Primavera Árabe

A Primavera Árabe é o conjunto de protestos em sequência que eclodiu no mundo árabe a partir do final de 2010.

Primavera Árabe caracterizou uma série de protestos e revoltas ocorrida nos países de língua árabe a partir do final de 2010, em que a população de diferentes lugares foi às ruas com diferentes objetivos, que giraram em torno da derrubada de ditadores, da realização de eleições e da melhoria das condições de vida. Trata-se de um dos principais eventos desse início de século e deflagra a grande instabilidade política existente na região.

Podemos dizer que tudo começou na Tunísia, quando um jovem teve sua banca de frutas e legumes confiscada pela polícia e ateou fogo em seu próprio corpo em protesto às condições de vida a que era submetido. É claro que a revolta no país não foi ocorrida somente por isso, uma vez que esse evento foi somente a “gota d'água”, pois a população estava profundamente insatisfeita com os rumos político-sociais do país e clamava por democracia, exigindo o fim da ditadura de Zine El Abidine Ben Ali, que se encontrava no poder há 23 anos.

Os protestos exigindo a realização de eleições diretas não duraram muito. O início aconteceu em dezembro de 2010 e o término ocorreu no mês seguinte, com a renúncia do ditador, que não ofereceu grandes resistências. Essa rápida reviravolta no país, que passou a ser chamada de Revolução de Jasmim, foi vista e admirada pela população dos países vizinhos que passavam pelas mesmas problemáticas dos tunisianos: governos ineficientes, ditatoriais e que não promoviam esforços para a melhoria das condições de vida do povo. Logo, a onda de protestos espalhou-se como um rápido vírus por todo o norte da África e em boa parte do Oriente Médio.

Em pouco menos de um mês após a derrubada de Ben Ali na Tunísia, foi a vez de Hosni Mubarak, no Egito, também deixar o cargo em função das revoltas populares que exigiam o fim de seu posto no comando do país que ocupara durante 30 anos: era a chamada Revolução de Lótus. A Primavera Árabe expandia-se.

O caso do Egito, porém, reverberou em um novo descontentamento. Isso porque o novo presidente eleito, Mohamed Morsi foi, dois anos mais tarde, alvo de novos protestos no país. Com isso, em julho de 2013, sob a ação do exército egípcio, o governante sofreu aquilo que acusou ter sido um golpe militar.

Manifestantes pedem a saída de Morsi no Egito
Manifestantes pedem a saída de Morsi no Egito **

Na Líbia, em 2011, a Primavera Árabe não tardou chegar. No entanto, esse país foi o primeiro em que as revoltas envolveram uma guerrilha e muito derramamento de sangue. Buscando o fim do regime de Muamar Kadhafi, que permaneceu no poder durante 42 anos, os rebeldes pegaram em armas para combater a resistência organizada pelas tropas leais ao governo.

Com o estabelecimento de um conflito generalizado no país, as potências ocidentais organizaram-se através da OTAN (Organização do Tratado do Atlântico Norte) a fim de derrubar o ditador da Líbia e conseguirem uma maior influência em uma região em que se produz muito petróleo para exportação. No final, os rebeldes conseguiram assassinar Kadhafi e dar fim ao regime.

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Outro país que merece destaque em relação à hostilidade do governo frente aos protestos é o Barein, representado pela figura do Rei xeque Hamad bin Isa al-Khalifa. Esse país, diferentemente da Líbia, possui um grande apoio dos países ocidentais, com destaque para os Estados Unidos. Com isso, mesmo com a dura repressão contra os rebeldes e com vários crimes aos direitos humanos, esse país não sofreu nenhum tipo de intervenção militar estrangeira, fato que fez com que parte da comunidade internacional questionasse a postura da OTAN nas zonas de instabilidade política na região árabe.

Com a proibição das manifestações, a oposição xiita – que forma a maioria no país, mas que é amplamente discriminada pela minoria sunita – foi perdendo gradativamente a força, embora o governo tenha sinalizado algumas ações de flexibilização do poder a fim de estabelecer alguns acordos.

A Síria, por sua vez, é o país onde os conflitos mais se estenderam, demarcando uma longa agonia na região. Isso porque a oposição sunita, influenciada pela eclosão das revoltas no Egito e na Tunísia, também procurou ascender ao poder por meio de uma revolta armada, duramente reprimida pelas tropas do ditador Bashar al-Assad (no poder desde 2000). Além do conflito armado, esse episódio mexeu também com o plano geopolítico internacional.

Nos países vizinhos, Turquia, Iraque, Líbano, Arábia Saudita e, parcialmente, Israel concedem apoio aos rebeldes, pois consideram o regime do ditador xiita sírio como uma ameaça local às suas soberanias. O Irã, por outro lado, vem apoiando o governo do país, uma vez que esse é um importante aliado político. Além do mais, a derrocada do governo de Assad poderia representar uma ameaça à estabilidade política iraniana.

Externamente, as potências ocidentais, com destaque para os EUA, declararam apoio à oposição no país, fornecendo armas e suprimentos, com a clara intenção de derrubar mais um inimigo político na região. Os norte-americanos chegaram inclusive a planejar uma intervenção militar, com o pretexto de o governo sírio estar usando armas químicas, o que é considerado um crime de guerra. No entanto, Rússia e China opuseram-se incisivamente a essa ação, o que gerou uma crise política sem precedentes desde a Guerra Fria. Com isso, acordos foram realizados e a intervenção militar estadunidense, enfim, não ocorreu. O conflito segue ainda sem solução.

Além desses casos principais, a Primavera Árabe atingiu também outros países, como Marrocos, Iêmen, Argélia, Omã e, em menor grau, Arábia Saudita e Jordânia. Em alguns locais, eleições e reformas ocorreram; em outros, os protestos foram estrategicamente contidos. De toda forma, é preciso considerar que a situação da região do Oriente Médio e do Norte da África deflagra, cada vez mais, a impossibilidade de se manter a paz e a harmonia em espaços marcados pelo imperialismo e pela dominação das minorias sobre as massas.

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* Crédito da imagem: jbor e Shutterstock

** Crédito da imagem: Mohamed Elsayyed e Shutterstock

Manifestantes tunisianos indo às ruas em busca de democracia, em Janeiro de 2010*
Manifestantes tunisianos indo às ruas em busca de democracia, em Janeiro de 2010*
Publicado por: Rodolfo F. Alves Pena
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Lista de Exercícios

Questão 1

Charge sobre a Primavera Árabe no Egito
Charge sobre a Primavera Árabe no Egito

LATTUF, C. 24 jan. 2011. Disponível em: <https://commons.wikimedia.org/wiki/Carlos_Latuff>. Acesso em: 17 ago. 2015.

A charge acima, de Carlos Latuff, indica um “efeito dominó” propiciado pela Primavera Árabe e a consequente derrubada do ditador Hosni Mubarak no Egito. Esse efeito em cadeia que marcou a onda de protestos nos países árabes iniciou-se:

a) na Tunísia, com a derrubada de Zine El Abidine Ben Ali.

b) na Lígia, com a morte de Muammar al-Gaddafi.

c) em Israel, com a independência da Palestina.

d) Na Síria, na guerra civil contra Bashar al-Assad

e) No Iêmen, com a renúncia de All Abdullah Saleh

Questão 2

“A primeira lição é que a Primavera Árabe é um processo, e não um evento. Nunca ninguém poderia imaginar que os governantes árabes, e as elites que os sustentavam, um dia cairiam ou morreriam. O papel do Ocidente sempre foi ambivalente. Ele sempre esteve nos dois lados – ansioso por encorajar as novas democracias, mas sem derrubar as velhas autocracias”.

HARDY, R. Democracia ou desordem? As quatro lições da Primavera Árabe. BBC Brasil, 11 jul. 2013. Acesso em: 17 ago. 2015.

Diante das considerações acima expostas, é possível concluir que a posição dos países ocidentais em relação à Primavera Árabe foi:

a) coerente, seguindo um padrão único de apoio nos conflitos

b) contraditória, com intervenções militares em todos os países

c) parcial, restringindo as análises para alguns poucos casos

d) arbitrária, com as ações políticas moldadas conforme os interesses

e) neutra, objetivando não agravar a situação das disputas internas

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