Fábula

A fábula é um texto basicamente ficcional cujos personagens, na maioria das vezes, são animais. Outra característica desse gênero é que quase sempre apresenta um ensinamento moral, fazendo alusão a comportamentos humanos por meio de construções metafóricas ou simbólicas. Dessas forma, os animais, metaforizados a partir das condutas humanas, representam nossas virtudes ou vícios.

A importância das fábulas na formação moral das sociedades é tamanha que, na Idade Média, as lições morais dos textos eram copiadas com letras vermelhas ou douradas, para dar destaque a um comportamento “errado” ou “correto”.

Leia também: Conto – gênero que comporta uma narrativa curta com um único conflito

A fábula é um texto curto em que os personagens estabelecem uma reflexão acerca de algum assunto moral.
A fábula é um texto curto em que os personagens estabelecem uma reflexão acerca de algum assunto moral.

Características da fábula

A fábula configura uma estrutura que precisa apresentar o processo de fabulação ou afabulação, ou seja, manifestação da moral que o texto quer transmitir. Para que esse efeito seja bem estabelecido, a fábula possui algumas características relevantes.

  • A narrativa precisa ser alegórica e pode ser escrita em prosa ou verso.

  • Os animais apresentam comportamentos antropomórficos, ou seja, comportamentos humanos.

  • As virtudes, qualidades e defeitos do caráter dos seres humanos são representados por meio do comportamento dos animais.

  • Pode ter temáticas múltiplas (exemplo: a vitória da inteligência sobre a ignorância).

  • Há manifestação de “personagens tipo”, pois os personagens representam atitudes de um conjunto de pessoas (exemplo: a formiga pode representar pessoas trabalhadoras; a cigarra pode representar pessoas irresponsáveis, etc.).

  • Há uma lição moral no final da história.

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Estrutura da fábula

Embora a fábula transite pelos gêneros literários, trata-se de um texto curto em que os personagens estabelecem uma reflexão acerca de algum assunto moral. Pode utilizar-se de diversas figuras de linguagem, no entanto é preciso sempre escolher personagens inanimados ou animais para nortear o enredo. Veja os elementos principais da estrutura de uma fábula!

  • Narrador: em primeira pessoa ou terceira pessoa. A manifestação de narrador em 3ª pessoa costuma ser mais comum.

  • Personagens: animais com comportamentos humanos, ou seja, antropomorfização.

  • Tempo e espaço: em grande parte das fábulas, o tempo é cronológico. O espaço costuma ser manifestado por meio de florestas, bosques etc.

  • Moral: a fábula pode ser estruturada em prosa ou em verso. Mas lembre-se: é preciso apresentar uma moral, explícita ou implicitamente.

Veja também: Romance – gênero que consiste em uma narrativa longa e complexa

Autores de fábulas famosas

Francês, o escritor Jean de La Fontaine é autor de fábulas muito famosas, como:

  • “A lebre a tartaruga”;

  • “O lobo e o cordeiro”;

  • “O leão e o rato”.

No Brasil, temos o escritor Monteiro Lobato, que escreveu um volume apenas de fábulas. Das produções de Lobato, destacam-se:

  • “A coruja e a águia”;

  • “A galinha dos ovos de ouro”;

  • “Raposa e as uvas”.

Como fazer uma fábula

O primeiro passo é escolher a moral que você quer transmitir com sua narrativa, pois ela direcionará a reflexão proposta em seu texto e evidenciará um problema com o qual os leitores se identifiquem.

Exemplo:

“Não se deve negligenciar nenhum trabalho, para evitar tristeza e perigos”

(Esopo: fábulas completas. Tradução de Neide Smolka. São Paulo, Moderna, 1994)

No segundo passo, estabeleça os personagens da narrativa. É importante ter em mente quais serão as características morais dos animais.

Exemplo:

  • Cigarra representa a preguiça, irresponsabilidade.

  • Formiga representa o trabalho, a força.

Compreendidos os dois primeiros passos, crie o ambiente em que ocorrerá a narrativa.

Exemplo:

“Um dia um corvo estava pousado no galho de uma árvore com um pedaço de queijo no bico quando passou uma raposa…”

(Do livro: Fábulas de Esopo - Companhia das Letrinhas)

Note que o ambiente escolhido pelo autor é simples. Trata-se apenas do galho de uma árvore. Dessa forma, compreendemos que a fábula é uma narrativa simples e objetiva.

E, finalmente, articule o texto com diálogos consistentes, não se esquecendo da pontuação adequada (travessão, vírgula, ponto-final etc.) e da norma-padrão da língua portuguesa. É muito importante também escolher um título criativo para a sua fábula. Para instrumentalizar melhor, leia a fábula abaixo.

 

A raposa e o corvo

“Um dia um corvo estava pousado no galho de uma árvore com um pedaço de queijo no bico quando passou uma raposa.

Vendo o corvo com o queijo, a raposa logo começou a matutar um jeito de se apoderar do queijo. Com esta ideia na cabeça, foi para debaixo da árvore, olhou para cima e disse:

— Que pássaro magnífico avisto nessa árvore! Que beleza estonteante! Que cores maravilhosas! Será que ele tem uma voz suave para combinar com tanta beleza! Se tiver, não há dúvida de que deve ser proclamado rei dos pássaros.

Ouvindo aquilo o corvo ficou que era pura vaidade. Para mostrar à raposa que sabia cantar, abriu o bico e soltou um sonoro “Cróóó!”. O queijo veio abaixo, claro, e a raposa abocanhou ligeiro aquela delícia, dizendo:

— Olhe, meu senhor, estou vendo que voz o senhor tem. O que não tem é inteligência!

Moral: cuidado com quem muito elogia.”

(Do livro: Fábulas de Esopo - Companhia das Letrinhas)

Exercícios resolvidos

Questão 1 – (Fanema SP/2019) Leia a fábula “A tartaruga e a águia” do escritor grego Esopo (620 a.C.?-564 a.C.?).

Uma tartaruga pediu a uma águia que a ensinasse a voar. A ave tentou dissuadi-la:

– Voar é completamente contrário à sua natureza.

Mas a tartaruga suplicou e insistiu ainda mais. Então a águia pegou a tartaruga com suas garras, levou-a até bem alto no céu e depois a soltou. A tartaruga caiu nos rochedos e se espatifou.

(Fábulas, 2013.)

Depreende-se da leitura da fábula a seguinte moral:

A) Os artifícios dos maus não escapam à perspicácia dos mais sensatos.

B) Muitas vezes o esforço vence o talento natural, quando este se torna indiferença.

C) Quem concebe armadilhas para os outros se torna o causador de seus próprios males.

D) Muitos se recusam a ouvir os bons conselhos que lhes são dados: azar o deles.

E) Aqueles que têm uma natureza má prejudicam até mesmo quem os ajuda.

Resolução

Alternativa D. Muitos se recusam a ouvir os bons conselhos que lhes são dados: azar o deles.

Questão 2 – (Unirg - 2017)

A cabra e o asno

Viviam no mesmo quintal. A cabra ficou com ciúme, porque o asno recebia mais comida. Fingindo estar preocupada, disse:

– Que vida a sua! Quando não está no moinho, está carregando fardo. Quer um conselho? Finja um mal-estar e caia num buraco.

O asno concordou, mas, ao se jogar no buraco, quebrou uma porção de ossos. O dono procurou socorro.

– Se lhe der um bom chá de pulmão de cabra, logo estará bom – disse o veterinário.

A cabra foi sacrificada e o asno ficou curado.

Moral: Quem conspira contra os outros termina fazendo mal a si próprio.

(Fonte: Almanaque do Brasil de cultura popular, ano 5, n.55, out. 2003, p-29.)

Reconhecemos no texto o gênero textual:

A) crônica.

B) apólogo.

C) fábula.

D) conto.

Resolução

Alternativa C. O texto apresenta processo de antropomorfização, diálogos e narrativa baseada em um ensinamento. Essas características são comuns do gênero fábula.

Publicado por: Marcelo Sartel
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