidade, a xenofobia existe no mundo. Com as grandes navegações e a expansão marítima europeia, ela passou a aumentar devido ao contato cada vez maior entre pessoas de culturas e nacionalidades diferentes.

No século XX, a globalização e os altos movimentos migratórios revelaram uma realidade cruel: a das pessoas que migram e são hostilizadas pelas suas origens.

Leia também: Democracia racial – utopia relativa à igualdade entre raças diferentes

O que é xenofobia?

A palavra xenofobia originou-se das palavras gregas xénos (medo, aversão) e phóbos (estranho, estrangeiro). Resumidamente, a xenofobia é uma forma de preconceito contra pessoas de outras origens nacionais e de outras culturas.

Pode-se identificar a xenofobia entre pessoas de um país que desenvolvem aversão a imigrantes de outros países, ou até mesmo dentro de um país onde há um fluxo migratório de pessoas de regiões diferentes.

A xenofobia é um mal que ainda atinge o mundo contemporâneo.
A xenofobia é um mal que ainda atinge o mundo contemporâneo.

A xenofobia pode ser expressa por ataques, como agressões físicas e verbais, mas também de maneira mais silenciosa, quando o preconceito é expresso por falas que, de alguma forma, menosprezem os estrangeiros. A xenofobia está sendo mais exposta no século XXI devido ao avanço da informação e das redes sociais. No entanto, ela é quase tão antiga quanto a humanidade.

Se pegarmos o exemplo dos povos de origem semita, temos os judeus como vítimas históricas da xenofobia na Europa, o que culminou no holocausto, que foi a morte de milhões deles em campos de concentração nazistas durante parte da Segunda Guerra Mundial.

Hoje, depois que o mundo abriu os olhos para a situação judaica após os terríveis acontecimentos da década de 1940, outros povos de origem semita sofrem com a xenofobia: árabes, palestinos e outros povos majoritariamente islâmicos. A intensa migração de muçulmanos oriundos do Irã, Iraque, Síria, Afeganistão, e de outros países do Oriente Médio que sofrem por conflitos armados, tem revelado o preconceito xenofóbico dos ocidentais contra esses indivíduos.

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Xenofobia e racismo

O preconceito racial, ou racismo, é também um mal que o mundo contemporâneo ainda enfrenta e precisa acabar. É comum que, por trás dos casos de xenofobia, haja também o racismo implícito, pois a origem nacional de uma pessoa implica, muitas vezes, uma etnia diferente. Inclusive, fica difícil determinar até onde o preconceito xenofóbico existe por conta própria ou baseado no racismo.

Quando o racismo e a xenofobia estão ligados, o que predomina para a construção de um preconceito é a etnia. É comum, por exemplo, a migração de europeus de um país para outro dentro do continente, sem que haja preconceito xenofóbico, quando se trata de pessoas brancas que deixam seus países. A situação muda quando se trata de negros europeus que migram ou negros migrantes de outros continentes.

Em geral, podemos dizer que a maior motivadora da xenofobia é, ao lado da questão cultural, a questão racial. Racismo e xenofobia estão, portanto, intimamente ligados.

A xenofobia é uma forma de exclusão social.
A xenofobia é uma forma de exclusão social.

Exemplos de xenofobia

Assim como o racismo, a xenofobia pode ser expressa de maneira direta (com ataques e agressões) ou de maneira sutil. Quando há uma agressão, seja verbal, seja física, que tenha como motivo a questão da origem nacional ou regional, temos os casos mais evidentes de xenofobia. No entanto, ações sutis das pessoas podem evidenciar um tipo de preconceito xenofóbico menos perceptível.

Esse tipo de preconceito pode ser percebido em piadas que não sejam feitas com a presença de uma pessoa estrangeira ou com ações — como vigilância constante de pessoas de outras etnias em estabelecimentos públicos e até a recusa de vaga de emprego a um estrangeiro devidamente qualificado pelo fato de ele ser estrangeiro. Para aprofundar-se mais nessa questão, acesse: racismo.

Xenofobia no Brasil

Apesar da amplitude da formação étnica do Brasil, onde a maioria da população é descendente de índios, brancos europeus e africanos, tendo inclusos descendentes de muçulmanos, judeus e orientais, a xenofobia vem crescendo em nosso país. Além dos casos de preconceito xenofóbico contra estrangeiros, vivenciamos ainda o preconceito praticado por pessoas do eixo centro–sul (regiões Sudeste e Sul) contra pessoas do eixo norte (regiões Nordeste e Norte).

Ideais de extrema direita, que carregam consigo o racismo e a xenofobia, têm crescido e deixado a marca xenofóbica em parte da população brasileira, sobretudo sobre os brancos descendentes de europeus. Existem, na região Sudeste (sobretudo em São Paulo), grupos neonazistas, como os Skinheads e os Carecas do ABC, que se assumem enquanto entidades anti-imigração e destilam o ódio contra estrangeiros, nordestinos e nortistas, negros, indígenas, homossexuais, judeus e muçulmanos.

Quando percebemos a atuação, por décadas, de grupos como esses e os índices de imigração para o Brasil que vem aumentando, principalmente a imigração de venezuelanos, africanos e muçulmanos do Oriente Médio, entendemos o quanto a situação é preocupante.

Um fenômeno parecido com o que acontece na Europa tem interferido no funcionamento político e social de nosso país: o crescimento de uma ideologia de direita extremista, com traços racistas e xenófobos. Esse fator, aliado ao crescente número de imigrantes e refugiados (principalmente africanos, sírios e venezuelanos), tem despertado a ira de certo setor da população que não aceita pessoas estrangeiras em seu território.

No entanto, uma marca profunda da xenofobia brasileira é a seleção dos migrantes cultural e etnicamente rejeitados. Enquanto há uma boa recepção de judeus, orientais e europeus, as populações indígenas nativas de outros países, as populações negras e os muçulmanos são rejeitados. Essa marca é mais uma evidência da aliança estreita entre racismo e xenofobia.

Veja também: Direitos Humanos - a categoria mais básica de direitos do ser humano

Xenofobia na Europa

Nos últimos anos, uma grande quantidade de imigrantes tem chegado à Europa. Oriundos principalmente da África e da Síria, por conta de conflitos geopolíticos e da fome, os migrantes tentam entrar de maneira ilegal nas fronteiras europeias, principalmente pelo mar.

A xenofobia na Europa conta com uma antiga história que se iniciou ainda na Idade Média, com a perseguição de judeus e muçulmanos pela Igreja Católica. O antissemitismo manteve-se por séculos, até que chegou ao seu ápice durante a Segunda Guerra Mundial, com o holocausto nazista, em que mais de seis milhões de judeus foram mortos em campos de concentração.

Apesar de medidas para prevenir um novo holocausto tomadas pela Organização das Nações Unidas (ONU), entre elas a promulgação da Declaração Universal dos Direitos Humanos, a xenofobia persistiu na Europa e vem intensificando-se nos últimos anos.

A relativa proximidade entre locais de conflitos sociais e armados na África e no Oriente Médio com grandes centros urbanos europeus tem feito com que populações das zonas de conflito busquem refúgio nas cidades europeias. A legítima migração, no entanto, tem despertado o sentimento xenofóbico de grande parte da população europeia que credita nos imigrantes a conta da violência e da crise econômica de seus países.

O resultado disso tem sido negativo. Ataques e agressões motivadas por xenofobia, além da ascensão de grupos neonazistas, têm tomado conta dos noticiários europeus e evidenciado que esse grave problema ainda é fortemente presente no continente.

Publicado por: Francisco Porfírio
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