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Capitalismo financeiro

O capitalismo financeiro é uma das fases do capitalismo, marcada pela emergência do mercado financeiro e pela centralidade dos bancos e das bolsas de valores.
Dados financeiros em um monitor em texto sobre capitalismo financeiro.
A financeirização da economia é o principal aspecto da atual fase do capitalismo.

O capitalismo financeiro é a fase do capitalismo que surgiu a partir do final da década de 1920, com a crise econômica de 1929 e o declínio do capitalismo industrial. As instituições como os bancos, as bolsas de valores e as empresas transnacionais são os agentes principais do capitalismo financeiro, que tem como características o elevado dinamismo econômico em escala internacional e a formação de cadeias produtivas globais. Destaca-se, ainda, pela monopolização do mercado.

Presente em todos os países do mundo, inclusive no Brasil, o capitalismo financeiro vive hoje a sua etapa informacional, que se apoia nas novas tecnologias da informação e da comunicação e na integração do espaço mundial em rede.

Leia também: O que é o fenômeno da globalização?

Resumo sobre capitalismo financeiro

  • Capitalismo financeiro ou capitalismo monopolita, como é também chamado, é a atual fase do sistema econômico capitalista.

  • Tem como objetivo a acumulação de capitais e a geração de lucros por meio da compra e venda de ações, da promoção de investimentos e da especulação.

  • Caracteriza-se pela(o): centralidade do mercado financeiro, expansão das multinacionais e transnacionais, cadeias produtivas globais e monopolização do mercado.

  • Surgiu no final da década de 1920 e se consolidou na segunda metade do século XX.

  • Marcado por crises econômicas como a de 1929, as crises do petróleo da década de 1970 e as crises das hipotecas subprime de 2008.

  • O capitalismo financeiro e seus principais agentes, os bancos e bolsas de valores, são presentes há muito tempo no Brasil. Entretanto, consolidou-se a partir da década de 1970.

  • O capitalismo financeiro é importante pela dinamização econômica que representou em escala global, além da formação de uma nova divisão internacional do trabalho.

  • Atualmente nos encontramos na fase do capitalismo informacional, marcada pelo emprego das tecnologias da informação e comunicação e pelo espaço mundial conectado em rede.

Objetivos do capitalismo financeiro

Os objetivos do capitalismo financeiro, chamado também de capitalismo monopolista, são os mesmos objetivos do sistema capitalista desde a sua implementação: a acumulação de capitais e a geração de riquezas. O que difere a atual fase do capitalismo daquelas que vieram antes é, no entanto, a maneira através da qual tais objetivos são atingidos.

No capitalismo financeiro, predominam dois agentes que podemos chamar de intermediários: os bancos e as instituições financeiras, notadamente as bolsas de valores. Elas formam o chamado mercado, figura central da atual fase do capitalismo, que obtém lucros a partir da comercialização de ações, da promoção de investimentos financeiros e, também, por meio da especulação de capitais.

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Características do capitalismo financeiro

O capitalismo financeiro é uma das etapas do sistema capitalista que apresenta como principal característica a ascensão do mercado e das instituições financeiras (bancos, bolsas de valores, seguradoras, casas de investimento) como agentes centrais, uma vez que ele surgiu justamente a partir do processo de financeirização da economia.

Além desse, outros aspectos que tornam o capitalismo financeiro uma fase individual do sistema econômico em voga são:

  • Multiplicação e disseminação das empresas multinacionais e transnacionais.

  • Expansão da escala de atuação do mercado graças à modernização das comunicações e dos meios de transporte, que proporcionam a descentralização espacial das atividades.

  • Emergência de cadeias produtivas globais e de uma nova Divisão Internacional do Trabalho (DIT) em decorrência da mundialização da economia.

  • Forte presença das bolsas de valores, onde acontece a compra e venda de ações de empresas e a negociação das commodities.

  • Surgimento das holdings (sociedades formadas por duas ou mais empresas) e trustes (união de duas ou mais empresas, muitas vezes que são concorrentes em um mesmo ramo).

  • Monopolização do mercado em função do explicado anteriormente.

Veja também: Como funciona o livre mercado?

Origem e fases do capitalismo financeiro

O capitalismo financeiro se consolidou com a globalização econômica a partir da segunda metade do século XX, período esse marcado pela modernização das tecnologias de informação e da comunicação e pela maior presença das empresas multinacionais no espaço mundial. No entanto, a sua origem remonta ao início daquele mesmo século. O capitalismo financeiro surgiu após a Crise de 1929, que assolou os principais centros econômicos do período e marcou o declínio do capitalismo industrial.

Dentro do capitalismo financeiro se diferenciam duas fases: a inicial, do capitalismo financeiro ou monopolista como o descrevemos até aqui, e a do capitalismo informacional, que veremos adiante.

Crises do capitalismo financeiro

Estátuas de homens com chapéus em monumento sobre uma das crises do capitalismo financeiro.
Monumento da Grande Depressão, período subsequente à Crise de 1929 que assolou principalmente os Estados Unidos.

O sistema capitalista é marcado por crises econômicas que acontecem ciclicamente, isto é, se repetem de tempos em tempos e são marcadas pela forte recessão econômica e consequências que atingem diretamente as instituições monetárias e financeiras, os Estados e a população, esta a mais prejudicada com alterações bruscas no custo de vida, queda de salários e demissões.

As grandes crises do capitalismo têm a capacidade de promover transformações significativas nesse sistema, como é o caso do término de uma fase e início da fase subsequente. Foi isso que aconteceu naquela que é considerada a primeira crise do capitalismo financeiro, e que inaugurou essa fase do capitalismo moderno. As principais crises do capitalismo financeiro são:

  • Crise de 1929: desencadeada pelo crash (ou quebra) da Bolsa de Valores de Nova Iorque, nos Estados Unidos, no ano de 1929, decorrente da especulação financeira e da superprodução.

  • Crises do petróleo da década de 1970: a segunda metade do século XX ficou marcada por duas crises do petróleo desencadeadas pela alta no preço dessa commodity. Dessa vez, um maior número de nações foi afetado, sobretudo pelo amplo uso do petróleo como fonte de energia.

  • Crise de 2008: originada a partir da bolha de especulação imobiliária criada nos Estados Unidos, resultante da alta na venda de imóveis sem a garantia efetiva de pagamento (hipotecas subprime). Gerou a desestabilização da economia mundial, e afetou sobretudo o país originário e a Inglaterra. Reflexos no Brasil foram sentidos alguns anos depois, junto de outras economias emergentes. Saiba mais sobre essa crise clicando aqui.

Bancos e o capitalismo financeiro

Os bancos são instituições monetárias que surgiram antes do surgimento do sistema capitalista, ainda no século XII, tendo ampliando a sua presença pelo mundo a partir da Revolução Industrial. No entanto, foi a partir do capitalismo financeiro que os bancos assumiram o papel de protagonismo ao lado do mercado de ações.

Nesse contexto, os bancos são parte do que chamamos de mercado e se tornaram os responsáveis pela realização de empréstimos para as empresas e demais agentes do capitalismo financeiro, bem como a efetuação de financiamentos para empresas, estabelecimentos comerciais e pessoas físicas

Capitalismo financeiro no Brasil

O capitalismo financeiro é o sistema vigente em todas as economias nacionais do mundo, independente da posição que elas ocupam na Divisão Internacional do Trabalho (DIT). Tal constatação inclui a economia brasileira. Entretanto, essa fase do capitalismo se consolidou no Brasil a partir da segunda metade do século XX, em especial com as diretrizes do Consenso de Washington que foram aprovadas na década de 1990.

No mesmo período em que o capitalismo financeiro, mais precisamente a sua fase informacional, avançava pelo mundo, o Brasil passava pela modernização do campo e a introdução do agronegócio como modelo de produção nos campos. Atualmente, para além das instituições financeiras e empresas multinacionais que atuam no país, um dos expoentes da financeirização da economia brasileira são as commodities agrícolas como a soja.

Máquinas agrícolas em campo de soja, exemplo do capitalismo financeiro no Brasil.
O capitalismo financeiro e o agronegócio caminham lado a lado no Brasil.

As commodities têm seu preço definido em bolsas de valores, e são vendidas antes mesmo do início da safra. Essa mercadoria é o carro-chefe da economia brasileira, com destaque para as exportações. Junto do crescimento do agronegócio podemos citar o ingresso de capitais na forma de investimentos diretos como um dos aspectos do capitalismo financeiro no Brasil. No entanto, o que o diferencia desse sistema em outros países é a maior participação do Estado nos processos econômicos e financeiros.

Importância do capitalismo financeiro

O capitalismo financeiro proporcionou a circulação do capital em maior escala a partir da multiplicação dos agentes envolvidos no processo, com destaque para as empresas multinacionais (transnacionais), os bancos e o mercado de ações.

Nesse sentido, o capitalismo financeiro é importante pela dinâmica econômica internacional que emergiu após o seu aparecimento, com um maior número de territórios inclusos no sistema econômico internacional. Isso inclui o desenvolvimento de novas economias industrializadas e a ascensão de países emergentes no cenário global.

Saiba mais: Meio técnico-científico-informacional — conceito, características e impactos

Capitalismo financeiro e capitalismo informacional

O capitalismo informacional é a fase mais recente do capitalismo financeiro, tendo sido o termo cunhado pelo sociólogo e professor Manuel Castells (1942-) nos anos 1990. O surgimento do capitalismo informacional aconteceu em conjunto com o avanço da globalização pelo mundo a partir da segunda metade do século XX, caracterizada pela modernização das tecnologias da informação e da comunicação.

O aperfeiçoamento técnico desse novo período, que tem como pilar a emergência do meio técnico-científico-informacional, proporcionou a desconcentração espacial de empresas e a expansão das cadeias de produção global, bem como a intensificação do fluxo de capitais e de mercadorias pelo espaço mundial, conectado em redes.

Exercícios resolvidos sobre capitalismo financeiro

Questão 1

(PUC-RS) A crise mundial deflagrada em 2008 teve repercussões imediatas em muitos países. Quanto à extensão dessa crise, é correto afirmar:

a) Os países mais afetados foram os africanos, pois são exportadores de alimentos para os países asiáticos.

b) A Venezuela sofreu um grande impacto econômico, pelo fato de exportar produtos siderúrgicos, principalmente.

c) Os países que apresentam maior circulação de divisas provindas do capital financeiro foram os que sofreram os maiores impactos.

d) A maior causa da crise, que teve início nos Estados Unidos da América do Norte, está vinculada à diminuição da produção de alimentos em seu território.

e) No estado do Rio Grande do Sul, a crise é percebida pela falência de empresas produtoras de calçados, que até então tinham no mercado internacional chinês o seu grande espaço de vendas.

Resolução: Alternativa C. A crise de 2008 se originou a partir da bolha imobiliária, afetando sobretudo instituições financeiras e países que apresentam maior volume de divisas oriundas desse segmento. Essa foi uma das principais crises do capitalismo financeiro, mais precisamente informacional.

Questão 2

(Enem) Um carro esportivo é financiado pelo Japão, projetado na Itália e montado em Indiana, México e França, usando os mais avançados componentes eletrônicos, que foram inventados em Nova Jérsei e fabricados na Coreia. A campanha publicitária é desenvolvida na Inglaterra, filmada no Canadá, a edição e as cópias, feitas em Nova York para serem veiculadas no mundo todo. Teias globais disfarçam-se com o uniforme nacional que lhes for mais conveniente.

REICH, R. O trabalho das nações: preparando-nos para o capitalismo no século XXI. São Paulo: Educator, 1994 (adaptado).

A viabilidade do processo de produção ilustrado pelo texto pressupõe o uso de:

a) linhas de montagem e formação de estoques.

b) empresas burocráticas e mão de obra barata.

c) controle estatal e infraestrutura consolidada.

d) organização em rede e tecnologia de informação.

e) gestão centralizada e protecionismo econômico.

Resolução: Alternativa D. O processo de produção descrito é viabilizado pelos elementos introduzidos no capitalismo financeiro, mais precisamente no capitalismo informacional, como a organização em rede e as tecnologias da informação modernas.

Fontes

BRESSER-PEREIRA, L. C. Capitalismo financeiro-rentista. Estudos Avançados, [S. l.], v. 32, n. 92, p. 17-29, 2018. Disponível em: https://www.revistas.usp.br/eav/article/view/146435.

BRUNO, Miguel. Financeirização e crescimento econômico: o caso do Brasil. ComCiência, Campinas, n. 128, maio 2011. Disponível em: http://comciencia.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1519-76542011000400009&lng=pt&nrm=iso.

BRUNO, Miguel; CAFFE, Ricardo. Estado e financeirização no Brasil: interdependências macroeconômicas e limites estruturais ao desenvolvimento. Economia e Sociedade, vol. 26, n. spe, 2017. Disponível em: https://www.scielo.br/j/ecos/a/cMqwL9wPX9kndtKJyC4fWSM/?lang=pt.

CHICOSKI, Davi. Aspectos da financeirização da economia brasileira. Revista Pesquisa & Debate. São Paulo, vol. 27. n. 49. Mar 2016. Disponível em: https://revistas.pucsp.br/index.php/rpe/article/view/24723.

PRATES, Daniela; OLIVEIRA, Giuliano. Notas de aula: Economia Internacional. Instituto de Economia, UNICAMP, 2017.

SANTOS, Milton. Por uma outra globalização: do pensamento único à consciência universal. Rio de Janeiro: Editora Record, 2011. 20ª ed.

Publicado por Paloma Guitarrara

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