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Revolução Inglesa

O processo revolucionário inglês teve suas origens no processo de formação do Estado Absolutista inglês. Desde seus primórdios, a monarquia inglesa teve o seu poder limitado pela criação do parlamento inglês. Assinada em 1215, a Magna Carta previa subordinação do rei ao Parlamento. Dessa forma, a consolidação do absolutismo só foi possível a partir da ascensão da dinastia Tudor.

No governo de Henrique VIII, a criação do anglicanismo ampliou o poder de ação do rei. Além disso, o rompimento das relações entre o Estado e a Igreja Católica também instituiu o confisco das terras clericais. Com essas medidas, o governo de Elizabeth I (1558 – 1603) obteve as condições para ampliar seu favor junto à burguesia ao incentivar a ampliação das atividades mercantis inglesas.

É importante ressaltar que grande parte da burguesia inglesa era de orientação religiosa protestante e, por isso, apoiavam o controle exercido pelo rei junto à Igreja Anglicana. O anglicanismo, que possui aparência católica e conteúdo calvinista, era uma religião que acabava estreitando os vínculos entre o Estado e a burguesia. No entanto, com o fim do governo de Elizabeth I essa relação harmoniosa ficou estremecida.

Com a chegada de Jaime I (1603 – 1625) – da dinastia Stuart – foram tomadas algumas medidas que prepararam o cenário revolucionário inglês. Primeiramente, ele deu continuidade a Lei dos Cercamentos. Segundo essa nova lei, as terras destinadas ao uso do campesinato foram confiscadas para a criação de ovelhas utilizadas na produção de lã para a indústria têxtil inglesa. Dessa maneira, as camadas populares inglesas já se colocaram contra o novo poder estabelecido.

Sucedendo o governo de Jaime I, Carlos I (1625 – 1648) buscou ampliar os poderes da nobreza concedendo vantagens políticas e legais aos seguidores do catolicismo. A burguesia, de maioria protestante, viu nessa medida uma ameaça a seus interesses comerciais e, ao mesmo tempo, a possibilidade da ascensão de um governo centralizado de orientação católica.

Ameaçados por essa situação, a burguesia se mobilizou junto aos camponeses empobrecidos pelos cercamentos para lutarem contra a autoridade real. Com isso, instala-se uma guerra civil. Liderados por Oliver Cromwell, o chamado Exército Puritano conseguiu subjugar os partidários da nobreza e instituíram um novo governo. Entre outras medidas, o governo de Cromwell – criado em 1649 – decretou os chamados Atos de Navegação, que estabeleciam medidas de incentivo ao desenvolvimento dos negócios da burguesia.

Com a morte de Cromwell, em 1658, o governo foi sucedido por seu filho Richard Cromwell, que não resistiu às pressões da nobreza monarquista. Com isso, houve a restauração da dinastia Stuart sob o comando de Jaime II. Temendo a retomada do regime absolutista, a burguesia se aliou ao genro de Jaime II, Guilherme de Orange. Organizando forças para a deflagração da Revolução Gloriosa, a burguesia derrotou o poder real novamente. Cumprindo um acordo pré-estabelecido com a burguesia inglesa, Guilherme de Orange chegou ao trono e assinou a chamada Declaração de Diretos.

Nesse documento encontravam-se várias medidas que subordinavam o rei ao Parlamento e beneficiavam os negócios da burguesia. De acordo com alguns estudiosos, foi a partir do processo revolucionário que a Inglaterra obteve condições de se tornar uma das mais influentes nações capitalistas do mundo.


Por Rainer Sousa
Mestre em História
A coroação de Guilherme de Orange marcou o desfecho da Revolução Inglesa.
A coroação de Guilherme de Orange marcou o desfecho da Revolução Inglesa.
Publicado por: Rainer Gonçalves Sousa
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