Fernando Pessoa

Fernando Pessoa, poeta português, nasceu em 13 de junho de 1888, em Lisboa, cidade portuguesa. Na infância, ficou órfão de pai. Devido ao novo casamento de sua mãe, com um cônsul, viveu nove anos na África do Sul. Voltou definitivamente a Portugal quando tinha 17 anos. Foi dono de tipografia e editora, além de tradutor de cartas comerciais.

Seus dois primeiros livros — Antinous e 35 sonnets — foram publicados em inglês. Sua primeira obra publicada em português foi Mensagem, de 1934. Assim, o poeta, pertencente à geração de Orpheu do modernismo português, produziu obras anticonvencionais, provocativas, com liberdade formal, elementos futuristas e simbolistas. Foi também criador do sensacionismo e de muitos heterônimos, antes de falecer, em 30 de novembro de 1935.

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Biografia de Fernando Pessoa

Fernando Pessoa foi um importante autor do modernismo português.
Fernando Pessoa foi um importante autor do modernismo português.

Fernando Pessoa nasceu em 13 de junho de 1888, na cidade de Lisboa, em Portugal. Quando criança, escrevia em português, francês e inglês. Com a idade de cinco anos, perdeu o pai, morto devido à tuberculose. Aos sete anos, escreveu o poema “À minha querida mamã”. Sua mãe casou novamente, e Pessoa viveu por nove anos, de 1896 a 1905, em Durban, na África do Sul, pois seu padrasto era cônsul.

Ali ingressou na Convent School, um colégio de freiras, e conseguiu estudar, em três anos, o conteúdo escolar de cinco. Então, em 1899, passou a frequentar a Durban High School e, em 1901, recebeu o First Class School Higher Certificate, da Universidade do Cabo da Boa Esperança. Foi em 1902 que publicou seu primeiro poema — “Quando a dor me amargurar” — no jornal O Imparcial, em Lisboa, enquanto estava de férias em seu país natal.

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Nesse mesmo ano, começou a estudar na Commercial School de Durban. No ano seguinte, publicou seu primeiro poema em inglês — “The miner’s song” — no jornal The Natal Mercury e recebeu o Queen Victoria Memorial Prize pelo melhor ensaio no exame de qualificação na Universidade do Cabo da Boa Esperança. Assim, voltou a Lisboa, definitivamente, quando tinha 17 anos, em 1905, e ingressou na Faculdade de Letras, que abandonou em 1907.

Em 1909, por ser o único herdeiro de sua avó paterna, morta em 1907, recebeu a herança e, com o dinheiro, abriu a Empresa Íbis (tipografia e editora). No entanto, ela faliu no ano seguinte. Alguns anos depois, em 1916, começou a realizar experiências de escrita automática ou mediúnica.

Dois anos depois, publicou, com recursos próprios, seus dois primeiros livros em inglêsAntinous e 35 sonnets. Além disso, em 1919, trabalhou como tradutor de cartas comerciais, escrevia cartas em francês e inglês para empresas portuguesas com filiais em outros países.

Em 1920, fundou a firma Olisipo (editora e negócios mineiros). A partir desse ano, com a volta da mãe, novamente viúva, o poeta foi morar com ela e seus irmãos. A Olisipo publicou livros de António Botto (1897-1959) e Raul Leal (1886-1964), que, em 1923, foram apreendidos por ordem do Governador Civil de Lisboa, que os considerava “imorais”. Como protesto, Fernando Pessoa escreveu dois manifestos contra a censura dos livros.

Seu primeiro livro em português — Mensagem — foi publicado em 1934. Por essa obra, o poeta, que morreu em 30 de novembro de 1935, em Lisboa, ganhou o Prémio de Poesia Antero de Quental. Um dia antes de morrer, Fernando Pessoa escreveu, a lápis, as seguintes palavras: “I know not what tomorrow will bring”, isto é, “Não sei o que o amanhã trará”. Assim, o poeta deixou em torno de 25 mil páginas de textos, que vêm sendo, lentamente, publicadas desde a sua morte.

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Características literárias de Fernando Pessoa

Fernando Pessoa pertence à geração de Orpheu (1915-1927), um grupo de artistas que introduziu o modernismo em Portugal. Isso ocorreu com a publicação da revista Orpheu, em 1915, de caráter revolucionário, pois pretendia chocar e criticar a elite burguesa de Portugal. Assim, as obras de Pessoa têm as seguintes características:

O poeta, também, foi o criador do sensacionismo, um movimento ocorrido no interior do modernismo. Essa corrente literária buscava a síntese de todos os movimentos de vanguarda. Por isso, era controversa, antitética e paradoxal. Portanto, partia do princípio defendido pelo heterônimo Álvaro de Campos:

“Sentir tudo de todas as maneiras,/ Viver tudo de todos os lados,/ Ser a mesma coisa de todos os modos possíveis ao mesmo tempo,/ Realizar em si toda a humanidade de todos os momentos/ Num só momento difuso, profuso, completo e longínquo. […].”

Obras de Fernando Pessoa

  • 35 sonnets (1918)
  • Antinous (1918)
  • English poems (1921) — em três volumes
  • Mensagem (1934)
  • Livro do desassossego (1982)

Mensagem

Mensagem, de 1934, o único livro em português que Fernando Pessoa publicou em vida, e ganhador do Prémio Antero de Quental, apresenta nacionalismo crítico e faz uma oposição entre o passado e o presente de Portugal. Desse modo, a obra é dividida em três partes:

  • Brasão”, que apresenta personagens históricos;
  • Mar português”, centrada nas grandes navegações;
  • O encoberto”, cujo foco é o sebastianismo, uma espécie de nacionalismo messiânico.

Assim, neste trecho do poema “Os campos”, da primeira parte, o eu lírico fala do conde D. Henrique (1066-1112), que recebeu de Afonso VI (1047-1109), ao casar-se com sua filha Teresa (1080-1130), o Condado Portucalense:

“Todo começo é involuntário.
Deus é o agente.
O herói a si assiste, vário
E inconsciente.

À espada em tuas mãos achada
Teu olhar desce.
‘Que farei eu com esta espada?’
Ergueste-a, e fez-se.”

O poema “Mar português”, da segunda parte, mostra a importância do mar na identidade portuguesa, marcada pela bravura e pelo espírito aventureiro:

“Ó mar salgado, quanto do teu sal
São lágrimas de Portugal!
Por te cruzarmos, quantas mães choraram,
Quantos filhos em vão rezaram!
Quantas noivas ficaram por casar
Para que fosses nosso, ó mar!

Valeu a pena? Tudo vale a pena
Se a alma não é pequena
.
Quem quer passar além do Bojador
Tem que passar além da dor.
Deus ao mar o perigo e o abismo deu,
Mas nele é que espelhou o céu.”

Já no trecho do poema “Os símbolos”, da terceira parte, o eu lírico fala do lendário D. Sebastião (1554-1578), cujo esperado regresso está nas bases do nacionalismo português mais radical:

“‘Sperai! Cai no areal e na hora adversa
Que Deus concede aos seus
Para o intervalo em que esteja a alma imersa
Em sonhos que são Deus.

Que importa o areal e a morte e a desventura
Se com Deus me guardei?
É o que eu me sonhei que eterno dura
É esse que regressarei.”

Retrato do rei D. Sebastião, obra de Cristóvão de Morais.
Retrato do rei D. Sebastião, obra de Cristóvão de Morais.

Por fim, um trecho do poema “Os tempos”, da terceira parte, em que o eu lírico mostra a decadência de Portugal:

“Nem rei nem lei, nem paz nem guerra,
Define com perfil e ser
Este fulgor baço da terra
Que é Portugal a entristecer
Brilho sem luz e sem arder,
Como o que o fogo-fátuo encerra.

Ninguém sabe que coisa quer.
Ninguém conhece que alma tem,
Nem o que é mal nem o que é bem.
(Que ânsia distante perto chora?)
Tudo é incerto e derradeiro.
Tudo é disperso, nada é inteiro.
Ó Portugal, hoje és nevoeiro...”

Veja também: Poemas de Miguel Torga

Heterônimos de Fernando Pessoa

Fernando Pessoa é um ortônimo, isto é, o nome do autor de carne e osso. Já os heterônimos são autores fictícios, que possuem identidades próprias. O poeta criou vários heterônimos, mas os mais importantes são:

Álvaro de Campos

  • Local de nascimento: Tavira
  • Data de nascimento: 15 de outubro de 1890
  • Horário de nascimento: uma e trinta da tarde
  • Características físicas:

- pele entre branca e morena

- cabelo liso

- uso de monóculo

  • Formação: Engenharia Mecânica e Naval
  • Lugar de formação: Escócia
  • Características literárias:

- decadentismo

- modernismo

- futurismo

- niilismo

- intimismo

- pessimismo

Ricardo Reis

  • Data de nascimento: 19 de setembro de 1887
  • Local de nascimento: Porto
  • Horário de nascimento: quatro e cinco da tarde
  • Características físicas:

- mais baixo, mais forte e mais seco do que Alberto Caeiro

- cara raspada

  • Formação: educado em colégio de jesuítas.
  • Profissão: médico
  • País de residência: Brasil (desde 1919)
  • Ideologia política: monarquista
  • Características literárias:

- bucolismo

- classicismo

- epicurismo

- estoicismo

- moralismo

- rigor formal

- referências greco-latinas

Alberto Caeiro

  • Ano de nascimento: 16 de abril de 1889
  • Local de nascimento: Lisboa
  • Horário de nascimento: uma e quarenta e cinco da tarde
  • Infância: órfão de pais
  • Características físicas:

- louro

- olhos azuis

  • Residência: durante muito tempo, viveu no campo, em companhia de uma tia-avó idosa.
  • Formação: educação primária apenas
  • Profissão: nenhuma
  • Ano de falecimento: 1915
  • Causa da morte: tuberculose
  • Características literárias:

- antifilosófico

- objetividade

- simplicidade

- antimetafísico

- sensacionismo

- panteísmo

- liberdade formal.

Bernardo Soares

  • Infância: solitária
  • Características físicas:

- trinta anos, aproximadamente

- rosto pálido

- ar de sofrimento

- magro

- mais alto do que baixo

- desleixo no vestir-se

  • Profissão: ajudante de guarda-livros na cidade de Lisboa
  • Características literárias:

- fragmentação

- autobiografismo

- reflexão

- imagens do cotidiano

Veja também: Presencismo – segunda fase do modernismo português

Frases de Fernando Pessoa

A seguir, vamos ler algumas frases de Fernando Pessoa, retiradas de entrevista publicada na Revista Portuguesa, em 13 de outubro de 1923:

“Todo povo se compõe de uma aristocracia e de ele mesmo.”

“A aristocracia manifesta-se como indivíduos; o povo revela-se como todo ele um indivíduo só.”

“Só coletivamente é que o povo não é coletivo.”

“Nunca um verdadeiro português foi português: foi sempre tudo.”

“Confio ao silêncio a injustiça.”

“A ânsia de ser completo leva ao desespero de o não poder ser.”

“Que sei eu do presente, salvo que ele é já o futuro?”

“Estamos tão desnacionalizados que devemos estar renascendo.”

“Nada há a esperar, é certo, das classes dirigentes, porque não são dirigentes.”

“Todos os caminhos vão dar à ponte quando o rio não tem nenhuma.”

Publicado por Warley Souza
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