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A coroação de Napoleão por meio de imagens

A coroação de Napoleão ficou marcada pela atitude do imperador em se colocar acima dos demais poderes institucionais que existiam à época.

Dentre as histórias referentes à Era Napoleônica que ficaram para a posteridade, existe a da coroação de Napoleão Bonaparte. A cerimônia marcada por muito luxo buscava contrapor-se à pretensão de restauração da monarquia absolutista, principalmente as tentativas de Luís XVIII, descendente da dinastia Bourbon, de retomar o trono.

A cerimônia de coroação realizada na Catedral de Notre-Dame buscou, dessa forma, criar laços históricos de Napoleão com o passado francês, além de adotar elementos estéticos na decoração e procedimentos do ritual que remetessem, por outro lado, às influências do neoclassicismo, com temas inspirados em Roma e na Grécia, buscando aproximar Napoleão dos grandes imperadores da História.

A obra de Jacques-Louis David (1748-1825), pintor oficial de Napoleão, exposta no início do texto, dá-nos uma dimensão do objetivo de Bonaparte em se colocar como um dos grandes homens da história.

É interessante notar, além das vestimentas e outros adornos presentes na obra, que o pintor francês pretendeu retratar o momento em que Napoleão tomou a coroa e a colocou com suas próprias mãos sobre sua cabeça. Napoleão havia conseguido negociar a ida do papa Pio VII a Paris para, dessa forma, reatar os laços entre o Estado francês e a Igreja, rompidos após a Revolução Francesa de 1789. De acordo com os rituais de consagração régia, a entidade religiosa era quem colocava a coroa na cabeça de um rei. Com sua atitude, Napoleão Bonaparte pretendeu se colocar acima do poder religioso.

A atitude de Napoleão também foi diferente da realizada pelo Imperador do Império Franco, Carlos Magno, séculos antes. Observe a imagem abaixo.

Coroação de Carlos Magno pelo papa Leão III
Coroação de Carlos Magno pelo papa Leão III

Na imagem, Carlos Magno é retratado ajoelhado frente ao papa Leão III e recebendo deste a coroa, em uma clara postura de submissão. Outra diferença diz respeito ao fato de que não foi o papa que se dirigiu à corte do Imperador Franco, mas sim Carlos Magno que se dirigiu a Roma para ser coroado e estabelecer os laços com a instituição cristã. Apesar de Napoleão tentar estabelecer uma ligação com o antigo imperador, ele procurava colocar-se acima dele, tendo o papa como apenas um de seus convidados à cerimônia. O poder temporal estava, nesse momento, acima do poder religioso, contrariamente ao que mostrou a coroação de Carlos Magno.

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A soberba de Napoleão não passaria despercebida por seus inimigos. Tendo os ingleses como principais inimigos em sua política de expansão imperial, Napoleão Bonaparte foi alvo de chacota por parte de um chargista inglês, James Gillray (1756-1815).

Paródia de James Gillray sobre a coroação de Napoleão Bonaparte.*
Paródia de James Gillray sobre a coroação de Napoleão Bonaparte *

Gillray era financiado pelo governo inglês para realizar seus trabalhos, e na obra “A grande procissão da coroação de Napoleão I, imperador da França” (1805), exposta acima, ele pretendeu realizar uma paródia do quadro de Jacques-Louis David. Napoleão foi retratado como um rei de ópera-bufa, sendo que os demais chefes de Estado da Europa foram colocados como maltrapilhos. O papa Pio VII estava aparentemente aborrecido com a situação na qual se via envolvido.

As imagens servem para que possamos pensar os fatos históricos de uma perspectiva que sai das fontes escritas, possibilitando apreender universos mais amplos que os sugeridos pelos historiadores.

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* Crédito da Imagem: Biblioteca do Congresso dos EUA

Consagração do Imperador Napoleão I e coroação da Imperatriz Josephine, de Jacques-Louis David (1748-1825)
Consagração do Imperador Napoleão I e coroação da Imperatriz Josephine, de Jacques-Louis David (1748-1825)
Publicado por: Tales dos Santos Pinto
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