Enxofre
O enxofre (S) é um ametal localizado no quarto período da Tabela Periódica, no grupo 16 (dos calcogênios). Possui número atômico igual a 16 e é conhecido pelo seu grande número de alótropos. O mais estável de todos, o S8 ortorrômbico, é um cristal amarelo pálido, inodoro, quebradiço e muito pouco solúvel em água.
O enxofre é majoritariamente aplicado na produção do ácido sulfúrico, H2SO4, um dos insumos químicos mais importantes do mundo e que já foi considerado como índice econômico. O enxofre pode ser encontrado em diversos minerais sulfetados, em áreas vulcânicas e em depósitos de gás natural e petróleo.
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Resumo sobre enxofre
- O enxofre, símbolo S, é um ametal localizado no quarto período da Tabela Periódica, pertencente ao grupo dos calcogênios.
- Seu número atômico é 16 e ele é lembrado por conta de seu grande número de alótropos.
- O alótropo mais estável do enxofre, o S8 na forma ortorrômbica, apresenta-se como um sólido amarelo, inodoro, quebradiço e muito pouco solúvel em água.
- Boa parte do enxofre é utilizado na produção do ácido sulfúrico, embora também se destaque em outras áreas, como na produção do papel sulfite.
- O enxofre pode ser encontrado na natureza, na forma de minerais sulfetados, em áreas vulcânicas ou em depósitos de gás natural e petróleo.
- A história do enxofre se confunde com a história da humanidade, uma vez que ele é descrito desde tempos remotos.
- Foi classificado como um elemento em 1777, por intermédio do químico francês Antoine Lavoisier.
O que é enxofre?
O enxofre é um calcogênio (elemento do grupo 16) localizado no quarto período da Tabela Periódica. É um ametal, representado pela letra S, cujo número atômico é 16. Um aspecto que chama a atenção é que tal elemento possui diversos alótropos, sendo todos eles isolantes.
Para que serve o enxofre?
O enxofre tem como principal produto industrial associado o ácido sulfúrico, H2SO4. É um produto tão importante e tão amplamente empregado que o mesmo já foi utilizado como indicador da economia e nível de industrialização de um país. O enxofre é muito importante no processo de vulcanização da borracha, um processo que garante à borracha natural ou sintética uma maior resistência, elasticidade e durabilidade, essencial para a confecção de pneus automotivos, por exemplo.
Também é empregado na produção de compostos orgânicos e outros compostos químicos que possuem boa aplicação, como é o caso do dissulfeto de carbono, CS2, muito empregado como solvente na indústria. É do enxofre também que se fabrica o sulfito de sódio, Na2SO3, conservante aplicado na fabricação do famoso papel sulfite.
O enxofre também é usado na fabricação da pólvora negra e de fertilizantes.
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Fórmula do enxofre
O elemento enxofre é representado pela letra S, em alusão a “sulfur”, uma palavra latina para designar esse elemento. O enxofre possui diversos alótropos e, portanto, é comum fazer a sua representação por Sx, ou apenas S. Muitos autores acabam se referindo ao enxofre como S8, que é considerado a forma alotrópica mais estável do elemento.
Características do enxofre
O enxofre se apresenta como um sólido amarelo pálido, inodoro, quebradiço, insolúvel em água, porém solúvel em dissulfeto de carbono. Seus dados podem ser consultados a seguir:
- Símbolo: S.
- Número atômico: 16.
- Massa atômica aproximada: 32,059 a 32,076 u.m.a.
- Temperatura de fusão: 115,21 °C.
- Temperatura de ebulição: 444,61 °C.
- Densidade: 2,07 g/cm³ (rômbico, 20 °C); 2,00 g/cm³ (monoclínico, 20 °C).
- Principais números de oxidação: -2, -1, 0, +1, +2, +3, +4, +5 e +6.
- Localização na Tabela Periódica: 4º período, grupo 16 (calcogênios).
Propriedades do enxofre
O enxofre possui tendência à catenação, uma propriedade química que permite que átomos de um mesmo elemento se liguem covalentemente para formação de cadeias e anéis. Os alótropos conhecidos do enxofre possuem as fórmulas S6, S7, S8, S9, S10, S11, S12, S18 e S20, todas cíclicas. Dessas formas alotrópicas, a mais estável é a forma ortorrômbica (ou apenas rômbica), de fórmula S8 e representada como α-S8, a qual ocorre naturalmente na forma de grandes cristais amarelos em áreas vulcânicas.
O enxofre é considerado um elemento reativo. Ele queima em presença de ar com a formação de uma chama azul, formando SO2, assim como reage com os halogênios F2, Cl2 e Br2:
- S8 + 8 O2 → 8 SO2
- S8 + 24 F2 → 8 SF6
- S8 + 4 Cl2 → 4 S2Cl2
- S8 + 4 Br2 → 4 S2Br2
Hidrocarbonetos saturados são desidrogenados quando aquecidos com enxofre e reações subsequentes com alcenos ocorrem. Uma aplicação dessa reação é na vulcanização da borracha. O enxofre pode ainda reagir com CO ou cianeto (CN−) para a produção de O=C=S ou íon tiocianato (N=C=S ↔ N≡C−S)−.
Onde o enxofre é encontrado?
O enxofre elementar pode ser encontrado em depósitos em torno de regiões vulcânicas e fontes termais. Combinado e na forma de minerais sulfetos, podemos citar a pirita (ouro dos tolos, FeS2), a galena (PbS), a esfalerita (ZnS), o cinábrio (HgS), o realgar (As4S4), auripigmento (As2S3), estibnita (Sb2S3), molibdenita (MoS2) e calcosita (Cu2S).
O enxofre também pode ser obtido a partir de depósitos do gás natural e do petróleo cru, fonte essa que vem sendo cada vez mais explorada comercialmente.
Como se produz enxofre?
O processo tradicional de produção de enxofre é o processo Frasch. Água superaquecida (167 °C sob alta pressão) é utilizada para fundir o enxofre, enquanto ar comprimido é utilizado para expulsá-lo para a superfície. Contudo, tal método está em declínio e muitas plantas de operação têm sido fechadas.
A produção de enxofre a partir de depósitos de gás natural e petróleo cru tem aumentado, onde o enxofre ocorre na forma de ácido sulfídrico (H2S). O processo de obtenção é o que se segue:
2 H2S + 3 O2 → 2 SO2 + 2 H2O
2 H2S + SO2 → 3 S + 2 H2O
Todo e qualquer H2S remanescente é passado por reatores que contenham catalisadores de alumina, molibdênio ou cobre para se alcançar a conversão completa em enxofre. Também é possível a obtenção de enxofre como subproduto da produção de ácido sulfúrico, a partir do SO2 utilizado para a produção desse ácido.
Cuidados com o enxofre
O enxofre em si não é um elemento considerado tóxico. Ele é, inclusive, um nutriente necessário em nossa dieta, embora níveis excessivos devam ser evitados. Os principais problemas do enxofre têm, na verdade, relação com seus compostos.
O gás sulfídrico, H2S, pode até ser metabolizado em pequenas quantidades, mas em concentrações maiores, pode causar rapidamente a morte por paralisia respiratória. Outros sintomas possíveis são colapso, cianose, coma e arritmia cardíaca. Além disso, é um gás que inibe a percepção dos odores, ou seja, as pessoas não conseguem perceber sua presença pelo olfato, mesmo em altas concentrações.
Já o dióxido de enxofre é um dos principais poluentes atmosféricos. O SO2, quando em contato com as nossas membranas úmidas, pode formar quantidades de ácido sulfúrico, causando irritação nos olhos, nas mucosas e na pele. O ácido sulfúrico pode também comprometer o funcionamento dos pulmões.
Não só isso, o dióxido de enxofre aumenta a acidez da chuva, causando um problema ambiental conhecido como chuva ácida. A chuva ácida, ao aumentar os níveis de acidez de corpos hídricos e solo, causa mortandade de peixes, perda de florestas e diminui a quantidade de nutrientes disponíveis nos solos para as plantas, além de aumentar os níveis de alumínio no solo, o que é tóxico para a vegetação.
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História do enxofre
Embora seja conhecido desde épocas remotas da história da humanidade, sendo citado em livros como Gênesis e também no Ayurveda, o enxofre só veio a ser classificado como um elemento em 1777, por intermédio do químico francês Antoine Lavoisier.
Sociedades pré-históricas já faziam uso de enxofre para pigmentos de pinturas rupestres em cavernas. No Egito Antigo, o enxofre era queimado como parte de rituais religiosos. Foram os egípcios que, por volta de 1600 a.C. fizeram uso de SO2 (enxofre queimado) para clarear o algodão, sendo este reconhecido como o primeiro uso industrial deste elemento.
Obras de mitologia grega descrevem a queima do enxofre para fumigação. Já na China, por volta de 500 d.C., o enxofre começa a ser utilizado em explosivos e, posteriormente, para a preparação do “fogo grego”, que fora utilizado em guerras durante o período da Idade Média. Um fato curioso liga esse elemento a Plínio, “o Velho”, que relatou diversos usos para o enxofre. Ele morreu durante a erupção do Vesúvio, em 79 d.C., provavelmente asfixiado por vapores de enxofre e seus respectivos compostos.
Fontes
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