Agente da passiva

 O agente da passiva é um termo integrante da oração que indica quem pratica a ação do verbo de uma oração na voz passiva. Em geral, esse termo é introduzido pela preposição “por” e suas variações “pelo”, “pela”, “pelos” e “pelas”.

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Leia também: Vozes verbais — ativa, passiva e reflexiva

Resumo sobre agente da passiva

  • O agente da passiva é o termo que indica quem realiza a ação verbal da oração na voz passiva.

  • Costuma vir introduzido pela preposição “por”.

  • O agente da passiva de uma oração na voz passiva passa a ser o sujeito da oração na voz ativa.

O que é o agente da passiva?

Ilustração traz o conceito e exemplo de agente da passiva. [imagem_principal]
O agente da passiva indica quem realiza a ação verbal de uma oração na voz passiva.

É o termo da oração que pratica a ação do verbo quando a frase está na voz passiva (ou seja, quando o sujeito sofre a ação). Aparece introduzido por preposição (em geral, “por” e suas contrações “pelo”, “pela”, “pelos” e “pelas”). Veja:

Voz ativa → Voz passiva

O cachorro mordeu o carteiro. → O carteiro foi mordido pelo cachorro.

No caso acima, a frase apresenta a mesma mensagem. Primeiro, na voz ativa, o sujeito “o cachorro” realiza a ação “morder”, tendo “o carteiro” como complemento.

No segundo caso, na voz passiva, o sujeito “o carteiro” sofre a ação “ser mordido” por “o cachorro”. Aqui, “o cachorro”, sendo quem realiza a ação, é classificado como agente da passiva.

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Transformação da voz passiva para voz ativa

Para transformar uma frase da voz passiva para a voz ativa, deve-se inverter os papéis dos termos da oração. Observe esta oração na voz passiva:

A casa foi construída pelos pedreiros.

Procure pela locução verbal e identifique o sujeito desse verbo na voz passiva. O termo iniciado pela preposição “por” é o agente da passiva.

Sujeito + verbo + agente da passiva

A casa foi construída pelos pedreiros.

Na voz ativa, o agente da passiva passará a ser o sujeito: pelos pedreiros → os pedreiros. Já o sujeito da voz passiva passará a ser o complemento verbal: a casa (sujeito) → a casa (objeto)

Assim, basta inverter as posições dos elementos:

Sujeito + verbo + complemento

Os pedreiros construíram a casa.

Como identificar a voz passiva?

Para identificar a voz passiva, basta analisar se o sujeito está realizando ou sofrendo a ação. Exemplo:

A porta foi batida com força.

Aqui, o sujeito é “a porta”, mas ele não pode realizar a ação “bater”. No caso, a porta sofreu a ação.

Voz passiva analítica

É a construção em que o sujeito sofre a ação (voz passiva) e usa-se uma locução verbal para indicar essa ação (analítica): verbo “ser” + particípio. Observe nestes exemplos:

Verbo “ser” + particípio

ser visto

ser mordido

ser construído

É necessário entender que o verbo “ser” é um auxiliar que pode ser conjugado em qualquer tempo verbal (presente, pretérito, futuro), enquanto o verbo principal pode ser qualquer outro verbo na forma nominal do particípio.

A estrutura da voz passiva analítica pode apresentar explicitamente ou não o agente da passiva. Veja:

sujeito paciente + verbo ser (conjugado) + particípio + agente da passiva

O carteiro foi mordido pelo cachorro.

O carteiro foi mordido.

A porta foi batida com força por vocês.

A porta foi batida com força.

Voz passiva sintética

É a construção em que o sujeito sofre a ação, sendo que a voz passiva é marcada por qualquer verbo acrescido da partícula apassivadora “se”. Não há agente da passiva na voz passiva sintética, pois ela foca apenas no sujeito paciente e na ação verbal. Veja nestes exemplos:

verbo + partícula “se”

vende-se (= é vendido)

doa-se (= é doado)

constrói-se (= é construído)

Note que o verbo flexiona em número (singular ou plural) de acordo com o sujeito paciente.

verbo + partícula apassivadora + sujeito paciente

Vende-se uma casa. (= Uma casa é vendida.)

Vendem-se vários imóveis. (= Vários imóveis são vendidos.)

Além disso, o verbo também pode ser conjugado em diferentes tempos verbais (como presente, pretérito e futuro):

verbo + partícula apassivadora + sujeito paciente

Vende-se uma casa. (= Uma casa é vendida.)

Vendia-se uma casa. (= Uma casa era vendida.)

Vender-se-ia uma casa. (= Uma casa seria vendida.)

Leia também: Como identificar o objeto direto?

Exercícios resolvidos sobre agente da passiva

Questão 1

(CCV-UFC - adaptada)

Na frase “Uma hipótese extraordinária [...] está sendo colocada de pé por linguistas...” (linhas 01-02), o termo sublinhado exerce função de:

A) objeto indireto.

B) agente da passiva.

C) adjunto adverbial.

D) adjunto adnominal.

E) complemento nominal.

Resposta:

Alternativa B. A locução verbal “está sendo colocada” está na voz passiva, sendo que “por linguistas” funciona como agente da passiva (transformando-se em sujeito quando a oração for passada para a voz ativa).

Questão 2

O fim do marketing

A empresa vende ao consumidor — com a web não é mais assim

Com a internet se tornando onipresente, os Quatro Ps do marketing — produto, praça, preço e promoção — não funcionam mais. O paradigma era simples e unidirecional: as empresas vendem aos consumidores. Nós criamos produtos; fixamos preços; definimos os locais onde vendê-los; e fazemos anúncios. Nós controlamos a mensagem. A internet transforma todas essas atividades.

(...)

Os produtos agora são customizados em massa, envolvem serviços e são marcados pelo conhecimento e os gostos dos consumidores. Por meio de comunidades online, os consumidores hoje participam do desenvolvimento do produto. Produtos estão se tornando experiências. Estão mortas as velhas concepções industriais na definição e marketing de produtos.

(...)

Graças às vendas online e à nova dinâmica do mercado, os preços fixados pelo fornecedor estão sendo cada vez mais desafiados. Hoje questionamos até o conceito de “preço”, à medida que os consumidores ganham acesso a ferramentas que lhes permitem determinar quanto querem pagar. Os consumidores vão oferecer vários preços por um produto, dependendo de condições específicas. Compradores e vendedores trocam mais informações e o preço se torna fluido. Os mercados, e não as empresas, decidem sobre os preços de produtos e serviços.

(...)

A empresa moderna compete em dois mundos: um físico (a praça, ou marketplace) e um mundo digital de informação (o espaço mercadológico, ou marketspace). As empresas não devem preocupar-se com a criação de um web site vistoso, mas sim de uma grande comunidade online e com o capital de relacionamento. Corações, e não olhos, são o que conta. Dentro de uma década, a maioria dos produtos será vendida no espaço mercadológico. Uma nova fronteira de comércio é a marketface — a interface entre o marketplace e o marketspace.

(...)

Publicidade, promoção, relações públicas etc. exploram “mensagens” unidirecionais, de um-para-muitos e de tamanho único, dirigidas a consumidores sem rosto e sem poder. As comunidades online perturbam drasticamente esse modelo. Os consumidores com frequência têm acesso a informações sobre os produtos, e o poder passa para o lado deles. São eles que controlam as regras do mercado, não você. Eles escolhem o meio e a mensagem. Em vez de receber mensagens enviadas

por profissionais de relações públicas, eles criam a “opinião pública” online.

Os marqueteiros estão perdendo o controle, e isso é muito bom.

(Don Tapscott. O fim do marketing. INFO, São Paulo,Editora Abril, janeiro 2011, p. 22.)

Nós criamos produtos; fixamos preços; definimos os locais onde vendê-los; e fazemos anúncios. Nós controlamos a mensagem.

Caso todas as orações fossem passadas para a voz passiva, elas teriam o mesmo agente da passiva.

( ) Certo

( ) Errado

Resposta

Certo. Todas as orações, na voz ativa, têm o mesmo sujeito: “nós”. Assim, se todas fossem passadas para a voz passiva, teriam o mesmo agente da passiva: “por nós”.

Fontes:

AZEREDO, José Carlos de. Gramática Houaiss da Língua Portuguesa. São Paulo: Parábola, 2021.

BECHARA, Evanildo. Moderna Gramática Portuguesa. 38ª ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2015.

CEGALLA, Domingos Paschoal. Novíssima Gramática da Língua Portuguesa. São Paulo: Companhia Editora Nacional, 2020.

CUNHA, Celso; CINTRA, Lindley. Nova Gramática do Português Contemporâneo. 7ª ed. Rio de Janeiro: Lexikon, 2016. 

Escritor do artigo
Escrito por: Guilherme Viana Bacharel e licenciado em Letras e em Educomunicação pela Universidade de São Paulo (USP). Trabalha com produção de conteúdo didático nas áreas de língua portuguesa, literatura e redação.

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