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Ramadã

O Ramadã é o nome pelo qual se conhece o nono mês do calendário islâmico, baseado nos ciclos lunares. Os muçulmanos acreditam que, nesse mês, o profeta Muhammad recebeu a revelação da palavra de Allah, e, por isso, consideram esse período sagrado. Todo muçulmano deve cumprir o jejum desse período, que se inicia com o nascer do Sol e se encerra quando o astro se põe.

Acesse também: Islamismo, como surgiu e conceitos básicos

Importância do Ramadã

O Ramadã ou Ramadan é o nome pelo qual se conhece o nono mês do calendário islâmico, um calendário diferente do gregoriano (usado no Ocidente). O calendário islâmico se baseia nos ciclos da Lua e tem 354 ou 355 dias de duração; tem 12 meses, com 29 ou 30 dias de extensão cada.

As orações são uma das práticas realizadas no Ramadã, o mês sagrado dos muçulmanos.
As orações são uma das práticas realizadas no Ramadã, o mês sagrado dos muçulmanos.

O Ramadã é um mês sagrado para os muçulmanos, pois, na religião islâmica, esse foi o mês em que o arcanjo Gabriel desceu dos céus com a palavra de Allah. Essa palavra, o Alcorão (livro sagrado dos muçulmanos), foi revelada a Muhammad (ou Maomé), o profeta do islamismo. Nessa ocasião, Muhammad estava retirado no deserto para meditar.

Os muçulmanos se referem a esse acontecimento como Noite do Destino e afirmam que ele aconteceu em 610, momento em que Muhammad tinha por volta de 40 anos. Durante a revelação, o profeta recitou um verso para Allah, e então iniciou sua trajetória de pregação da palavra de Deus. Esse acontecimento transformou o Ramadã em um mês sagrado para os fiéis do islã.

A importância desse acontecimento para os muçulmanos torna o Ramadã um mês sagrado. Por isso, esse período é dedicado à realização de jejuns, que se iniciam com o nascer do Sol e se encerram com o pôr do Sol. O jejum no Ramadã é uma prática obrigatória do islamismo e é um dos cinco pilares que sustentam essa religião.

Os jejuns são uma iniciativa da religião islâmica que visa à aproximação do fiel com Allah. Além deles, o muçulmano deve intensificar as leituras do Alcorão e as orações para Allah. Outra prática muito comum desse período é o aumento na realização de obras de caridade.

O início do Ramadã se dá quando se avista a Lua crescente no céu no 29º dia do mês de Shaaban (oitavo mês). Caso o céu não esteja aberto, realiza-se cálculos para concluir se a Lua crescente apareceu. Essa observação e os cálculos são feitos com muito cuidado porque a aparição dessa Lua dura apenas 20 minutos.

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Caso a Lua crescente não apareça, o dia seguinte será o 30º dia do mês de Shaaban e o Ramadã se iniciará depois disso. No entanto, se essa Lua for avistada no 29º dia de Shaaban, o dia seguinte será o primeiro dia de Ramadã e as celebrações bem como o jejum serão iniciados. Esse processo é repetido no 29º dia do Ramadã para determinar se haverá um 30º dia ou se o nono mês, chamado Shawwal, se iniciará.

Podemos perceber, portanto, que os ciclos da Lua são importantes para a celebração do Ramadã, pois, como vimos, o calendário islâmico é um calendário lunar, que tem 12 meses que podem ter 29 ou 30 dias cada um. Os meses que formam o calendário islâmico são estes:

  1. Muharram
  2. Safar
  3. Rabi al-Awwal
  4. Rabi al-Akhir
  5. Jamadi al-Awwal
  6. Jamadi al-Akhir
  7. Rajab
  8. Shaaban
  9. Ramadã
  10. Shawwal
  11. Dhu al-Qidah
  12. Dhu al-Hija

Em 2021, o Ramadã terá duração de 30 dias e se estenderá de 13 de abril até o dia 12 de maio. Nos próximos anos, esse evento religioso se iniciará nos seguintes dias:

  • 2022: 1º de abril
  • 2023: 22 de março
  • 2024: 10 de março
  • 2025: 28 de fevereiro
  • 2026: 17 de fevereiro

Acesse também: Entenda a diferença entre árabes e muçulmanos

Práticas do Ramadã

Como mencionado, o Ramadã pode ter duração de 29 ou 30 dias. Esse é um período em que o muçulmano deve abster-se de atitudes pecaminosas e deve purificar-se por meio do jejum, da leitura do Alcorão e das orações. O jejum é uma prática que consta no Alcorão, assim como a sua observância durante o Ramadã.

Como a realização do jejum é um dos cinco pilares do islamismo, isso significa que estamos falando de uma prática obrigatória a todo muçulmano. No entanto, há exceções previstas no texto sagrado. Os muçulmanos entendem que os seguintes grupos não precisam jejuar no Ramadã:

  • Idosos
  • Crianças
  • Doentes
  • Pessoas em viagem
  • Mulheres grávidas
  • Mulheres em amamentação
  • Mulheres menstruadas

Em todos esses casos, o jejum pode ser feito em outro momento do calendário islâmico, mas deve ocorrer antes do início do Ramadã do ano seguinte. Caso o jejum não possa ser observado de maneira alguma, a pessoa pode substituí-lo por uma prática de caridade. No caso, uma pessoa necessitada deve ser alimentada, e o ato deve ocorrer uma vez por dia, durante o período de extensão do Ramadã.

O jejum do Ramadã consiste em não consumir alimentos e bebidas entre o nascer o pôr do Sol. Também inclui a proibição ao consumo de cigarros, às relações sexuais e à menção de palavras profanas (xingamentos), e não é permitido que as pessoas briguem, desentendam-se ou mintam umas para as outras.

Somam-se a essas práticas a leitura do Alcorão e a realização das cinco orações diárias. Todas essas ações visam à aproximação do fiel com Allah e a seu crescimento espiritual. Como o Ramadã é entendido como o mês do perdão, todas as boas obras realizadas nesse período possuem relevância maior. O objetivo dessa época é, então, o crescimento de cada pessoa, para que cada uma se torne melhor.

O ato de presentear pessoas é muito comum durante o Eid al-Fitr, a festa de encerramento do Ramadã.
O ato de presentear pessoas é muito comum durante o Eid al-Fitr, a festa de encerramento do Ramadã.

Por volta das quatro horas da madrugada, os muçulmanos realizam o Suhur, a primeira refeição do dia, e, logo depois, a Fajr, a primeira oração do dia. Quando o Sol se põe, ocorre uma oração conhecida como Magrib, e, em seguida, o Iftar, que é a refeição da noite. Essa última refeição é entendida como um momento de comunhão e, por isso, é feita coletivamente.

O encerramento do Ramadã é marcado com o Eid al-Fitr, uma celebração que se estende por três dias e que pode ser traduzida como “festival de quebra de jejum”. Esses três dias são feriados nos países muçulmanos, e os banquetes e as trocas de presentes são comuns à celebração.

Publicado por Daniel Neves Silva

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