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Lilith

Lilith é uma figura da mitologia judaica comumente retratada como a primeira esposa de Adão, que se recusou a ser submissa e abandonou o Jardim do Éden.
Pintura de Lilith, figura da mitologia judaica comumente retratada como a primeira esposa de Adão.
Lilith é uma figura da mitologia judaica comumente retratada como a primeira esposa de Adão. [1]

Lilith é uma figura central na mitologia judaica, comumente retratada como a primeira esposa de Adão, que se recusou a ser submissa e abandonou o Jardim do Éden, sendo frequentemente associada a características demoníacas e noturnas em diversas culturas. Embora o Talmud, importante coletânea de livros sagrados dos judeus, não faça menção direta a Lilith, o mito sobre ela é encontrado em textos rabínicos posteriores, como o “Alfabeto de Ben-Sira” e o “Zohar”, nos quais sua narrativa é amplamente desenvolvida. Além da tradição judaica, Lilith também aparece em diversas mitologias, como a mesopotâmica, suméria, babilônica e persa, muitas vezes como uma figura demoníaca feminina.

Leia também: Medusa — uma conhecida figura da mitologia grega

Resumo sobre Lilith

  • Lilith é uma figura da mitologia judaica, frequentemente retratada como a primeira esposa de Adão, que se recusou a ser submissa e deixou o Jardim do Éden.
  • No Talmud, importante coletânea de livros sagrados dos judeus, não há menção direta a Lilith. No entanto, o mito de Lilith é encontrado em textos rabínicos posteriores.
  • “Alfabeto de Ben-Sira” e “Zohar” são exemplos de textos judaicos nos quais a narrativa de Lilith como a primeira esposa de Adão é desenvolvida e discutida.
  • Lilith aparece em várias mitologias além da judaica, como na mesopotâmica, suméria, babilônica e persa, frequentemente associada a figuras femininas demoníacas e noturnas.
  • Na contemporaneidade, Lilith é interpretada como um símbolo de poder feminino, liberação sexual e rejeição de padrões tradicionais de gênero, sendo retratada como uma figura empoderada e independente.
  • A relação entre Lilith e Eva é frequentemente explorada em textos religiosos e literários, representando dois arquétipos femininos distintos: Lilith como independente e rebelde, e Eva como submissa e criada para ser companheira de Adão.
  • Curiosidades sobre Lilith incluem sua presença na arte, literatura e cultura popular ao longo dos séculos, sua representação em jogos, filmes e séries de TV, além de sua associação com a astrologia, em que é simbolizada como a lua negra.

Quem foi Lilith?

Lilith é uma figura central na mitologia judaica, frequentemente retratada como a primeira esposa de Adão, criada junto com ele, ao contrário de Eva, que foi criada a partir da costela de Adão. Apesar de ser central na tradição judaica, também aparece em várias outras culturas ao longo da história, como na mitologia mesopotâmica, suméria, babilônica e persa.

Suas origens remontam a textos antigos, incluindo textos bíblicos e escritos rabínicos. A história de Lilith como a primeira esposa de Adão é encontrada em textos judaicos posteriores ao Talmud, importante coletânea de livros sagrados dos judeus, como o “Alfabeto de Ben-Sira” e o “Zohar”.

Segundo a lenda, Lilith se recusou a se submeter a Adão e deixou o Jardim do Éden. Ela é muitas vezes considerada uma figura demoníaca, associada à noite, à sedução e à tentação. Lilith também é frequentemente retratada como uma figura que ameaça crianças e mulheres grávidas. No entanto, em algumas tradições, Lilith é vista como uma figura poderosa e independente, que se recusa a ser dominada pelos homens.

É importante ressaltar que as histórias sobre Lilith variam bastante ao longo do tempo e em diferentes culturas e ela é interpretada de maneiras diferentes por diferentes grupos e tradições religiosas.

→ Mito de Lilith no Talmud

O mito de Lilith não está presente no Talmud, importante coletânea de livros sagrados dos judeus, sendo encontrado principalmente em textos rabínicos posteriores, como o “Alfabeto de Ben-Sira” e o “Zohar”, que são parte da tradição judaica, mas não fazem parte do Talmud propriamente dito.

No entanto, a figura de Lilith é frequentemente associada à tradição judaica e é discutida em alguns comentários e interpretações do Talmud.

→ Lilith em outras mitologias

Escultura de Lilith como a deusa suméria Inana.
Lilith como a deusa suméria Inana.

A figura de Lilith aparece em várias mitologias e folclores além da tradição judaica. Ela é encontrada em diversas culturas ao redor do mundo, embora possa ser representada de maneiras diferentes e sob diferentes nomes:

  • Mesopotâmia: alguns estudiosos identificam Lilith com figuras mesopotâmicas como Lilitu ou Lamashtu. Na mitologia mesopotâmica, essas figuras também são associadas a demônios femininos que trazem doenças, morte e desgraça.
  • Suméria: em algumas interpretações, Lilith é associada a figuras sumérias como a deusa Inanna ou Ishtar, que são divindades femininas associadas à sexualidade e à fertilidade, mas também têm aspectos de poder e independência.
  • Babilônia: na tradição babilônica, Lilith é vista como um demônio noturno semelhante à versão judaica. Ela é considerada uma entidade malévola que traz desgraça aos homens e crianças.
  • Persa: na mitologia persa, há figuras femininas semelhantes a Lilith, como a divindade Ahriman, associada à escuridão, ao caos e ao mal.

Veja também: Torre de Babel — mito bíblico usado para explicar a variedade de idiomas e a dispersão da humanidade

Significado de Lilith na contemporaneidade

Na contemporaneidade, Lilith adquiriu uma série de significados e interpretações, muitas vezes influenciadas pela cultura popular, pela psicologia e por movimentos feministas:

  • Símbolo do feminismo: em algumas interpretações contemporâneas, Lilith é vista como um símbolo de poder feminino e independência. Ela representa a rebelião contra normas patriarcais e a recusa em ser subjugada pelos homens.
  • Liberação sexual: Lilith também pode ser interpretada como um símbolo de liberação sexual feminina. Sua associação com a sexualidade e a sedução é vista por alguns como uma representação do direito das mulheres à expressão sexual livre de julgamentos e restrições sociais.
  • Rejeição de padrões tradicionais de gênero: em contraste com a figura de Eva, frequentemente associada à submissão e à passividade, Lilith é vista como uma figura que desafia as normas de gênero tradicionais. Ela representa a autonomia e a assertividade feminina.

Lilith x Eva

Lilith representada junto à serpente que tentou Adão e Eva no Jardim do Éden.
Lilith representada junto à serpente que tentou Adão e Eva no Jardim do Éden.

A relação entre Lilith e Eva é frequentemente explorada em tradições religiosas, mitologias e interpretações simbólicas, especialmente na tradição judaico-cristã:

  • Ambas são associadas a Adão: tanto Lilith quanto Eva são retratadas como esposas de Adão em diferentes tradições. Lilith é frequentemente considerada a primeira esposa de Adão, criada junto com ele a partir do solo, enquanto Eva é criada posteriormente a partir de uma costela de Adão.
  • Divergência na submissão: uma das principais diferenças entre Lilith e Eva é a forma como elas interagem com Adão. Segundo a lenda, Lilith se recusou a se submeter a Adão e abandonou o Jardim do Éden, enquanto Eva é retratada como uma companheira mais obediente que foi criada especificamente para ser uma ajudante adequada a Adão.
  • Lilith como a “outra” mulher: em algumas tradições, Lilith é vista como uma figura marginalizada ou rejeitada, enquanto Eva é retratada como a esposa aceita e mãe da humanidade. Lilith é frequentemente associada ao mal e à sedução, enquanto Eva é vista como uma figura mais benevolente e maternal.
  • Conflito e tensão: a relação entre Lilith e Eva pode ser vista como uma representação do conflito entre diferentes ideais de feminilidade e submissão. Lilith é muitas vezes interpretada como uma figura independente e poderosa, enquanto Eva é vista como mais submissa e dócil.

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Curiosidades sobre Lilith

  • Nome e etimologia: o nome “Lilith” tem origens incertas, mas é frequentemente associado à língua suméria, em que “lil” significa “vento” ou “espírito”. Também pode ter raízes em outras línguas semíticas, como o acadiano e o hebraico.
  • Representações artísticas: Lilith tem sido uma figura popular na arte ao longo dos séculos. Artistas como Dante Gabriel Rossetti, John Collier e Francisco de Goya a retrataram em pinturas, geralmente enfatizando sua natureza sedutora e demoníaca.
  • Influência na literatura: Lilith é frequentemente mencionada na literatura, desde textos antigos até obras contemporâneas. Por exemplo, ela aparece na poesia do escritor Lord Byron e no romance “Lilith”, do escritor George MacDonald. Mais recentemente, Neil Gaiman a incluiu em sua série em quadrinhos “Sandman”.
  • Referências populares: a figura de Lilith é frequentemente explorada em filmes, programas de TV e videogames. Por exemplo, ela aparece na série de jogos Castlevania e na série de TV Supernatural, em que é retratada como a primeira mulher de Adão e mãe dos demônios.
  • Mitologia comparativa: Lilith é frequentemente comparada a outras figuras mitológicas femininas de diversas culturas, como Lamia na mitologia grega e Medusa na mitologia greco-romana. Essas comparações ressaltam temas universais de feminilidade, poder e sexualidade.
  • Lilith na astrologia: em astrologia, Lilith é frequentemente associada a um ponto fictício no céu que representa a lua negra ou o lado oculto da Lua. Sua posição em um mapa astrológico é interpretada como reveladora de aspectos da psique e das emoções reprimidas.

Crédito de imagem

[1] Samuel e Mary R. Bancroft / Museu de Arte de Delaware / Wikimedia Commons (reprodução)

Fontes

JESUS, E. Z. de. O Possível Entrelaçar do Eterno Mito Feminino: Eva e Lilith em Pandora. Anagrama, [S. l.], v. 3, n. 2, p. 1-14, 2009. DOI: 10.11606/issn.1982-1689.anagrama.2009.35418. Disponível em: https://www.revistas.usp.br/anagrama/article/view/35418. Acesso em: 23 fev. 2024.

MACHADO, J. C. ENTRE EVA E LILITH: DOIS CRONOTOPOS NO “CAIM” DE JOSÉ SARAMAGO. Revista Desassossego, [S. l.], v. 5, n. 10, p. 74-84, 2013. DOI: 10.11606/issn.2175-3180.v5i10p74-84. Disponível em: https://www.revistas.usp.br/desassossego/article/view/52271. Acesso em: 23 fev. 2024.

Publicado por Tiago Soares Campos

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