Estrutura e formação das palavras
A estrutura e a formação das palavras são temas da gramática que ajudam a entender como os vocábulos são construídos e como novos sentidos surgem na língua. A estrutura permite identificar os elementos que compõem a palavra, como radical e afixos, enquanto a formação ajuda a compreender processos como derivação e composição.
Leia também: Como saber qual é o radical de uma palavra?
Resumo sobre estrutura e formação das palavras
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A estrutura e a formação das palavras estudam a composição e a criação dos vocábulos.
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A estrutura trata das partes que formam a palavra, chamadas de morfemas.
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A formação explica os processos de criação de novas palavras a partir de outras.
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Os principais morfemas são o radical, a vogal temática, os afixos e as desinências.
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Os dois processos de formação de palavras na língua portuguesa são a derivação e a composição.
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A derivação ocorre quando uma palavra nova é formada a partir de uma palavra já existente.
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A composição ocorre quando uma nova palavra é formada pela união de dois ou mais radicais.
Videoaula sobre estrutura e formação das palavras
O que é estrutura e formação das palavras?
A estrutura das palavras organiza os elementos que compõem cada vocábulo. Em outras palavras, analisa-se de que partes uma palavra é formada e qual função cada parte exerce em sua construção. Essas partes são chamadas de morfemas.
Já a formação das palavras trata dos processos pelos quais novas palavras surgem na língua. Esse estudo mostra como um vocábulo pode ser criado a partir de outro, seja pelo acréscimo de morfemas, seja pela união de palavras já existentes.
Estrutura das palavras
A estrutura das palavras envolve os principais elementos (morfemas) que compõem cada vocábulo. Veja um resumo dos principais morfemas a seguir:
→ Radical
É o morfema básico da palavra, ou seja, a parte que concentra seu significado principal.
Observe nestes exemplos:
livro → livraria – livreiro – livrinho
Em todos esses casos, o radical livr- traz a ideia central relacionada a “livro”.
→ Vogal temática
É a vogal que se junta ao radical, especialmente em verbos e em alguns nomes, preparando a palavra para receber outras terminações. Veja:
amar → vogal temática: a
vender → vogal temática: e
partir → vogal temática: i
Quando o radical aparece junto à vogal temática, dá-se o nome de tema. Veja:
| radical + vogal temática |
ama
vende
parti
Na conjugação dos verbos, o tema forma a estrutura básica do verbo regular para que se juntem outras partes (as desinências), possibilitando a flexão verbal.
→ Afixos
São elementos que se acrescentam ao radical para modificar seu sentido. Há dois tipos de afixos:
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Prefixos: aparecem antes do radical.
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Sufixos: aparecem depois do radical.
| prefixo + radical + sufixo |
feliz
infeliz
felizmente
infelizmente
Note que o acréscimo dos afixos ajuda a criar outras palavras.
→ Desinências
São elementos colocados no final da palavra para indicar flexões. Elas podem ser de dois tipos:
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Nominais: indicam gênero e número.
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Verbais: indicam modo, tempo, número e pessoa.
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Exemplos de desinências nominais:
| radical + desinência |
meninas
Nesse caso, o substantivo “meninas” tem duas desinências nominais:
-a- = desinência de gênero, indica que se trata do gênero feminino.
-s = desinência de número, indica que se trata de plural.
- Exemplos de desinências verbais:
| radical + vogal temática + desinência |
amaremos
Nesse caso, a forma verbal “amaremos” tem duas desinências verbais:
-re- = desinência modo-temporal, indica que se modo indicativo, tempo futuro.
-mos = desinência número pessoal, indica que se trata de plural.
→ Vogal ou consoante de ligação
São vogais ou consoantes que não apresentam significado específico na palavra, mas que servem para facilitar sua pronúncia.
Exemplos:
| radical + vogal/consoante de ligação + sufixo |
inseticida
chaleira
Em “inseticida”, a vogal -i- é uma vogal de ligação entre o radical e o sufixo. Já em “chaleira”, a consoante -l- é uma consoante de ligação entre o radical e o sufixo.
Formação das palavras
A formação das palavras corresponde aos processos pelos quais se criam vocábulos no idioma. Em português, os principais processos são a derivação e a composição.
→ Derivação
A derivação ocorre quando uma palavra nova é formada a partir de uma palavra já existente, tendo um único radical como base. Há cinco tipos de derivação na língua portuguesa:
- prefixal,
-
sufixal,
-
parassintética,
-
regressiva e
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imprópria.
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Derivação prefixal
Acontece com o acréscimo de prefixos.
Exemplos:
| prefixo + radical |
desleal
refazer
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Derivação sufixal
Acontece com o acréscimo de sufixos.
Exemplos:
| radical + sufixo |
pedreiro
rapidamente
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Derivação parassintética
Ocorre quando são necessários um prefixo e um sufixo ao mesmo tempo para formar a nova palavra. Exemplos:
| prefixo + radical + sufixo |
entardecer
despedaçar
Atenção! Observe que, nos dois casos acima, não é possível inserir apenas o prefixo ou apenas o sufixo. Ambos são necessários para formar a palavra. Portanto, a derivação parassintética não pode ser confundida com a derivação prefixal e sufixal.
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Derivação regressiva
Ocorre quando uma palavra surge a partir da redução da palavra original. Os casos mais comuns são substantivos abstratos derivados de verbos.
Veja:
debater → debate
criticar → crítica
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Derivação imprópria
Ocorre quando a palavra muda de classe gramatical sem alterar sua forma.
Exemplos:
Vamos jantar amanhã?
(jantar = verbo; amanhã = advérbio)
O jantar está servido.
(jantar = substantivo)
O amanhã é incerto…
(amanhã = substantivo)
→ Composição
A composição ocorre quando uma nova palavra é formada pela união de dois ou mais radicais. No português, há dois processos de composição: por justaposição e por aglutinação.
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Composição por justaposição
Os elementos se unem sem grandes alterações de forma ou de pronúncia, mantendo seus radicais. Exemplos:
passa + tempo = passatempo
couve + flor = couve-flor
fim + semana = fim de semana
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Composição por aglutinação
Os elementos se unem, havendo alterações de forma ou de pronúncia, incluindo algumas alterações nos radicais.
Exemplos:
água + ardente = aguardente
plano + alto = planalto
vinho + acre = vinagre
Veja um resumo dos processos de formação de palavras na tabela a seguir:
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Processos de formação de palavras |
||
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DERIVAÇÃO Formação de uma palavra nova a partir de outra já existente. |
prefixal |
Acréscimo de prefixo à palavra-base. |
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sufixal |
Acréscimo de sufixo à palavra-base. |
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prefixal e sufixal |
Acréscimo de prefixo e sufixo à palavra-base. |
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parassintética |
Acréscimo simultâneo de prefixo e sufixo, sem existência isolada das formas intermediárias. |
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regressiva |
Formação de palavra por redução de outra. |
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imprópria |
Mudança de classe gramatical sem alteração na forma da palavra. |
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COMPOSIÇÃO Formação de palavra pela união de dois radicais ou mais. |
por justaposição |
União de elementos sem alteração relevante na forma. |
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por aglutinação |
União de elementos com alteração na estrutura sonora ou gráfica. |
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Saiba mais: O que é neologismo?
Exercícios resolvidos sobre estrutura e formação de palavras
Questão 1
Leia a frase a seguir:
“O cafezal ficava atrás de casa, perto do muro antigo.”
Assinale a alternativa em que a palavra apresenta consoante de ligação em sua estrutura.
A) Cafezal.
B) Ficava.
C) Casa.
D) Perto.
E) Antigo.
Resposta
Alternativa A. A palavra “cafezal” apresenta a consoante de ligação -z-, usada para ligar a base cafe- ao sufixo -al.
Questão 2
Leia a frase a seguir:
“Durante a tempestade, houve um grande aguaceiro na cidade.”
Assinale a alternativa que indica corretamente o processo de formação da palavra “aguaceiro”.
A) Composição por justaposição.
B) Composição por aglutinação.
C) Derivação prefixal.
D) Derivação sufixal.
E) Derivação parassintética.
Resposta:
Alternativa C. A palavra “aguaceiro” é formada com o acréscimo do sufixo -eiro à base agua-, formando uma nova palavra.
Fontes
AZEREDO, José Carlos de. Gramática Houaiss da Língua Portuguesa. São Paulo: Parábola, 2021.
BECHARA, Evanildo. Moderna Gramática Portuguesa. 38ª ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2015.
CEGALLA, Domingos Paschoal. Novíssima Gramática da Língua Portuguesa. São Paulo: Companhia Editora Nacional, 2020.
CUNHA, Celso; CINTRA, Lindley. Nova Gramática do Português Contemporâneo. 7ª ed. Rio de Janeiro: Lexikon, 2016.