Doença de Chagas

A doença de Chagas, também conhecida como tripanossomíase americana, é uma doença provocada por um protozoário da espécie Trypanosoma cruzi. Apesar de ser conhecida por sua transmissão por via vetorial, atualmente, segundo o Blog da Saúde do Ministério da Saúde, “o consumo de alimentos contaminados com parasitos, como caldo de cana e açaí, é a principal forma de transmissão da doença”.

Ela pode apresentar duas fases distintas: a fase aguda e a crônica. No mundo, estima-se que cerca de 10 mil pessoas morram em consequência da doença a cada ano.

Leia também: Diferença entre vetor e agente etiológico

O que é a doença de Chagas?

O barbeiro é responsável pela transmissão vetorial da doença de Chagas.
O barbeiro é responsável pela transmissão vetorial da doença de Chagas.

A doença de chagas, também conhecida como “doença do coração crescido”, é uma patologia infecciosa provocada por um protozoário flagelado denominado de Trypanosoma cruzi. O ciclo de vida do protozoário inclui a passagem por hospedeiros mamíferos, como o ser humano, e insetos da ordem Hemíptera, família Rediviidae e subfamília Triatominae, popularmente chamados de barbeiros.

Você sabia que a doença de Chagas recebe essa denominação em homenagem a um brasileiro? Carlos Chagas foi o pesquisador brasileiro que descobriu a doença, em 1909.

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Transmissão da doença de Chagas

Quando falamos em doença de Chagas, a transmissão vetorial se destaca como uma das mais conhecidas, mas essa não é a única forma de contrair a doença. No que diz respeito à via vetorial, a doença é transmitida por meio do contato com fezes e/ou urina do vetor infectado após a picada.   Enquanto o barbeiro pica uma pessoa, ele libera suas fezes e/ou urina. Como geralmente a picada provoca coceira, o indivíduo coça o local, facilitando a penetração do protozoário.

Além dessa forma de transmissão, a doença de Chagas pode ser transmitida por meio:

  • da mulher para o bebê durante a gravidez ou parto;
  • de contato de feridas e mucosas com material contaminado;
  • de ingestão de alimentos contaminados com parasitos provenientes de vetores contaminados.

Um caso muito conhecido de transmissão por alimentos ocorre pela ingestão de açaí. Como o barbeiro é frequentemente encontrado no açaizeiro, pode ser macerado junto com o fruto, contaminando o produto. Além do açaí, caldo de cana e sucos de frutas também podem se tornar um meio de transmissão da doença.

Vale destacar que alguns autores consideram a transmissão sexual como teoricamente possível. Isso se deve ao fato de que as mucosas apresentam potencial para transmissão, sendo essa transmissão demonstrada em modelos animais.

Leia também: Malária — outra doença causada por protozoário

Sintomas da doença de Chagas

A doença de chagas é, na maioria dos casos, assintomática. Estima-se que cerca de 90% das pessoas infectadas não saibam que possuem a doença. Ela apresenta duas fases clínicas: aguda e crônica.

  • Fase aguda: observa-se uma elevada parasitemia (presença de parasitas vivos no sangue circulante) e pode ser sintomática ou assintomática, sendo considerada uma fase mais leve da doença. Quando os sintomas surgem, podem incluir mal-estar, falta de apetite, febre, inchaço nas pálpebras (sinal de Romaña) ou outras partes do corpo, aumento no baço e fígado, bem como distúrbios cardíacos. Formas graves da doença aguda são raras, acometendo menos de 1% dos pacientes.
  • Fase crônica: fase tardia e de evolução lenta. Nela a parasitemia não é mais detectável por microscopia direta. Nessa fase, podemos observar uma forma indeterminada, na qual não se verifica acometimento clínico ou sintomas, e uma forma determinada, na qual há comprometimento cardíaco, digestivo e outros menos frequentes, como o neurológico. O coração do indivíduo com Chagas pode sofrer várias lesões ao longo do tempo, desencadeando casos de insuficiência cardíaca. Já em relação aos problemas digestivos, destaca-se o desenvolvimento do megacólon (dilatação e alongamento do intestino grosso) e megaesôfago (dilatação do esôfago). A dilatação do intestino grosso pode manifestar-se por constipação, enquanto a dilatação do esôfago provoca dificuldade para deglutir os alimentos.

Diagnóstico da doença de Chagas

O diagnóstico da doença de Chagas é feito por meio da análise dos sintomas do indivíduo, bem como pela realização de exames laboratoriais parasitológicos e/ou sorológicos a depender da fase da doença. Na fase aguda, o diagnóstico pode ser feito por meio de métodos parasitológicos, como pesquisa a fresco de tripanossomatídeos, uma vez que nessa fase o indivíduo apresenta elevada parasitemia. Apesar de exames sorológicos não serem os mais recomendados na fase aguda, podem ser realizados quando a suspeita clínica existir e os outros métodos se demonstrarem negativos. Na fase crônica, o diagnóstico é confirmado pela combinação de dois testes sorológicos com métodos diferentes. Entre os testes realizados nessa fase, podemos citar o ELISA e IFI (imunofluorescência indireta).

A doença de Chagas é causada pelo protozoário Trypanosoma cruzi.
A doença de Chagas é causada pelo protozoário Trypanosoma cruzi.

Tratamento da doença de Chagas

A doença de chagas apresenta cura se o tratamento for iniciado logo após a infecção. Em pacientes crônicos, o tratamento visa, principalmente, a frear a progressão da doença. Medicamentos para tratá-la são fornecidos gratuitamente pelo Ministério da Saúde mediante recomendação médica.

Além dos medicamentos voltados para o tratamento da doença, os pacientes com complicações devem ser acompanhados, a fim de que o tratamento específico para aquela situação seja realizado. Em alguns casos, por exemplo, os danos no coração provocados pela doença são graves, sendo recomendado o transplante cardíaco.

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Prevenção da doença de Chagas

Como a doença de Chagas está relacionada com diferentes formas de transmissão, a prevenção pode ser conseguida de diferentes maneiras. Uma das formas de prevenção consiste em evitar a multiplicação de barbeiros nas residências. Como, muitas vezes, ele se abriga em frestas de paredes de barro ou madeira, é importante investir em melhorias nas condições da habitação. O uso de mosquiteiros e telas também pode evitar que o barbeiro entre nas casas.

Além disso, utilizar repelentes e roupas de manga comprida quando for realizar atividades noturnas na mata, como acampar, pode evitar a contaminação.

No que diz respeito à prevenção da transmissão oral, é importante que pessoas que trabalham com alimentos adotem boas práticas de higiene e tenham cuidado ao manipular alimentos suscetíveis à contaminação. Ainda sobre a prevenção dessa doença, devemos destacar que é importante que as doações de órgãos, bem como as doações de sangue, sejam controladas e que se amplie o acesso ao diagnóstico e ao tratamento da doença.

Publicado por: Vanessa Sardinha dos Santos
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