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Ricardo Reis

Ricardo Reis foi um heterônimo do poeta português Fernando Pessoa. Ele assinou em torno de 250 odes, e sua poesia apresenta características neoclássicas.
Fernando Pessoa, em pintura de Bottelho (1964-2014).
Fernando Pessoa, em pintura de Bottelho (1964-2014).

Ricardo Reis foi um dos diversos heterônimos do escritor português Fernando Pessoa. Segundo seu criador, ele nasceu em 1887, em Portugal, mas se exilou no Brasil a partir de 1919. Monarquista, epicurista, partidário do estoicismo e do paganismo, sua poesia possui traços neoclássicos e tem como principal temática a efemeridade da vida.

Veja também: Luís Vaz de Camões — um dos maiores poetas portugueses

Videoaula sobre Ricardo Reis

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Biografia de Ricardo Reis

Ricardo Reis foi um dos heterônimos do poeta português Fernando Pessoa (1888-1935). Seu criador divulgou detalhes da biografia de Reis em textos diversos. Segundo Pessoa, o heterônimo Ricardo Reis foi criado no ano de 1912, como autor de poemas pagãos, ou em 1914, as declarações de Pessoa são divergentes.

Seu nascimento, segundo Fernando Pessoa, foi em 19 de setembro de 1887. Pessoa, em documentos diferentes, diverge também sobre a cidade natal de Reis. Portanto, pode ser o Porto ou Lisboa, em Portugal. Quanto aos aspectos físicos do heterônimo, ele era um pouco mais baixo, mais forte e seco do que Alberto Caeiro (outro heterônimo de Pessoa).

Reis usava a cara rapada e possuía uma pele de cor morena. Ele foi educado em colégio de jesuítas e, depois, se tornou médico. Quando a república foi implantada em Portugal, ele se exilou no Brasil, em 1919. De formação latinista e semi-helenista, era um tradicionalista política e artisticamente.

Assim, defendia a monarquia, o epicurismo, o estoicismo e o neopaganismo. Devido à sua formação clássica, admirava, principalmente, Horácio, além de Virgílio e Lucrécio. Esse discípulo de Alberto Caeiro também era um anticristão.

Características da poesia de Ricardo Reis

A poesia de Ricardo Reis possui as seguintes características:

  • objetividade;

  • linguagem rebuscada;

  • temática da fugacidade;

  • rigor formal;

  • traços neoclássicos;

  • carpe diem;

  • referências greco-latinas;

  • niilismo;

  • sobriedade;

  • amor idealizado.

Poemas de Ricardo Reis

O poeta Ricardo Reis escreveu em torno de 250 odes, entre outros poemas líricos. A seguir, em um dos poemas desse heterônimo, o eu lírico conversa com Lídia e diz que ama as rosas dos jardins do mitológico Adônis. Ele considera as rosas efêmeras, pois vivem apenas um dia e não conhecem a noite, só o brilho do Sol. Dessa forma, ele conclui que a vida humana também é fugaz, dura pouco, e que, antes e depois da vida (dia), existe só a noite:

As rosas amo dos jardins de Adônis,
Essas vólucres amo, Lídia, rosas,
Que em o dia em que nascem,
Em esse dia morrem.
A luz para elas é eterna, porque
Nascem nascido já o sol, e acabam
Antes que Apolo deixe
O seu curso visível.
Assim façamos nossa vida um dia,
Inscientes, Lídia, voluntariamente
Que há noite antes e após
O pouco que duramos.|1|

Ilustração dos principais deuses gregos.
A presença dos deuses gregos na poesia de Ricardo Reis é um traço de seu paganismo.

Já no próximo poema, o eu lírico afirma que os deuses do Olimpo estão acima da verdade. Nosso conhecimento não passa de uma cópia malfeita da certeza que eles possuem. Assim, devem apenas ser adorados e não entendidos, pois são tão reais como as flores e possuem uma outra natureza (essência):

Acima da verdade estão os deuses.
A nossa ciência é uma falhada cópia
Da certeza com que eles
Sabem que há o Universo.

Tudo é tudo, e mais alto estão os deuses,
Não pertence à ciência conhecê-los,
Mas adorar devemos
Seus vultos como às flores,

Porque visíveis à nossa alta vista,
São tão reais como reais as flores
E no seu calmo Olimpo
São outra Natureza.|2|

Leia também: Carlos Drummond de Andrade — o maior poeta brasileiro do século XX

Heterônimos de Fernando Pessoa

  • Alberto Caeiro

  • Álvaro de Campos

  • António Mora

  • Alexander Search

  • António Seabra

  • Barão de Teive

  • Bernardo Soares

  • Carlos Otto

  • Charles James Search

  • Charles Robert Anon

  • Coelho Pacheco

  • Faustino Antunes

  • Frederico Reis

  • Frederick Wyatt

  • Henry More

  • I. I. Crosse

  • Jean Seul

  • Joaquim Moura Costa

  • Maria José

  • Pantaleão

  • Pêro Botelho

  • Raphael Baldaya

  • Ricardo Reis

  • Thomas Crosse

  • Vicente Guedes

Notas

|1| PESSOA, Fernando. Obra poética. 7. ed. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1977.

|2| PESSOA, Fernando. Odes de Ricardo Reis. Lisboa: Ática, 1946.

Crédito de imagem

[1] Wikimedia Commons (reprodução)

Publicado por Warley Souza

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