Metais nobres

Os metais nobres (ou metais preciosos) são elementos metálicos de transição compostos por ouro, prata e os ditos metais do grupo da platina (MGP): rutênio, ródio, irídio, ósmio, paládio e a platina. São assim conhecidos porque apresentam não só elevados valores comerciais, mas ocorrência natural pequena e propriedades químicas de destaque.

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Os metais nobres são muito pouco reativos, apresentando uma grande resistência à oxidação e corrosão. Tal resistência lhes permite, inclusive, serem encontrados na sua forma pura na natureza. Possuem ainda elevada energia de ionização, boa ductilidade e boa condução de energia elétrica e de calor. Seus usos na indústria são diversos, destacando-se no campo da catálise e também na medicina.

Leia também: Metais — tudo sobre esse grupo de elementos químicos

Resumo sobre os metais nobres

  • Os metais nobres são elementos metálicos de transição, sendo compostos por ouro, prata e os metais do grupo da platina.
  • Apresentam alto valor comercial, baixa ocorrência natural e propriedades químicas de destaque.
  • São altamente resistentes à corrosão, além de terem elevada energia de ionização e boa condutividade elétrica e térmica.
  • São muito usados na indústria como catalisadores e também no campo da medicina, servindo para tratamentos e diagnósticos.
  • Os metais nobres, obviamente, também são aplicados em joias e também atuam como ativos financeiros seguros.

O que são metais nobres?

Pequenas pepitas de ouro, um metal considerado nobre. [imagem_principal]
Pequenas pepitas de ouro, um metal considerado nobre.

Os metais nobres, também chamados de metais preciosos, contemplam um grupo de elementos de transição, composto pelos elementos ouro, prata e os chamados metais do grupo da platina (MGP): rutênio, ródio, irídio, ósmio, paládio e a própria platina.

O nome “metais nobres” faz alusão não só aos seus altos valores comerciais, mas também às suas baixas ocorrências naturais e propriedades químicas únicas.

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Principais características dos metais nobres

Em termos de cor, boa parte dos metais nobres apresentam coloração prateada, com exceção do ouro, que apresenta uma coloração amarelo típica, e o ósmio, que apresenta tonalidades azuladas nas suas formas puras. Todos são dúcteis e maleáveis.

Amostra de paládio, um dos metais do grupo da platina.
Amostra de paládio, um dos metais do grupo da platina.

Dentre os MGPs, em particular ósmio, irídio e rutênio, destacam-se os elevados pontos de fusão e densidade, além da dureza. Já platina, paládio e ouro apresentam um menor nível de dureza quando comparados aos demais.

A formação de ligas entre esses metais pode auxiliar na aquisição de propriedades ainda melhores. Por exemplo, um maior nível de dureza de Pt, Pd, Rh e Ir pode ser alcançado quando tais metais são misturados com Ru e Os. A liga Pd-Au e Pd-Rh são mais resistentes à corrosão em comparação ao Pd na sua forma metálica.

Metais nobres apresentam excelentes condutividades térmica e elétrica. O ouro e a prata, por exemplo, são os metais com maior condutividade elétrica conhecidos. Uma outra propriedade química interessante de alguns metais nobres é que eles podem ser obtidos na forma de materiais esponjosos ou finamente divididos, o que lhes permite a absorção de grande volume de gases, como é o caso do paládio, capaz de absorver 900 vezes o seu volume em gás hidrogênio, e da platina, capaz de absorver 100 vezes o seu volume em gás oxigênio.

Lista de metais nobres

  • Prata (Ag)
  • Ouro (Au)
  • Ródio (Rh)
  • Rutênio (Ru)
  • Irídio (Ir)
  • Ósmio (Os)
  • Paládio (Pd)
  • Platina (Pt)

Alguns autores também costumam incluir o cobre (Cu) como sendo um metal nobre, embora os oito elementos listados anteriormente sejam sempre citados como metais nobres.

Propriedades dos metais nobres

A principal propriedade que expressa a nobreza desses metais é a alta energia de ionização. Essa elevada energia de ionização é consequência da configuração eletrônica estável desses elementos, os quais apresentam subníveis do tipo d totalmente preenchidos ou quase totalmente preenchidos.

Consequentemente, tais elementos apresentam grande resistência a ataques químicos, principalmente ácidos, bases e semimetais. Por isso, são muito resistentes à corrosão, permanecendo estáveis na presença de gás oxigênio e umidade, o que permite que tais elementos sejam facilmente encontrados na sua forma pura na natureza.

Complementarmente, a boa resistência ao gás oxigênio diminui a tendência desses metais a formar óxidos, o que lhes permite manter seu brilho metálico por longos períodos.

No entanto, bases na sua forma fundida e soluções alcalinas de hipoclorito são capazes de atacar metais nobres. O gás oxigênio é capaz de reagir com os MGPs apenas em elevadas temperaturas (acima dos 600 °C). O ósmio, entretanto, apresenta uma grande afinidade por oxigênio, sendo oxidado a OsO4 em condições ambientes quando está finamente dividido (forma de pó).

Cloro e flúor são capazes de atacar quimicamente os metais nobres, gerando misturas de cloretos e de fluoretos. Um reagente muito famoso que consegue atacar e dissolver metais nobres é a aqua regia, uma mistura de ácidos nítrico e clorídrico concentrados.

Os metais nobres podem apresentar números de oxidação variados em seus compostos possíveis. Rutênio e ósmio, por exemplo, podem chegar ao estado de oxidação +8 (o mais alto e conhecido). Além disso, junto com o irídio, rutênio e ósmio podem ainda apresentar número de oxidação negativo em compostos (-2 e -1). Os estados de oxidação mais estáveis para cada metal são +2 e +4 para Pt e Pd, +3 para Rh e Au e +3 e +4 para Ir, Ru e Os.

Qual a diferença entre metal nobre e metal precioso?

Os termos “metal nobre” e “metal precioso” são considerados sinônimos. Dessa forma, não existem diferenças entre eles na prática.

Quimicamente, os metais nobres são assim considerados por conta de suas propriedades físicas e químicas únicas, como alta resistência à corrosão, baixa reatividade e boa durabilidade. Já os metais preciosos são assim considerados por conta de seu valor econômico-cultural e sua utilização em joias e outros artefatos de valor.

Para que servem os metais nobres?

Quando pensamos em metais nobres, pode ser que, em um primeiro momento, pensemos em seu alto valor comercial, o que propicia sua utilização não só na confecção de joias, mas também como ativos financeiros seguros.

Os metais nobres apresentam uma beleza única, muito por conta de seu brilho metálico, o qual é de difícil perda, já que são altamente resistentes à oxidação (corrosão). Nesse ponto, ouro e platina são dominantes no mercado de joias, com ródio e rutênio sendo utilizados para endurecer esses metais. O ródio, aliás, é usado para banhar o ouro (galvanoplastia), confeccionando o chamado ouro branco, o qual possui uma superfície altamente reflexiva e branca.

Destaca-se, ainda, que o ouro permanece como sendo o principal metal para moedas, moedas de investimento e reservas bancárias, com uma demanda de investimento que atravessa gerações, além de ser um ativo considerado seguro, mesmo com as flutuações inerentes da geopolítica mundial.

Barra de ouro sobre superfície dourada granulada, representando o valor econômico e a resistência química dos metais nobres.
O ouro é um ativo financeiro considerado como estável.

Engana-se, porém, quem pensa que os metais nobres são apenas usados para esses fins. Na verdade, seus usos se estendem para diversos setores tecnológicos e industriais.

Uma das aplicações de maior demanda dos metais nobres (no caso, os MGPs) é a sua utilização em conversores catalíticos de veículos, atuando na redução da emissão de gases poluentes e nocivos, como monóxido de carbono (CO), hidrocarbonetos e óxidos de nitrogênio, por meio da sua transformação em compostos menos nocivos.

Catalisadores dos metais do grupo da platina são também importantes para a geração de energia elétrica limpa em células de combustível e no refino de petróleo, na etapa que busca o rearranjo estrutural e a desidrogenação de hidrocarbonetos alifáticos. O ródio, por exemplo, é utilizado como catalisador na produção de ácido nítrico, na hidroformilação de alcenos e na carbonilação do metanol para a produção de ácido acético.

Catalisador automotivo, um dos usos dos metais nobres.
Metais nobres estão na constituição de catalisadores automotivos.

As propriedades químicas ímpares dos metais nobres também são exploradas. Ouro e prata, como possuem uma excelente condutividade elétrica, são utilizados em contatos elétricos. O ósmio também podes ser usado em contatos elétricos e em pivôs de instrumentos, já que apresenta uma alta dureza.

Já rutênio e paládio podem ser usados em componentes de computadores, telefones celulares e circuitos integrados. A inércia química dos metais nobres também é útil no campo da eletroquímica, onde platina e irídio são frequentemente utilizados como eletrodos em ambientes químicos mais agressivos.

 No campo da medicina e odontologia, os metais nobres são amplamente empregados também. Por exemplo, compostos de platina estão na rotina do tratamento do câncer, como é o caso da cisplatina, introduzida na década de 1970 e ainda bastante empregada em tratamentos oncológicos. Compostos de rutênio, por sua vez, estão tendo sua eficácia avaliada contra tumores que são resistentes à cisplatina, além de apresentarem menos efeitos colaterais. Um isótopo radioativo do irídio, 192Ir, é usado na braquiterapia para o tratamento de câncer também.

A inércia química dos metais nobres, somada à biocompatibilidade e resistência mecânica deles, habilita-os para serem usados em marcapassos, desfibriladores implantáveis, cateteres e stents.

O ouro sempre foi um metal muito utilizado na odontologia, mas outros metais nobres vem se mostrando como alternativas menos custosas para ligas odontológicas (amálgamas), como é o caso do paládio e do irídio.

A nanotecnologia também é um campo de aplicação dos metais nobres dentro da área da medicina. Nanopartículas de ouro e platina são utilizadas em diagnósticos (os chamados sensores biológicos), além da geração de bioimagens e sistemas de entrega de fármacos (o chamado drug delivery). Nanopartículas de prata, por conta de suas propriedades antimicrobianas e catalíticas, são amplamente empregadas em cosméticos, cremes dentais, sabões e detergentes, xampus, máquinas de lavar e em sistemas de purificação de água.

Leia também: Gases nobres — os elementos conhecidos por sua baixa reatividade química

Exercícios resolvidos sobre metais nobres

Questão 1. (CESMAC – Dia 2/2024.1) Ao deparar com um material amarelo brilhante, um fazendeiro acredita ter encontrado ouro, por conta da cor do mineral. Entretanto, ele fica receoso e envia o material para o laboratório de uma empresa especializada, para averiguar se poderia ser ouro (Au) ou cristais de ferrita (FeS2), conhecido como “ouro de tolo”. Caso seja ouro, é correto afirmar que o material apresentará:

1) condutividade elétrica.

2) alta maleabilidade.

3) capacidade de produção de ligas.

Está(ão) correta(s) a(s) afirmativa(s):

  1. 1, apenas.
  2. 2, apenas.
  3. 3, apenas.
  4. 1 e 2, apenas.
  5. 1, 2 e 3

Resposta: Letra E.

O ouro é um metal nobre que se destaca por apresentar boa maleabilidade (deforma-se com facilidade), condutividade elétrica (só não apresenta maior condução elétrica que a prata), além de, por ser um metal, ser capaz de formar ligas metálicas com outros elementos metálicos.

Questão 2. (Unichristus/2024.1) Na culinária francesa e na do Oriente Médio, folhas de ouro comestíveis são usadas para decorar uma variedade de pratos. Isso não é algo recente. A relação do ouro com a comida vem de muito tempo. Há 5 mil anos, por exemplo, os egípcios ingeriam ouro porque acreditavam que o metal tinha algum poder de purificação do corpo e da mente. No entanto, o formato do metal utilizado nas comidas é diferente dos usados nas joias, em que geralmente há mistura com outros elementos — níquel e alumínio, por exemplo. Na alimentação, são usadas folhas, flocos ou pó de ouro 24 quilates cujas massas são inferiores a 1,0 g. Especialistas sugerem que o ouro comestível consumido com moderação não traz nenhum tipo de benefício ou malefício ao ser humano.

Disponível em: https://brqualityconsultoria.com.br/afinal e-seguro-comer-alimentos-banhados-a-ouro/. Acesso em: 25 set. 2023 (adaptado).

No formato descrito no texto, esse elemento pode ser ingerido porque apresenta

  1. baixa toxicidade para o ser humano, sendo completamente solúvel em água.
  2. insolubilidade em meio aquoso, sendo facilmente eliminado pelo organismo humano.
  3. conversão lenta em sua forma iônica, sendo naturalmente apropriado para o consumo.
  4. expressiva reatividade em meio aquoso, sendo rapidamente absorvido pelo sistema urinário.
  5. capacidade redutora por ser um metal nobre, sendo totalmente disperso no sistema digestório.

Resposta: Letra B.

O ouro é um metal nobre de baixa solubilidade em água. Além disso, sua inércia química praticamente impede que ele seja absorvido pelo nosso corpo. Se ele não é absorvido, não se mostra como tóxico, sendo eliminado sem qualquer alteração e preocupação.

Fontes:

SEEHRA, Mohindar S.; BRISTOW, Alan D. Introductory Chapter: Overview of the Properties and Applications of Noble and Precious Metals. In: SEEHRA, Mohindar Singh; BRISTOW, Alan D. (ed.). Noble and Precious Metals: Properties, Nanoscale Effects and Applications. [S. l.]: IntechOpen, 2018. cap. 1. DOI: 10.5772/intechopen.75503. Disponível em: https://www.intechopen.com/chapters/61343.

PAREEK, Vikram et al. Synthesis and Applications of Noble Metal Nanoparticles: A Review. Advanced Science, Engineering and Medicine, [s. l.], v. 9, p. 527–544, 2017. DOI: 10.1166/asem.2017.2027.

BALCERZAK, M. Noble Metals, Analytical Chemistry of. In: MEYERS, R. A. (ed.). Encyclopedia of Analytical Chemistry. [S. l.]: John Wiley & Sons, 2021. DOI: 10.1002/9780470027318.a2411.pub3. Disponível em: https://onlinelibrary.wiley.com/doi/abs/10.1002/9780470027318.a2411.pub3.

Escritor do artigo
Escrito por: Stéfano Araújo Novais Stéfano Araújo Novais, além de pai da Celina, é também professor de Química da rede privada de ensino do Rio de Janeiro. É bacharel em Química Industrial pela Universidade Federal Fluminense (UFF) e mestre em Química pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

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