Pronomes Pessoais

 Os pronomes pessoais referem-se às pessoas do discurso, ou seja, aos agentes envolvidos no enunciado, podendo ser a 1ª, a 2ª ou a 3ª pessoa, do singular ou do plural. São elas:

  • 1ª pessoa: eu (singular), nós (plural);
  • 2ª pessoa: tu (singular), vós (plural);
  • 3ª pessoa: ele, ela (singular), eles, elas (plural). A 3ª pessoa também engloba tudo o que não é um ser vivo. No enunciado “Aquela cadeira é vermelha.”, o verbo está conjugado na 3ª pessoa, ainda que “cadeira” não seja um ser propriamente dito.

Veja também: Demais ou de mais?

Tabela com os pronomes pessoais

Os pronomes pessoais podem ser do caso reto (quando funcionam como sujeito do enunciado) ou do caso oblíquo (quando funcionam como complemento do enunciado). Neste último caso, podem ser átonos (não precisando de preposição que os acompanhe) ou tônicos (precisando de preposição que os acompanhe).

Observe, na tabela seguinte, quais são os diferentes pronomes:

 

Pronomes pessoais

reto

Oblíquo

átono (sem preposição)

tônico (com preposição)

Singular

eu

me

mim, comigo

tu

te

ti, contigo

ele, ela

lhe, o, a, se

ele, ela, si, consigo

Plural

nós

nos

nós, conosco

vós

vos

vós, convosco

eles, elas

lhes, os, as, se

eles, elas, si, consigo

Os pronomes de tratamento também configuram um caso de pronome pessoal, distinguindo-se por serem formas de reverência.

Vamos entender melhor como se dão essas classificações?

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Pronomes do caso reto

Os pronomes pessoais do caso reto funcionam como sujeito do enunciado em que estão inseridos, isto é, executam ou sofrem a ação do enunciado. Lembrando-se dos pronomes do caso reto da tabela anterior, observe os seguintes exemplos:

  • Nós combinamos de ir ao parque.
    (Sujeito + verbo + complemento)

  • Eu estava muito empolgado.
    (Sujeito + verbo + complemento)

Note que os sujeitos dos dois enunciados são pronomes pessoais, pois referem-se às pessoas do discurso (nos dois casos, à 1ª pessoa), e são do caso reto, pois exercem função de sujeito nos respectivos enunciados. Veja outros exemplos agora:

  • As flores desabrocharam ontem.
    (Sujeito + verbo + complemento)

  • Meu irmão e a vizinha dele foram ao mercado juntos.
    (Sujeito + verbo + complemento)

Dessa vez, os sujeitos dos dois enunciados não são pronomes pessoais do caso reto, pois “flores”, “irmão” e “vizinha” são substantivos. No entanto, podemos substituir esses substantivos pelos respectivos pronomes do caso reto:

  • Elas desabrocharam ontem.
  • Eles foram ao mercado juntos.

Leia também: Veem, vem ou vêm?

Pronomes do caso oblíquo

Os pronomes do caso oblíquo funcionam como complemento do enunciado. Em alguns casos, devem vir acompanhados de preposição para que o enunciado tenha sentido. Nesses casos, são chamados de pronomes oblíquos tônicos. Caso não precisem estar acompanhados de preposição, são chamados de pronomes oblíquos átonos. Vamos observar os exemplos de cada um deles:

→ Pronomes oblíquos tônicos

  • Esse livro foi dedicado a vós.
    (Sujeito + verbo + complemento)

  • Os alunos vieram até mim.
    (Sujeito + verbo + complemento)

  • Elas falaram muito bem de nós.
    (Sujeito + verbo + complemento)

Nesses casos, “vós”, “mim” e “nós” assumiram função de complemento e vieram acompanhados de preposição (“a”, “até” e “de”, respectivamente), portanto, são pronomes oblíquos tônicos.

  • Ela foi comigo ao mercado.
    (Sujeito + verbo + complemento)

No exemplo, temos dois pronomes pessoais: “Ela”, que é do caso reto por tratar-se do sujeito do enunciado, e “mim” (com + mim = comigo), que é do caso oblíquo por tratar-se do complemento. Como precisa da preposição “com”, é um pronome oblíquo tônico.

Vale ressaltar que a preposição “com” sempre se junta aos pronomes, formando uma palavra só:

  • com + mim = comigo
  • com + ti = contigo
  • com + si = consigo (singular ou plural)
  • com + nós = conosco
  • com + vós = convosco
Os pronomes do caso reto, oblíquos e de tratamento são as categorias dos pronomes pessoais.
Os pronomes do caso reto, oblíquos e de tratamento são as categorias dos pronomes pessoais.

→ Pronomes oblíquos átonos

  • A plateia me ouviu cantar.
    (Sujeito + complemento + verbo)

  • Muita gente veio nos prestigiar.
    (Sujeito + verbo + complemento + verbo)

  • Nós lhes damos boas-vindas.
    (Sujeito + complemento + verbo + complemento)

Nesses casos, “me”, “nos” e “lhes” assumiram função de complemento, porém não precisaram vir acompanhados de preposição. Por isso, são pronomes oblíquos átonos.

Vale lembrar que existem convenções a respeito da colocação do pronome oblíquo átono: a próclise ocorre quando, antes do verbo, algumas palavras “atraem” o pronome oblíquo; a ênclise ocorre quando o verbo inicia a oração ou está no gerúndio ou no imperativo afirmativo; e a mesóclise costuma ocorrer quando o verbo está conjugado no futuro (tanto do presente, quanto do pretérito), não havendo construção que justifique o uso da próclise ou da ênclise.

Veja também: Esta ou está?

Pronomes de tratamento

Os pronomes de tratamento são formas de reverência que consistem em referirmo-nos às pessoas pelos seus atributos ou qualidades que ocupam. Por isso, eles são também chamados formas substantivas de tratamento ou formas pronominais de tratamento.

Assim, mesmo quando estamos falando com a pessoa (usando o discurso da 2ª pessoa), ao utilizarmos um pronome de tratamento, o verbo passa para a 3ª pessoa. O pronome “você”, por exemplo, não é um pronome pessoal, e sim um pronome de tratamento. Por isso, apesar de “você” referir-se à 2ª pessoa (“tu”, ou “vocês” para “vós”), os verbos são conjugados na 3ª pessoa. Observe o exemplo:

  • Tufoste ao cinema ver esse filme?
  • Vocêfoi ao cinema ver esse filme?

Os pronomes de tratamento podem ser usados tanto para dirigir-se à pessoa quanto para referir-se a ela, mas os verbos sempre estarão conjugados na 3ª pessoa. Observe:

  • Vossa Excelência já preparou o discurso para a cerimônia de posse?
  • Vossa Santidade, o papa, deixará o Vaticano para reunir-se com grandes líderes hoje.

Veja a tabela seguinte com os principais pronomes de tratamento:

Pronome

Abreviação

Destinado

Senhor/Senhora

Sr./Sr.ª

pessoas com quem há distanciamento mais respeitoso

Você

V.

pessoas com quem há intimidade

Vossa Alteza

V. A.

príncipes, duques

Vossa Eminência

V. Em.ª

cardeais

Vossa Excelência

V. Ex.ª

presidente da República, ministros, altas patentes militares, bispos, arcebispos

Vossa Magnificência

V. Mag.ª

reitores de universidades

Vossa Majestade

V. M.

reis, imperadores

Vossa Mercê

V. M.

pessoas de tratamento cerimonioso

Vossa Onipotência

*não se abrevia

Deus

Vossa Reverendíssima

V. Rev.ma

sacerdotes

Vossa Santidade

V. S.

papas

Vossa Senhoria

V. S.ª

oficiais até coronel, funcionários graduados, pessoas de cerimônia


Agora que já conhecemos os pronomes pessoais, que tal praticar um pouco mais suas classificações com exercícios?

Exercícios resolvidos

Questão 1 (Cesgranrio) Marque a opção em que a forma pronominal utilizada está INCORRETA.

a) É difícil, para mim, praticar certos exercícios físicos.

b) Ainda existem muitas coisas importantes para eu fazer.

c) Os chinelos da aposentadoria não são para ti.

d) Quando a aposentadoria chegou, eu caí em si.

e) Para tu não teres aborrecimentos, evita o excesso de velocidade.

Resolução

Alternativa D, pois o correto seria “eu caí em mim”, já que se trata da 1ª pessoa do singular.

Questão 2 (UFF) Numa das frases, está usado indevidamente um pronome de tratamento. Assinale-a:

a) Os reitores das universidades recebem o título de Vossa Magnificência.

b) Senhor deputado, peço a Vossa Excelência que conclua a sua oração.

c) Sua Eminência, o papa Paulo VI, assistiu à solenidade.

d) Procurei a chefe da repartição, mas Sua Senhoria recusou-se a ouvir minhas explicações.

Resolução

Alternativa C, pois o pronome de tratamento adequado para papas é Sua (ou Vossa) Santidade. 

Publicado por: Guilherme Viana
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